24/01/2008

Santiago

05/03/2007

Marvão - Uma Ilha no Tecto do Mundo 4MAR2007

Olhando pela janela ontem de manhã, ninguém diria que o tempo em Castelo de Vide iria virar da forma como o fez a partir do meio-dia. Estava um sol tímido, se bem que estivesse algum frio o dia mostrava-se bem bonito.
Começámos o passeio com um tempo razoável, rodeados da bonita paisagem do Marvão e prosseguimos sem grandes problemas até ao início da famigerada subida em calçada romana para a fortaleza do Marvão. O tempo já ameaçava há cerca de uma hora e foi então que se abateu sobre nós aquela chuva desagradável aliada a um vento forte que fazia com que as gotas de água parecessem pequenas agulhas a entrarem-nos pela pele a dentro. Ora se a subida para o Marvão com tempo seco já é um perfeito calvário de fazer, a chuva abundante, musgo e limos nas pedras da calçada e uma finíssima camada de lama hiper-escorregadia tornam a subida num suplício. Após o tormento que foi subir aquilo, já que nem a pé se fazia bem porque os sapatos escorregavam imenso e ainda tínhamos de empurrar a bicicleta encosta acima, almoçámos junto à fortaleza do Marvão, hoje uma moderna Pousada de Portugal, e chovia tanto que eu tinha de morder a sandes rapidamente antes que ensopasse...
Na descida do Marvão dei um valente tralho por um motivo tão estúpido que até tenho vergonha de o contar... apercebi-me a meio da descida que a supensão tinha ficado bloqueada da subida. Em pleno andamento, tentei desbloquear a suspensão o que implica tirar uma das mãos do guiador. Ora a equação VALENTE DESCIDA TÉCNICA elevada a UMA SÓ MÃO NO GUIADOR tem como resultado um TRALHO MONUMENTAL. Resultado: hoje dói-me tudo! Quando chegámos ao quilómetro 28 dos 36 programados, tal como tínhamos feito no passeio do Cabo Espichel, fizemos uma mini-reunião para decidir se fazíamos os derradeiros 8 quilómetros do percurso ou se atalhávamos por estrada. Embora esta opção fosse mais longa, seria certamente mais fácil de cumprir do que pelos trilhos técnicos do Marvão. Ensopados, cansados e desmotivados, optámos por terminar o passeio por estrada.
É o segundo passeio BTTour que este ano não acaba por força da intempérie que se abateu sobre nós. No primeiro foi um frio de rachar e fisicamente doloroso. Este foi uma chuva e frio impiedosos. Olho hoje pela janela fora e está um sol fantástico. Desagradáveis ironias meteorológicas...

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07/07/2006


06/03/2006

Ficção: Óscares 2006

Ang Lee foi galardoado com o Óscar para o Melhor Realizador de 2006 pelo seu trabalho no "O Segredo de BrokeBack Mountain", filme sobre o amor homosseuxal entre dois cowboys. Ao ser entrevistado, já com a estatueta na mão, Ang Lee terá dito:
«I'm vely happy fol winning the Oscal. Howevel, if I had not won the Oscal, I would not be Ang Lee

21/02/2006

Futebol: O Instantâneo de Uma Lesão

Hoje disputou-se a primeira mão dos Oitavos de Final da Liga dos Campeões entre o Benfica e o Liverpool. O jogo foi bem fraquinho, sendo que o Liverpool não fez nenhum(!) remate à baliza do Benfica e o Benfica deve ter feito uns três à do Liverpool. O último, de bola parada no minuto 86, resultou num golo. Para variar, este Benfica de bola corrida não consegue marcar golos. De registar uma situação em que o benfiquista Beto provocou, indadvertidamente claro, já vinha a olhar para a bola que vinha pelo ar, uma lesão grave a Sissoko. A fotografia que mostro é do exacto momento dessa lesão, que provou ferimentos graves no olho de Sissoko, que está a recuperar lentamente. No momento achou-se que a lesão era bem mais grave, chegando a falar-se na perda total de visão do seu olho direito. Felizmente, a situação clínica estabilizou e está a evoluir favoravelmente. Este é o exacto momento em que Beto atinge o jogador do Liverpool.

15/02/2006

Política: A Pensão de Fátima Felgueiras

Hoje saiu uma notícia no Correio da Manhã que refere que o Estado pagou uma pensão de € 3.499 a Fátima Felgueiras durante 14 dos 28 meses que a autarca esteve no Brasil, fugindo da justiça portuguesa. Esta pensão resultava, segundo o jornal, do facto desta senhora ter sido professora na Escola Secundária de Felgueiras durante cerca de dez anos. Bem... uma pensão de € 3.499 por 10 anos de extenuante trabalho numa escola é uma excelente pensão. A SIC acrescenta que «O jornal Correio da Manhã consultou a declaração de rendimentos entregue por Fátima Felgueiras ao Tribunal Constitucional e explica que a pensão atribuída pelo Estado corresponde à reforma a que a autarca tem direito por ter sido professora na Escola Secundária de Felgueiras durante dez anos. A aposentação, publicada em Diário da República a 30 de Outubro de 2002, inclui também a contagem dos anos de serviço prestado na autarquia até essa data.» Sempre gostava de entender como é que dez anos a leccionar numa escola secundária e mais alguns dez anos numa Câmara Municipal resulta numa pensão de quase € 3.500... Em boa verdade não percebo o absurdo burburinho que se levantou com esta notícia e apenas por o Estado pagar uma pensão à senhora enquanto ela estava em fuga no Brasil. Que queriam vocês? Que lhe pagassem um hotel? Já agora de cinco estrelas, não? Já lhe pagarem uma pensão não é nada mau!

