E tudo o Bento lebou...
Blog de notas
30/06/2004
O muro infame
Israel está a levantar em toda a sua fronteira terrestre um muro destinado a isolar o seu território contra a ameaça que constituem os seus vizinhos.
É impossível não comparar este muro com o infame muro de Berlim, entretanto destruído em 1989. O muro de Berlim, vergonha maior de uma Europa dividida, tinha uma extensão total de 155 quilómetros e dividia as antigas RFA e RDA. Levantado em 1961, destinava-se a fechar a fronteira entre as duas Alemanhas. Com uma altura de 3,6 metros, dividia a cidade de Berlim em duas separando famílias, amigos e vizinhos durante mais de 28 anos. Começou a ser derrubado no dia 1 de Novembro de 1989 e, hoje em dia, foi totalmente derrubado excepto em determinados locais onde se manteve à laia de monumento para que não seja esquecida a infâmia.
Voltando ao muro de Israel, ele vai ter, quando concluído, um total de 650 quilómetros e uma altura de 8(!) metros (ver foto). Parece que os judeus esqueceram rapidamente todas as lições da Segunda Guerra Mundial e rapidamente passaram de vítimas a carrascos.
Como é possível que depois do sofrimento dos guetos aos quais foram circunscritos os judeus que eles repitam o mesmo tipo de tratamento aplicado aos árabes? Como é possível que um povo que foi vilmente torturado, torture actualmente quem muito bem quer e lhe apetece? É inegável que os judeus sofreram tremendamente com a Segunda Guerra Mundial, mas nada justifica os seus presentes actos.
Actualmente, levantam-se muitas dúvidas sobre o já famoso número de 6 milhões de judeus exterminados.
Um dos mais concisos e perturbantes relatórios é o Relatório Leuchter (1989) que tenta desmistificar de forma científica estes números. Segundo este engenheiro químico americano, após uma cuidadosa análise dos edifícios de Auschwitz onde alegadamente teriam sido exterminados com gás Zyklon B os judeus, não existem resíduos que remotamente comprovem este facto. Segundo a comunidade de engenheiros químicos em geral, se tivessem sido utilizadas as quantidades avassaladoras de gás necessário para matar várias centenas de milhar de pessoas, seria forçoso que ainda houvesse nesses edifícios resíduos dos produtos usados. Existem ainda investigações polacas (1990) que corroboram esta teoria de que em Auschwitz e Birkenau nunca foram utilizadas as enormes concentrações de Zyklon B nos edifícios identificados como as infames câmaras de gás.
Claro que o lobby judeu rapidamente se pôs em campo para negar todo o relatório tendo inclusivamente conseguido que o próprio Fred Leuchter tivesse sido despedido e perseguido pela influente comunidade judaica dos EUA, apontado como um neo-nazi, chegando mesmo a ser deportado de Inglaterra, aquando de uma visita, sob acusações de nazismo pela comunidade judaica local.
O que é um facto é que o estado de Israel já recebeu, desde 1949, mais de 46 mil milhões de euros de indemnizações do estado alemão e a exploração da mistificação dos seis milhões de mortos é tremendamente importante.
Israel é, actualmente, os mais nazi de todos os estados de direito existentes ao cimo da terra. Mata, invade, ameaça, rouba e tortura despudoradamente.
Ao fazê-lo, envergonha a memória de todos os judeus que morreram às mãos de assassinos como eles.
29/06/2004
Português?
Topem-me este artista a escrever em português(?):
"Viva sou um dos participantes do grupo Vertigo que organiza passeios gratuitos todos os fins de semana so (quando nao podemos) e com nosco a aventura e uma preuridade quem quizer participar nos inventos va ao site"
Palavras para quê... que bela escola temos! Sim, presumo que o rapazito tenha andado na escola como os outros!
Golpe de teatro
O Zé Manel foi convidado para Presidente da Comissão Europeia e aceitou. Isso quer dizer que, basicamente, vai abandonar a meio o projecto de Governo de Portugal por si encabeçado, numa demonstração preocupante de irresponsabilidade política. Depois de dois anos como sofrível primeiro-ministro de Portugal, sendo certo que o seu governo teve de tomar decisões muito difíceis para limpar o país dos escolhos do naufrágio socialista, parece-me irreal que se abandone um cargo tão importante como o da gestão dos destinos da nação perante este inqualificável convite da Comissão Europeia.
