Tour de France 2005 - A culpa foi da corrente

Já se sabe o que provocou a queda de David Zabriskie: foi a corrente que ficou presa entre dois dentes do carreto da frente o que provocou uma paragem imediata da circulação da corrente e da rotação dos pedais. No limite de esforço a que Zabriskie ia, o resultado foi uma queda violenta. A imagem ilustra bem o estado em que ele ficou. Atrás de si vinha o seu colega Ivan Basso que não embateu nele por mero milagre, nas suas próprias palavras.
Na etapa de ontem, Lance Armstrong, depois de ter visto as imagens da queda do seu adversário, recusou-se a envergar a Camisola Amarela de líder por achar que a havia ganho de forma imerecida, na senda do que havia feito Eddy Merckx em 1971 após a violenta queda de Luis Ocaña nos pirinéus que lhe deu a liderança da prova.
Lance Armstrong reconheceu, após ver as imagens na televisão, já no hotel, que a queda de “Z”, como é chamado, desestabilizou a corrida da equipa. “Não seria justo vestir a camisola amarela nesta etapa depois do que aconteceu. Vi as imagens e achei que não seria correcto da minha parte. Perder daquela maneira, por dois segundos... Zabriskie teve azar, não merecia”, afirmou Armstrong. No entanto, os regulamentos proíbem expressamente os líderes, sejam da classificação geral, pontos, montanha ou juventude, de dispensarem as camisolas devidas, sob pena de serem expulsos da prova. Armstrong ainda tentou dialogar com o director Jean-Marie Leblanc, mas este mostrou-se inflexível. “Não discutimos propriamente o assunto. Ele disse-me que se eu não vestisse a camisola não podia correr”, explicou o norte-americano. “E eu preferi vesti-la”.
Efectivamente, os tempos são outros e a publicidade fala mais alto que o cavalheirismo.

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