13/02/2006

BTT: Os Trilhos da Pedra Branca

Este domingo participei novamente no passeio «Trilhos da Pedra Branca». A origem do nome do passeio é bastante óbvia pelas fotografias que mostro. Esta zona, faz parte do enorme maciço calcário das Serras de Aire e Candeeiros.


Gosto muito deste passeio que tem um nível de dificuldade 4 com algumas subidas difíceis e, sobretudo, longas, mas igualmente com algumas descidas muito agradáveis. O tempo esteve razoável sem ter chovido. Aliás, após os primeiros cinco quilómetros e a correspondente primeira subida, foi tudo a descascar as camadas de roupa mais de Inverno, já que o calor apertava e bem.


Lá subimos à Fórnea e fizemos a fantástica Descida da Cobra.












Esta descida é F A B U L O S A! Imperdível mesmo! O passeio contou com a habitual excelente organização da BTTour.















Este ano já não caí na asneira de subir à Cova da Velha, mas houve alguns companheiros que lá foram. A única ocorrência digna desse nome foi uma queda que podia ter sido bem mais grave do que, felizmente, acabou por ser. No final de uma descida relativamente rápida, havia uma enorme poça de lama com uma lomba longitudinal bem a meio. À minha frente vinham dois companheiros bem largados.


Ora o primeiro quase que cai nessa lomba disfarçada pela poça de lama e o segundo numa tentativa desesperada para não atroplear o que quase caía, chegou-se todo para a direita e parou mesmo na última. O problema foi que quando pôs o pé direito no chão tinha um declive muito acentuado, perdeu o equilíbrio e caiu aos rebolões durante uns 3 ou 4 metros... pelo meio de enormes silvas. Uiiiiiiiiiiiiiiiii.... Claro que ficou todo arranhado, já para não falar no susto de cair pelo declive abaixo.

Felizmente não caiu em andamento mas sim praticamente parado, caso contrário teria sido bonito! Enfim, dois anos depois, o ano passado não houve este passeio, lá repeti este passeio que considero um dos melhores do calendário da BTTtour.

06/02/2006

Futebol: O Comboio do Título

Nesta jornada verificaram-se várias ocorrências tão estranhas ao nosso campeonato que é caso para perguntar se os Deuses não estarão, enfim..., distraídos. Primeira coisa estranha: o Benfica não teve um penálti marcado a favor. Já íamos em quatro jornadas seguidas com um penálti a favor do Benfica e sempre marcado bem cedinho para tranquilizar a equipa. Segunda coisa estranha: o Sporting derrotou o Nacional da Madeira que, de uma forma algo bizarra, insistia em roubar-nos pontos com uma regularidade preocupante. Finalmente, terceira coisa estranha: o Porto empatou em casa com o Sporting de Braga e o golo do empate do Braga foi marcado de penálti aos 88 minutos. É já o segundo empate seguido. Conclusão? Em 48 horas, ganhámos um total conjunto de 10(!) pontos a todos os quatro adversários mais próximos na tabela e saltámos para o segundo lugar a cinco pontos do Porto e empatados com o Benfica e o Braga, embora com vantagem no confronto directo. De repente, o comboio do título pode passar novamente por Alvalade. Vamos lá ver se este clima positivo é para durar, certo rapaziada?

29/01/2006

Futebol: Humilhação Para o Jantar

Hoje, o Sporting derrotou o Benfica na Luz por uns expressivos 1-3. Foi com prazer que se assistiu não ao «Inferno da Luz» mas sim ao «Inferno na Luz». O Benfica até marcou primeiro de grande penalidade. No entanto, o melhor do jogo estava reservado para a segunda parte. Liedson fez uma exibição sensacional marcando os dois últimos golos e sofrendo a falta que originou o penálti de que resultaria no primeiro golo, o do empate. Em boa verdade, é difícil de perceber por que raio de motivo o Benfica jogou tão mal. Bem sei que uma equipa só joga o que a outra deixa jogar, mas depois do Sporting que tenho visto nos últimos jogos, não os julgava capazes de darem este bailinho ao Benfica. Felizmente, enganei-me redondamente. O benfica jogou tão mal que creio mesmo que em todo o jogo deve ter feito uns três remates à baliza de Ricardo, um dos quais na conversão do penálti. Aliás, não me lembro de nenhum(!) remate do Benfica na segunda parte do jogo. Para a história fica o resultado, revestido de contornos de humilhação. A maldade que Liedson faz ao Luisão quando marca o segundo golo é de antologia e deve ter deixado o enorme central brasileiro com os olhos trocados e os rins feitos em cacos... Voltámos a aproximar-nos dos lugares da frente já que o Porto escorregou em Vila do Conde, frente ao Rio Ave, empatando a zero. Será que temos estaleca para começar a jogar bem e discutir o campeonato? Na próxima jornada temos já novo teste a sério. Jogamos com o Nacional da Madeira que vai dois pontos à nossa frente em terceiro, empatado com o Braga.

BTT: Rotas das Fontes 2006

Com este passeio, foi oficialmente declarada aberta a Temporada de Passeios BTT 2006. Passeio relativamente simples, mesmo bom para retomar a... pedalada. Este passeio já é um clássico no calendário da BTTour e desenrolou-se sem casos de maior.







De registar apenas uma violenta queda de uma companheiro mesmo à minha frente. Francamente, não sei como raio é que ele caiu, mas vínhamos por uma descida relativamente rápida abaixo quando ele perdeu o controlo da bicicleta e mandou um espalho valente. Enfim, depois de recuperar um bocadinho, lá montou a bicicleta novamente. Em boa verdade, aquilo vai doer a sério é logo à noite... não sei se me faço entender.