Inqualificável porque é difícil entender a forma despudorada como se convida para um cargo institucional um primeiro-ministro no activo que carrega sob os seus ombros a difícil tarefa da recuperação económica de um país que, finalmente, vislumbra pequeníssimos sinais de saída da crise em que se viu mergulhado. Na minha opinião, jogadas deste calibre desprestigiam a Comissão Europeia e demonstram claramente que lhes falta o mais básico senso comum em termos políticos.
Enfim, lá diz a máxima que “só faz falta quem cá está” e o Zé Manel demonstrou quais são as suas prioridades.
Portugal não está, claramente, no topo da lista.
Mal comparando é como a situação de José Camacho no Benfica. Depois de recuperar um Benfica moribundo, que é actualmente um clube menor e sem nenhuma dimensão futebolística senão a histórica, mesmo que com uma enorme ajuda do Sporting que fez o favor de perder os últimos quatro(!) jogos do campeonato, quando lhe acenaram com um cargo no poderoso e histórico Real Madrid passou-lhe logo todo e qualquer resquício de benfiquismo que tivesse no corpinho abalando velozmente para Madrid sem olhar para trás nem que fosse para se despedir.
A diferença é que os primeiros-ministros elegem-se e ficam por lá uma legislatura completa assumindo um compromisso político para com o eleitorado e os treinadores contratam-se e despedem-se como qualquer outro tipo de funcionário.
Para variar, o PS, qual virgem ofendida, reclama de imediato novas eleições. A esta posição não será alheio o facto de estar claramente à frente nas sondagens.
No entanto, mais uma vez demonstra ser um partido sem memória. Depois de Jorge Sampaio ter abandonado a Câmara Municipal de Lisboa para se candidatar a Presidente da República contra Cavaco Silva, não me recordo de o PS ter defendido que teria de haver novas eleições para legitimar a ascensão de João Soares a presidente da mais importante autarquia do país. João Soares havia sido eleito deputado para o parlamento europeu e regressou para assumir naturalmente a sucessão à presidência da câmara tendo o PS defendido veementemente essa situação. Ora, por que estranho motivo o PS passou a considerar ilegítimo que o partido que ganhou as legislativas de 2002 nomeie um novo primeiro-ministro tal como eles fizeram na Câmara Municipal de Lisboa em 1997? A falta de memória dos socialistas é francamente preocupante... Por outro lado, o Bloco de Esquerda também parece andar baralhado. Quando concorreu às eleições legislativas, concorreu com Francisco Louçã e Luís Fazenda. Não me lembro de que alguém tenha votado directamente em Ana Drago, Joana Amaral Dias, João Teixeira Lopes, Fernando Rosas ou em Alda de Sousa. No entanto, sempre que lhes dá na veneta lá vão trocando de cadeiras em São Bento a seu bel-prazer.
Guterres, de má memória, abandonou o cargo a grande velocidade depois de se ter apercebido de que arrastara o país perigosamente para a beira do desastre económico. O Zé Manel abandona o cargo convencido de que é prestigiante para Portugal ter um seu cidadão como Presidente da Comissão Europeia.
Para o Zé Manel é seguramente prestigiante.
Para Portugal, francamente, não estou bem a ver as vantagens.
Resta saber quem vai substituir o Zé Manel e rezar para que não deite por terra todo o difícil trabalho de recuperação que teve início há dois anos atrás.
24/06/2004
Nação valente e imortal
Hoje, o jogo dos quartos de final do Euro 2004 opôs Portugal à Inglaterra.
Foi um jogo de intenso sofrimento... Num falhanço incrível de Costinha logo aos 2 minutos, Michael Owen marca um golo absolutamente formidável! A rotação sempre a controlar o sentido da bola e o remate final definem a qualidade deste avançado inglês! Depois foi sofrer e massacrar os ingleses até ao minuto 86!!! Foi então que Hélder Postiga, a passe de Simão Sabrosa, pôs justiça no marcador e forçou o prolongamento.
