14/12/2005

Curiosidades: Chato Como a Potassa

Qual é a origem da expressão «chato como a potassa» tão comum entre nós? Tem origem nas antigas lavadeiras que passavam o dia a lavar a roupa dos seus clientes. Ontem, como hoje, as mãos de quem lavava sofriam terríveis agruras. Roupas grossas ou muito sujas exigiam ser esfregadas por longos períodos de tempo, rasgando as cutículas das unhas, fazendo nascer espigas. A potassa utilizada no fabrico do sabão irritava muito a pele e os problemas surgiam. Os dedos começavam a inchar, infectavam em redor da unha, supuravam. Caía a pele dos dedos e a unha apodrecia, caía. O terrível panarício periungueal (popularmente denomindado «unheiro») continuava a resistir a tudo, produzindo vergões e ínguas, parentes próximos da Erisipela, uma infecção superficial da pele causada por uma bactéria. Durante todo o sofrimento, sem deixar de lavar, a lavadeira experimentava tudo quanto estivesse ao seu alcance. Mandava rezar. Punha emplastros para amadurecer o pus. Manjericão, cabeça de quiabo pisado com sabão virgem, papa de farinha crua com azeite, hortelã pisada, mastruço (que tem o formato de um pénis) pisado juntamente com um pouco de alho, sumo de urtiga, cujo nome vem do latim «urere» = «arder», com pó de arroz eram as mezinhas mais usadas. Para queimar o unheiro, evitando que voltasse, recorriam a besuntar com azeite fervido com alho, ou fezes humanas (de preferência de menino pagão). Apalpar uma galinha várias vezes ao dia e expor o dedo ao escaldo de qualquer fervura estavam entre os tratamentos considerados infalíveis. A necessidade constante de estar com as mão na água dificultava muito a cura. Mas as lavadeiras não podiam desanimar e viviam a sua vida torturada de pobres almas, prisioneiras das primitivas técnicas de lavar roupa. Abençoada ciência que fazes o mundo avançar...