Houve muita lama e chuva neste passeio, mesmo bom para regressar à activade em condições... difíceis. Foi por esse motivo que este passeio serviu para estrear o meu equipamento de chuva que funcionou às mil maravilhas. Finalmente consigo andar à chuva sem ficar ensopado que nem um pinto. Lá diz o ditado, sem as ferramentas certas é difícil fazer um bom trabalho.




Eis o track GPS no Google Earth. Este passeio tem como principais pontos de interesse o sobe e desce no cimo da falésia, sempre acompanhado de uma esplenderosa vista de mar (não que desta vez houvesse muito para ver para além do nevoeiro e da chuva) e a emocionante descida para a Praia de São Julião.

27/01/2006

Mozart: Aeternum Amadeus

27 de Janeiro de 1756. Há 250 anos, exactamente às 20:00, nascia em Salzburgo uma criança tão diferente de todas as outras. Não vieram Reis Magos adorá-lo nem nasceu numa mangedoura. Mozart nasceu Joannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart (em alemão Joannes Chrisostomos Wolfgang Gotlieb Mozart). Teophilus (em grego) e Goetlieb (em alemão) querem dizer o "Amado de Deus" do qual Mozart extraiu a forma latina que adoptou "Amadeus". Eternamente amado por Deus e pelos homens, para mim será sempre a prova de que se Deus voltou à terra encarnado em Jesus para redimir a humanidade, regressou novamente encarnado em Mozart para nos dizer que se faz música no céu. Bem-hajas, ó Criador Celeste, pela benção de teres partilhado connosco o teu Anjo Musical predilecto.

25/01/2006

Política: Presidenciais 2006

O homem que aqui vêm a trepar a um coqueiro em Moçambique é o novo presidente de Portugal. É caso para dizer que os tempos eram outros mas as tristes figuras não. No dia 22 de Janeiro lá tivemos as Presidenciais 2006. As eleições foram ganhas por Cavaco Silva à primeira volta por uma unha negra. Obteve 50,59% dos votos. A grande vantagem desta eleição logo à primeira volta é que, em circunstâncias normais, só voltamos a ter eleições daqui a três anos e meio. Relativamente aos resultados, não me consigo decidir se o melhor foi mesmo a eleição de Cavaco Silva ou se foi o terceiro lugar obtido por Mário Soares, logo atrás de Manuel Alegre. Para ter sido uma noite perfeita faltou o Francisco Anacleto Louçã ter ficado abaixo dos 5% e, consequentemente, a chuchar no dedo relativamente ao dinheiro que os políticos nos roubam com as eleições. Como não foi o caso, lá vamos ter de lhe pagar cerca de 300.000 euros (!!!) para lhe pagar as despesas que teve com a campanha. Esta de o erário público pagar os caprichos pessoais dos candidatos a Presidente da República não lembra a ninguém. Sim, caprichos porque ninguém os obriga a candidatarem-se e eles só o fazem porque querem. Também deviam ter de arranjar fundos para essas estroinices sem incomodarem as parcas finanças da nação.

A apimentar a noite eleitoral tivemos o episódio em que no momento do discurso de Manuel Alegre, José Sócrates entra na sala de imprensa do PS e começa a discursar por cima do segundo classificado das eleições. As televisões, bem cientes da mão que lhe dá comidinha na forma de subsídios e outras agradáveis subvenções, mudaram todas para o discurso de Sócrates, deixando Alegre verdadeiramente a «falar para o boneco». Helena Roseta, que estava como comentadora na emissão da SIC, insurgiu-se imediatamente dizendo que era uma falta de educação e de vergonha o que Sócrates acabara de fazer. O PS apressou-se a justificar dizendo que não o tinha feito com nenhuma intenção e que tudo não passara de uma infeliz coincidência. Chegaram inclusive a referir que como Sócrates anda de muletas (lesionou-se a esquiar na estância de esqui mais cara da Suíça, dando um brilhante exemplo de como um responsável político deve mostrar aos seus concidadãos como está preocupado com a crise que nos afecta a todos) demorou mais tempo do que o previsto a chegar à sala de imprensa do Largo do Rato. Enfim, as acções ficam com quem as pratica e que a canalha política é abjecta e repulsiva já nós sabemos há muito tempo. Para a história ficam os resultados:

Candidato Votos %
CAVACO SILVA 2.745.887 50,59
MANUEL ALEGRE 1.124.696 20,72
MÁRIO SOARES 778.453 14,34
JERÓNIMO SOUSA 466.423 8,59
FRANCISCO LOUÇÃ 288.236 5,31
GARCIA PEREIRA 23.617 0,44

23/01/2006

Nevou em Azeitão!

É verdade, hoje nevou bastante na região Centro e no Sul de Portugal. Em Lisboa não nevava há mais de 49 anos, mais concretamente desde 1957. Em Azeitão nevou muito pouco, foi quase só uma ameaça de neve. No entanto, houve locais do Centro e Sul onde nevou bastante como, por exemplo em Évora .
Na Serra de Aire, onde já tanto pedalei e onde vou voltar no dia 12 de Fevereiro, caiu um forte nevão, na Figueira da Foz a praia ficou totalmente coberta por um manto de neve e em Lisboa nevou o suficiente para ficar tudo branco. Até na Serra do Caldeirão, no Algarve, nevou!
Esta fotografia é apenas uma curiosidade mostrando a Alameda D. Afonso Henriques em 1957, quando havia nevado da última vez em Lisboa.

