Tour de Armstrong 2004
Começou no dia 3 de Julho a edição de 2004 do Tour de France. Nesta prova mítica do ciclismo mundial, o norte-americano Lance Armstrong vai tentar a sexta(!) vitória consecutiva. Se o conseguir, estabelecerá um novo recorde de vitórias consecutivas no Tour, depois de no ano passado ter igualado a prestação do espanhol Miguel Indurain que tinha conseguido cinco triunfos consecutivos entre 1991 e 1995.
Lance Armstrong vai então tentar a sexta vitória consecutiva já que venceu todas as edições desde 1999 a 2003. Hoje correu-se o primeiro contra-relógio por equipas entre Cambrai e Arras. A US Postal, equipa de Lance Armstrong, foi a grande vencedora averbando um tempo de 01H 12M 03S para percorrer os 64,5 km da etapa. Fazendo as contas isto dá uma incrível média horária de 54 km/h!!! Ainda por cima, cerca de um terço dos quase 65 km foi feito sob chuva e, em algumas zonas, sobre paralelepípedo.
Naturalmente que ele utiliza uma bicleta revolucionária, embora apenas isso não justifique em nada o seu andamento. Aliás, ele tem um livro com um título que ilustra bem esta afirmação: It's not about the bike. Armstrong faz a prova numa Trek Madone SSL. O quadro é integralmente em fibra de carbono e pesa uns meros 6,8 kg, tendo a bicicleta um peso total próximo dos 10 kg! A minha bicicleta pesa 12,8 kg... quase mais três quilos.
É espantoso o ritmo que estes atletas imprimem sobre as bicicletas. Fica sempre a dúvida sobre se são realmente super-atletas ou se estão apenas fortemente dopados. A teoria reinante é esta última hipótese. Segundo consta, recorrem a verdadeiros requintes de malvadez como, por exemplo, auto-transfusões sanguíneas para aumentar o número de eritrócitos e, consequentemente, a sua capacidade aeróbia.
Há que impedir o doping não só para assegurar a verdade desportiva, mas também, e sobretudo, para proteger a integridade física dos atletas. Por exemplo, a Eritropoietina (EPO), muito usada actualmente no doping por ser de secreção natural no homem e de difícil detecção enquanto doping, é uma hormona que aumenta entre 7 a 10% a produção de eritócitos. No entanto, pode ter como efeito secundário a hemólise dos eritrócitos ou a destruição de órgãos importantes para a produção de eritrócitos como sejam a medula óssea ou os próprios rins. Algo de verdadeiramente desagradável.
Enfim, vamos seguindo as aventuras do Tour 2004 esperando pela sempre mítica subida de l'Alpe d'Huez.

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