19/01/2006

Política: É a Informática Estúpido!

Esta história dos registos telefónicos de altas patentes do Estado que foram apanhados por um jornal e que estavam escondidos numa listagem enviada pela Polícia Judiciária para um qualquer tribunal vem pôr a nu um gritante problema da Função Pública em geral: a sua chocante falta de formação específica. Naturalmente que qualquer pessoa que saiba usar minimamente o Excel sabe que se podem inserir e remover/ocultar comentário nos misteriosos ficheirinhos .xls. Aliás, a prova cabal de que os funcionários públicos não têm formação para usar uma coisa tão simples como o Excel, foi a história do Orçamento de Estado 2006 em que, num acto pomposo de modernidade, o Governo distribuiu aos jornalistas um CD com os ficheiros Excel do OE mas que, infelizmente para eles, continham comentários do tipo «Aqui temos de disfarçar», «Este valor tem de ser escondido», «Valor fictício», etc. Lá diz o adágio que o exemplo deve vir de cima e o Governo demonstra até à exaustão que lhe falta a mais elementar formação para utilizar as suas ferramentas do dia a dia. Aliás, a sua impreparação é tal que Mário Soares, político experiente, afirmou recentemente que tinha enviado um SOS ao Ministro da Defesa para falar com ele sobre um problema qualquer. Um SOS... Socorro, salvem-nos mas é a nós todos desta corja de inúteis!

09/01/2006

Política: Soares Como Maria Barroso Acha Que Ele Não É

Maria Barroso ficou chocada com o jornalismo rasteiro, na sua opinião, demonstrado pelo Expresso desta semana ao colocar na capa da sua edição a fotografia que aqui mostro. Chocada porque ela é da opinião que a fotografia mostra um homem idoso, obviamente cansado, verdadeiramente envelhecido e que isso pode transmitir uma imagem que não é verdadeira. Maria Barroso acha que a imagem reduz Mário Soares ao que ele não é: um homem idoso, obviamente cansado, verdadeiramente envelhecido. Infelizmente, cara Maria, a imagem é tão verdadeira como a imagem de Cavaco Silva que mostra uma homem rígido, empertigado e pouco à vontade. Talvez Maria Barroso, habituada a uma qualquer praxis dos camaradas socialistas, pense que o Expresso devia ter previamente falado com o camarada Soares para saber se ele gostava da fotografia que iam publicar. Os tempos e os países em que os camaradas socialistas controlam a imprensa estão, felizmente, cada vez mais longe da realidade actual. É claro que quando o Expresso apoiou de forma veemente o volte-de-face promovido por Jorge Sampaio, o pior Presidente da República desde o 25 de Abril, para levar para o governo da nação José Sócrates, que, recordo, envolveu a inenarrável imolação pública do anterior dirigente dos socialistas Ferro Rodrigues com insinuações torpes relativamente ao seu alegado envolvimento no escândalo da Casa Pia, a camarada Maria Barroso já não achou que o jornalismo do Expresso estivesse enquistado de um qualquer anti-socialismo primário. «Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades»...

03/01/2006

Ficção: Conselho de Ministros do Governo Socialista (Onírico)

«Boa tarde meus senhores!»
(todos em coro)
«Boa tarde Sr. Primeiro Ministro!»
«Ora então qual é a agenda de trabalhos?»
Diz um Acessor Absurdamente Bem Pago «Bem, temos um problema muito grave com a Justiça, a Saúde vai de mal a pior, a Economia está a dar um trambolhão valente, dizem que somos mentirosos, o desemprego cavalga de forma desenfreada, os professores querem mais regalias e menos trabalho, os polícias querem equipamento decente para combater os criminosos e não conseguimos conter as despesas de estado.»
(pequeno burburinho na sala)

Pergunta o Primeiro Ministro «Sim... e não há nada mais importante para tratar?»
O Acessor Absurdamente Bem Pago consulta as suas notas «Há... é preciso nomear um conjunto de camaradas para cargos importantes, temos de arranjar uma colocação sonante para o camarada Pedroso e decidir como nos vemos livres do camarada poeta Alegre...»
«Ah, isso sim, é importante! O resto que se lixe» exclama o Primeiro Ministro entusiasmado, incendiando a reunião com fervor ao recorrer a esta linguagem mais vernácula com o intuito esperto de se tornar mais próximo dos restantes ministros. «Então quem temos para colocar?»
O Acessor Absurdamente Bem Pago começa a desfiar o rol de camaradas em lista de espera por ordem de prioridade, anos de camaradagem, favores prestados ao partido, familiares directos e indirectos de camaradas a colocar em cargos menores, porém bem pagos, etc. Após duas horas de acesa discussão e depois de decidida a colocação de mais de uma centena de camaradas, os quatro funcionários da Imprensa Nacional Casa da Moeda que assistiam ao Conselho de Ministros trataram logo da papelada necessária e três horas depois os despachos já haviam sido assinados e publicados. Não é de estranhar. Havia sido uma sábia decisão que este Governo tinha implementado, já que a presença próxima do Conselho de Ministros destes funcionários da INCM aligeirava, e muito, o processo da publicação das colocações dos camaradas. Ainda restavam dez minutos de Conselho de Ministros e o Primeiro Ministro, após 7 minutos em que se falou um pouco de futebol, voltou a pedir a Agenda de Trabalhos ao Acessor Absurdamente Bem Pago. Ele lá voltou a desfiar o rol «Bem, temos um problema muito grave com a Justiça, a Saúde vai de mal a pior, a Economia está a dar um trambolhão valente, dizem que somos mentirosos, o desemprego cavalga de forma desenfreada, os professores querem mais regalias e menos trabalho, os polícias querem equipamento decente para combater os criminosos, e não conseguimos conter as despesas de estado. No entanto, Senhor Primeiro Ministro, penso que já não temos tempo para estes pontos da agenda.»

O Primeiro Ministro, apreciando a fina inteligência denotada pelo Acessor Absurdamente Bem Pago, concordou. «Camaradas, adiamos a discussão destes itens da agenda para a semana que vem.» O Acessor Absurdamente Bem Pago, recordou ao Primeiro Ministro que para a semana havia um feriado na sexta-feira e que o Governo ia dar tolerância de ponto ao funcionários públicos na quinta-feira e que por esse motivo não haveria Conselho de Ministros nessa semana. «Óptimo!», exclamou o Primeiro Ministro «Nesse caso, continuamos na semana seguinte.» O Acessor Absurdamente Bem Pago observou que na semana seguinte também não poderia ser já que o camarada Mário Soares, que estava em pré-campanha para as Presidenciais, tinha convidado o Governo para ir na sua comitiva de 371 individualidades ao Brasil, nas sua palavras «para recordar bons velhos tempos!». O Primeiro Ministro pensava por esta altura que era fundamental aumentar este Acessor Absurdamente Bem Pago. Seis mil e quinhentos euros por mês, a recibo verde vezes catorze meses, estava bem abaixo do que ele merecia!

À saída, lá estavam os jornalistas para a habitual conferência de imprensa. O ministro adjunto informou que durante o Conselho de Ministros se discutiu sobretudo o aflitivo problema do desemprego em Portugal. Além disso falou-se também das questões das Presidenciais e que se tinham tomado «resoluções preliminares» (o que quer que isso queira dizer...) «para resolver o gravíssimo problema da Justiça, para melhorar a Saúde, havia sido analisado com preocupação o problema da Economia, a efectiva implementação das medidas que constavam do Programa do Governo, que a matéria da situação dos professores poderia ter desenvolvimentos positivos a curto prazo, que as forças da ordem seria eventualmente reforçadas para o combate ao crime e que o problema das despesas do Estado tinha sido objecto de estudo aturado».

30/12/2005

Livros: «O Processo» de Franz Kafka

Este livro integra-se na corrente do surrealismo e tem uma força e uma verosimilhança verdadeiramente preocupantes. Conta a história de Joseph K. (o apelido nunca é revelado ao longo do livro) que é acusado num determinado processo. Este processo move-se por meandros obscuros sem nunca ser revelado a Joseph K. aquilo de que o acusam, quem o acusa, nem mesmo qual é o andamento do processo. Num mundo verdadeiramente onírico, Joseph K. vagueia cada vez mais perdido sentindo-se julgado sem julgamento, acusado sem acusação, condenado sem sentença. A degradação que a pressão psicológica do processo desencadeia nele é notória e ficamos sem perceber se ele tem cada vez mais alucinações ou se a teia de uma sociedade perversa, asfixiante e impositiva o enreda cada vez mais a caminho da sua morte. Joseph K. sofre uma morte de cão, sem julgamento, sem condenação, na rua, às mãos de uns quaisquer algozes enviados por um eventual tribunal que nunca o quis ouvir e que o condenou sem apresentar nenhuma prova da sua culpa. Tendo em conta o estado da justiça em Portugal, não consegui deixar de estabelecer alguns paralelos com a triste situação nacional. Por exemplo, no que toca à falta de condições dos tribunais. No livro, há secções do tribunal espalhadas pela cidade e que alugam partes de casas particulares, para a realização de pseudo-sessões de julgamento ou que estão instaladas em forros de telhado abafados e sem condições nenhumas de trabalho. Soa a familiar?

Franz Kafka nasceu em Praga em 3 de Julho de 1883. Judeu, é oriundo da antiga província da Boémia do Império Austo-Húngaro. Kafka escreveu sempre em alemão. Formou-se em Direito em 1906 na Universidade de Karlov em Praga. Foi certamente graças a esta formação jurídica que conseguiu criticar de uma forma tão contundente o sistema judicial da época. Tal como muito outros intelectuais da época, como, por exemplo, Flaubert ou Beethoven, simpatizava com Napoleão. Embora seja corrente que Kafka sofreu de depressão clínica e ansiedade social ao longo da maior parte da sua vida, denotava uma saúde física verdadeiramente frágil já que sofreria de enxaquecas, insónias e prisão de ventre crónicas. Tentava combater tudo isto com duvidosos tratamentos naturopáticos como, por exemplo, uma dieta vegetariana ou o consumo de enormes quantidades de leite não pasteurizado, o que terá possivelmente contribuído para que tivesse contraído tuberculose.

Estava a viver em Berlim há pouco tempo quando a tuberculose piorou e teve de regressar a Praga, apenas para seguir apressadamente para um sanatório em Viena onde viria a morrer no dia 3 de Junho de 1924, aparentemente de inanição. A sua doença tornara-lhe impossível engolir e dado que os tratamentos intravenosos ainda não haviam sido desenvolvidos, não havia forma de o alimentar. Esta situação é muito semelhante à da personagem Gregor da «Metamorfose». Foi enterrado em Praga, no cemitério judeu, no dia 11 de Junho de 1924. A maior parte da sua obra foi publicada postumamente. Aliá, o Capítulo VIII de «O Processo» nunca chegou a ser concluído.

16/12/2005

Política: A Política dos Aldrabões

Ainda há muita gente neste país que vive numa estranha ilusão no que concerne aos políticos. Não há nada que enganar. Eles são mesmo aldrabões, roubam despudoradamente o que é do Estado (logo, o que é nosso) e são artisticamente vigaristas, demonstrando não terem um pingo de vergonha nos seus espíritos decadentes em corpos bem sãos, de tão bem alimentados à nossa custa. Já aqui falei no infame subsídio de reintegração atribuído pela Assembleia da República a quem deixa de exercer funções como deputado e regressa à vida civil. Agora vou falar-vos do verdadeiro motivo pelo qual Manuel Alegre, mas sobretudo, Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã dizem que hão-de ir até às urnas nestas eleições e, simultaneamente, o motivo pelo qual o PS ficou tão irritado com a aparentemente casmurrice infantil de Alegre em disputar as eleições até ao fim.

Preparem-se...

Diz a Lei 19/2003, no seu artigo 17, o seguinte:


Subvenção pública para as campanhas eleitorais
1 - Os partidos políticos que apresentem candidaturas às eleições para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu, para as Assembleias Legislativas Regionais e para as autarquias locais, bem como os grupos de cidadãos eleitores dos órgãos das autarquias locais e os candidatos às eleições para Presidente da República, têm direito a uma subvenção estatal para a cobertura das despesas das campanhas eleitorais, nos termos previstos nos números seguintes.

2 - Têm direito à subvenção os partidos que concorram ao Parlamento Europeu ou, no mínimo, a 51% dos lugares sujeitos a sufrágio para a Assembleia da República ou para as Assembleias Legislativas Regionais e que obtenham representação, bem como os candidatos à Presidência da República que obtenham pelo menos 5% dos votos.

(…)

4 - A subvenção é de valor total equivalente a 20.000, 10.000 e 4.000 salários mínimos mensais nacionais, valendo o 1.º montante para as eleições para a Assembleia da República, o 2.º para as eleições para a Presidência da República e para o Parlamento Europeu e o 3.º para as eleições para as Assembleias Legislativas Regionais.
Primeira conclusão: qualquer candidato à Presidência da República que tenha mais de 5% de votos expressos pode beneficiar desta subvenção cujo montante total é igual a € 385,90 (valor actual do Salário Mínimo Nacional) x 10.000, ou seja uns belos € 3.859.000,00 (quase quatro milhões de euros).

E como é que os políticos que fizeram a lei decidiram que se dividia este bolo apetitoso? Da seguinte forma:

Artigo 18.º
Repartição da subvenção
1 - A repartição da subvenção é feita nos seguintes termos: 20% são igualmente distribuídos pelos partidos e candidatos que preencham os requisitos do n.º 2 do artigo anterior e os restantes 80% são distribuídos na proporção dos resultados eleitorais obtidos.

(…)

4 - A subvenção não pode, em qualquer caso, ultrapassar o valor das despesas orçamentadas e efectivamente realizadas, deduzido do montante contabilizado como proveniente de acções de angariação de fundos.
5 - O excedente resultante da aplicação do disposto no número anterior é repartido
proporcionalmente pelas candidaturas em que aquela situação não ocorra.


Vamos passar a um exemplo concreto. Imaginemos que os resultados das eleições eram os seguintes: Cavaco (55%), Soares (20%), Alegre (15%), Jerónimo (5%) e Louçã (5%). Neste caso as contas eram assim:
20% dos € 3.859.000,00 eram divididos pelos 5, ou seja € 771.800 a dividir por 5 = € 154.360 a cada um. Nada mau, 30.000 contitos por participar numa eleições…

Os restantes 80% eram divididos da seguinte forma (somando já o valor da primeira parcela):

Cavaco - € 1.697.960 + € 154.360 = € 1.698.114
Soares - € 617.440 + € 154.360 = € 711.800
Alegre = € 463.080 + € 154.360 = € 617.440
Jerónimo = 154.360 + € 154.360 = € 308.720
Louçã = € 154.360 + € 154.360 = € 308.720

Francamente não percebo o que o ponto 5 do artigo quer dizer e até tenho medo de descobrir...

Conclusões: A aparente teimosia de Jerónimo e Louçã tem, no fundo, uma razão financeira de peso. Sempre são mais de 300.000 euros que entram para os cofres dos seus partidos. A aparente irritação do PS com Manuel Alegre, bem como os repetidos apelos à desistência dos outros candidatos da esquerda também têm uma motivação bem financeira. Basta somar-se as subvenções dos candidatos de esquerda todos juntos para se perceber o dinheirão que o PS está a perder. Interessante foi o ar pungente com que Francisco Louçã disse a José Alberto Carvalho num debate, que lhe fez esta pergunta muito pela rama, que se sentia insultado pela questão colocada. Insultados devíamos sentir-nos todos nós com os quase quatro milhões de euros que vão custar as Presidenciais, só em subvenções. Por fim, Louçã recordava com um ar de ofendido celestial que a lei diz que estas subvenções se destinam exclusivamente a pagar as despesas com a campanha eleitoral.

Todos sabemos muito bem como em Portugal se controlam as contas a apresentar para que o resultado seja exactamente o pretendido.

14/12/2005

Curiosidades: Chato Como a Potassa

Qual é a origem da expressão «chato como a potassa» tão comum entre nós? Tem origem nas antigas lavadeiras que passavam o dia a lavar a roupa dos seus clientes. Ontem, como hoje, as mãos de quem lavava sofriam terríveis agruras. Roupas grossas ou muito sujas exigiam ser esfregadas por longos períodos de tempo, rasgando as cutículas das unhas, fazendo nascer espigas. A potassa utilizada no fabrico do sabão irritava muito a pele e os problemas surgiam. Os dedos começavam a inchar, infectavam em redor da unha, supuravam. Caía a pele dos dedos e a unha apodrecia, caía. O terrível panarício periungueal (popularmente denomindado «unheiro») continuava a resistir a tudo, produzindo vergões e ínguas, parentes próximos da Erisipela, uma infecção superficial da pele causada por uma bactéria. Durante todo o sofrimento, sem deixar de lavar, a lavadeira experimentava tudo quanto estivesse ao seu alcance. Mandava rezar. Punha emplastros para amadurecer o pus. Manjericão, cabeça de quiabo pisado com sabão virgem, papa de farinha crua com azeite, hortelã pisada, mastruço (que tem o formato de um pénis) pisado juntamente com um pouco de alho, sumo de urtiga, cujo nome vem do latim «urere» = «arder», com pó de arroz eram as mezinhas mais usadas. Para queimar o unheiro, evitando que voltasse, recorriam a besuntar com azeite fervido com alho, ou fezes humanas (de preferência de menino pagão). Apalpar uma galinha várias vezes ao dia e expor o dedo ao escaldo de qualquer fervura estavam entre os tratamentos considerados infalíveis. A necessidade constante de estar com as mão na água dificultava muito a cura. Mas as lavadeiras não podiam desanimar e viviam a sua vida torturada de pobres almas, prisioneiras das primitivas técnicas de lavar roupa. Abençoada ciência que fazes o mundo avançar...

23/11/2005

Livros: «Lord of the Flies» de William Golding

Excelente livro onde William Golding arrasa com a teoria da bondade infantil, mostrando como um grupo de crianças abandonadas numa ilha, sem a supervisão de nenhum adulto, vão perdendo a pouco e pouco a noção de sociedade e civilização. Numa luta sem tréguas entre os que pretendem manter uma réstea de civismo e os selvagens que se vão desinibindo cada vez mais, o livro entra numa aterradora espiral de violência que envolve assassinatos, fetiches, histeria colectiva, lutas fratricidas, crueldade, puro terror e a incessante busca do Poder. O mais impressionante é que esta pseudo-sociedade é exclusivamente composta por crianças entre os 6 e os 12 anos. Uma fábula perturbante e intemporal.

21/11/2005

BTT: Travessia das Linhas de Torres

Clicar para ampliarÉpica, é a melhor descrição para a Travessia das Linhas de Torres (organizada pela Cabra Montêz) em que participei no dia 20 de Novembro de 2005. Chovia abundantemente, havia uma enorme quantidade de lama por todo o lado, fazia muito frio. Houve uma altura em que chovia tanto que eu conseguia beber a água que me escorria pela cara baixo. Estivemos quase sempre a passar por dentro de enormes poças de água ou de lama. Ou de lama e de água, numa interminável sucessão de água e lama. Quando era preciso pôr um pé no chão, a lama engolia o pé até logo abaixo do joelho, fazendo depois aquele ruído de sucção quando puxávamos o pé para cima. A lama era tanta que houve descidas em que tínhamos de pedalar para não parar! Se era assim nas descidas, imaginem nas subidas. Aguentei bem os primeiros 30 Km, com frio e muito molhado. Dava para aguentar relativamente bem enquanto nos mantivéssemos em movimento e, sobretudo, a pedalar. O pior foi quando parámos para almoçar. Totalmente molhado, arrefeci imediatamente, fiquei cheio de frio e tremia que nem varas verdes. Tinha partido para esta travessia de calções, manga curta, meias e luvas de verão e um casaco que quando chove muito deixa passar água. Com diriam os brasileiros «ó insensatez»... Achei que o tempo iria melhorar, mas essa vaga e remota probabilidade não se veio a confirmar. Tive tanto frio que parei, com grande pena minha pois estava a gostar muito do percurso e estava a sentir-me fisicamente bem. Enfim, fica para o ano que vem, onde certamente comparecerei à chamada com o equipamento necessário para enfrentar o tempo adverso que deve estar novamente, já que está marcada para Outubro. Gostei da passagem pelas ruínas(?) das Termas dos Cucos e da descida para Torres Vedras. Quanto ao mais, não deu para ver grandes paisagens já que a chuva e o nevoeiro foram uma constante. O track GPS no Google Earth corresponde apenas à parte que eu fiz, ou seja aos primeiros 30 km. Gostei do grupo e conto repetir passeios com eles.

O comentário do Pedro Capelinha (Cabra Montêz), que organizou o passeio, que ilustra de forma soberba as dificuldades sentidas:
«A primeira edição da travessia das Linhas de Torres começou molhada, foi molhada e acabou molhada, num dos mais exigentes percursos realizados pela Cabra Montêz, dada a baixa temperatura, a muita lama, o vento e os desníveis constantes. Durante o reconhecimento geral desta travessia, realizado juntamente com o meu amigo Ricardo, já me tinha apercebido das dificuldades, e ontem tudo se confirmou. Não obstante as condições, foi possível ficar a conhecer uma grande parte da 1ª linha defensiva de Torres Vedras, e sentimos na pele as dificuldades dos soldados franceses no eventual domínio destas paragens. Fica a fotografia possível, dentro de um trilho que se converteu num ribeiro, com um telemóvel encharcado, embaciado e suado...».

15/11/2005

Livros: «As Intermitências da Morte» de José Saramago

«No dia seguinte ninguém morreu», começa assim o novo romance de José Saramago. Finalmente José Saramago volta a escrever um livro de grande qualidade, que apresenta um humor fino e realmente inesperado. Dei comigo a sorrir sozinho, tipo tontinho, com inúmeras situações do livro. Depois do Ensaio Sobre a Cegueira (1995), foi uma longa e penosa travessia do deserto com obras menores, na minha opinião claro, como Todos os Nomes (1997), A Caverna (2000), O Homem Duplicado (2002), Ensaio Sobre a Lucidez (2004) e Don Giovanni ou o dissoluto absolvido (Teatro) (2005). Gostei muito do livro que começa devagar, com um arranque lento, mas que termina de uma forma genial. Neste livro, as subtilezas voam livremente e a música enche o ar com uma densidade opaca e tridimensional. O tema da morte, tão incómodo na sociedade actual, é visto numa luz simples, humana mesmo. A morte (com m minúsculo) sente-se pouco poderosa, triste e, atrevo-me a dizê-lo, com falta de amor. O tema da paixão da morte é invulgar e estranho. Na companhia da fiel gadanha, a ceifeira eterna apresenta os dilemas típicos das personagens de Saramago. Numa metáfora alusiva ao poder da grande música, a morte ajoelha-se perante a partitura de uma das suites para violoncelo solo de Bach. Eu, que já me ajoelhei tantas vezes perante obras primas musicais, percebo o ímpeto incontornável sentido pela morte. Após tantos anos a matar-nos, será que a morte não se tornou um pouco humana? Saramago voltou finalmente a escrever uma obra de grande nível, que eu coloco directamente na galeria daquelas que são para mim as sua obras mais notáveis: Ensaio Sobre a Cegueira, Memorial do Convento, Jangada de Pedra ou O Ano da Morte de Ricardo Reis.

10/11/2005

BTT: Os Trilhos da Serra de Aire

Clicar para ampliarParticipei em mais um passeio da BTTour, desta vez quase sempre no sopé da Serra de Aire. Este passeio tinha cerca de 30 km e Cuidado: Ultraleve em voo rasante... Clicar para ampliarum nível de dificuldade reduzido. Fui incluído no grupo do nível 1, o que para mim foi mau. É o meu eterno dilema, sou demasiado lento para o nível 2 e demasiado rápido para o nível 1. Enfim, de futuro vou tentar acompanhar sempre o Nível 2 na medida do possível. Este passeio até foi relativamente simples quando comparado com outros que já fiz com eles. Havia uma parte do percurso que passava por uma pista de Motocross (acho eu...). Aí, houve alguns artistas que se lançaram nuns saltos para curtir.

Para variar, este passeio tinha uma parte bem trialeira à la BTTour. Acredito que seja mais fácil transpor O Luís a transpor uma parte bem técnica. Clicar para ampliaresta parte com um grupo mais reduzido, já que num grupo grande há sempre muitas paragens que perturbam a progressão em terrenos muito técnicos. No final, devo confessar que senti a falta da camaradagem do pessoal do grupo do Nível 2 que me perguntaram porque raio tinha ido com o Nível 1. Fico sempre com um peso na consciência pois acho que os atraso demasiado. Para não variar, este passeio contou com a habitual excelente organização da BTTour.

31/10/2005

BTT: Outubro

Em Outubro houve dois passeios organizados pela BTTour na Serra da Estrela. Foram ambos fantásticos, do melhor que já fiz até hoje. Uma organização impecável por parte da BTTour. Só foi pena que o tempo não ajudasse, já que estava muito nevoeiro e frio. Caso contrário, teriam sido perfeitos!


Este foi o passeio Na Crista da Estrela, que decorreu no dia 15 de Outubro. Para estes dois passeios da Serra da Estrela, passámos lá o fim-de-semana. Foi bem divertido. Não há como viajar no BTTour Mobile para sentir a maluqueira, no bom sentido, deste grupo de malta unido pela estranha vontade de andar de bicicleta nos sítios mais complicados.



A arte ao serviço do BTT... É o Monho no castelo de Linhares da Beira.

A Serra da Estrela tem um enorme potencial para a prática do BTT. Bem que podia ser mais bem explorado... mas infelizmente parece que só há uma BTTour e não manda nos políticos que infelizmente mandam nos nossos recursos naturais!


Recomendo vivamente que quem tenha a oportunidade de praticar BTT na Serra da Estrela, não perca a oportunidade de o fazer. Podem sempre contactar a BTTour. Aquilo é do melhor que há.

Este é o trilho GPS do passeio O Trilho Perdido, que percorremos no dia 16 de Outubro. Foi um passeio em que verdadeiramente desfrutámos da Natureza em toda a sua plenitude. Foi fantástico!

Com a BTTour é assim: trilhos bem técnicos e trialeiros que me obrigam a andar muito a pé... talvez depois de os percorrer três ou quatro vezes os conseguisse fazer montado na bicicleta ou não. É caso para dizer que são trilhos à la BTTour. Gandas malucos!

Este passeio contou com trilhos de uma beleza excepcional. Imperdível!

Eis um excelente exemplo de um trilho totalmente fechado pelas copas das árvores que coavam a luz de uma forma realmente mágica. É para estes momentos que o BTTista vive. É verdadeiramente o BTT em estado de graça!


Finalmente, no final de Outubro fomos dar uma mãozinha ao José Neves da BTTour que precisava de alguns figurantes para uma entrevista que a TVI lhe foi fazer. Com esta excelente desculpa para mais um passeio, lá fomos uns quantos ajudá-lo para que a imagens ficassem mais bonitas com o pessoal todo a andar de bicicleta.

Apesar de tudo, estou certo de que a reportagem teria muito mais êxito se o Neves tivesse providenciado um grupo mais... atraente, como o que aqui apresento. Nada mau, hein? Estou certo de que aí sim, a reportagem seria um verdadeiro sucesso! Enfim, brincadeiras de BTTista...