Já no prolongamento, o golo de Rui Costa é de antologia! É um remate de fora da área com uma potência e colocação que tornaram impossível a defesa a David James! Depois, com o empate dos ingleses numa desatenção da defensiva lusa, vieram as grandes penalidades. No sétimo remate da série, Ricardo, sem luvas(!) segundo ele para desestabilizar Darius Vassel, defende o remate e, logo de seguida, toma o lugar oposto para marcar o penalty da vitória com um remate seco e colocado para a direita de James! Era indefensável, com a bola a entrar com força junto ao poste! Assim, Portugal avança de forma épica para a meias-finais do Euro 2004.
Que os deuses da fortuna nos acompanhem durante, pelo menos, mais dois jogos!
17/06/2004
Uma vitória de Pirro
Nas eleições Europeias o PS venceu de forma clara e inequívoca. No entanto, se procedermos a uma análise detalhada dos resultados, poderemos concluir que o estrondoso sucesso apregoado pelo PS e pela imprensa em geral, sempre pronta a agradar aos vencedores, não passa de uma Vitória de Pirro.
Em 1999 o PS teve um total de 1.493.146 votos, em 2004 teve 1.511.102. A diferença cifra-se no ganho de uns miseráveis 17.956 votos. Já no que concerne ao PSD/CDS-PP a diferença de votos foi mais preocupante. Em 1999 tinha tido um total de 1.361.595 votos e em 2004 tiveram um total de 1.129.065 votos, sendo a diferença negativa de 232.530 votos. Uma perda significativa.
Ora, não é preciso ser um génio da matemática para perceber que a esmagadora maioria dos votos que a coligação PSD/CDS-PP perdeu não foi parar ao PS. É por isso totalmente abusivo o PS armar-se em esmagador vitorioso da noite eleitoral. Não me parece que obter cerca de 18.000 votos adicionais seja um grande feito, sobretudo sabendo que o principal adversário perdeu mais de 230.000 votos. Parece-me óbvio que dos 212.000 votos que sobram, quem não quis votar no PSD/CDS-PP também não teve confiança suficiente no PS para votar nos seus candidatos.
A coligação CDU/PEV tinha conseguido 357.671 votos em 1999 e conseguiu 308.858 votos em 2004. Ou seja, esta coligação também perdeu um total de 48.813 votos. Apesar desta perda de quase 15%, o discurso dos comunistas foi absolutamente vitorioso, algo a que já estamos habituados. Felizmente, a camarada Ilda vai poder levar consigo um camarada companheiro para apoiar a sua tendência para a prosa interminável.
Mas então, se o PS ganhou 18.000 votos e o PSD/CDS-PP e a CDU perderam um total de 281.343 votos, para onde foram os votos?
É aqui que entra em cena o maior vencedor da noite. O BE teve um total de 61.920 votos em 1999 tendo conseguido 167.032 votos em 2004! É um ganho de 105.112 votos! Percentualmente são 270%! Este partido tem uma forte presença junto do eleitorado urbano jovem e, provavelmente, junto dos novos eleitores que, sendo a primeira vez que iam exercer o seu direito de voto, compreensivelmente não alinharam pela abtenção geral do país. Graças a esta performance, conseguiram eleger um deputado europeu pela primeira vez. Não há como ser um partido da moda que pouco faz e muito diz para embeiçar as massas.
Os restantes 158.275 votos devem ter-se perdido no aumento da abstenção.
Conclusão, o PS armou-se em retumbante vencedor da noite eleitoral mas conseguiu exactamente os mesmíssimos 12 deputados das eleições anteriores e ganhou a confiança de mais 18.000 eleitores num universo de 3.259.819 votantes. É um aumento de 0,6%!
O PSD, que tinha conseguido 9 deputados em 1999, foi o grande perdedor já que conseguiu apenas 7, tendo o CDS-PP sido um claro vencedor ao eleger os mesmos 2 de 1999. Por aqui se vê quem lucrou verdadeiramente com a coligação PSD/CDS-PP.
A CDU elegeu os mesmos 2 deputados e o BE conseguiu eleger 1 deputado que lhe havia escapado em 1999 e quase triplicou o número de votos expressos.
Finalmente, convém recordar que em 1999 havia um total de 25 deputados a eleger por Portugal e que em 2004 esse número foi reduzido para 24.
Gostaria que alguém me explicasse como é que se pode concluir a partir destes resultados que o PS teve uma estrondosa vitória eleitoral. A capacidade para a matemática do Guterres parece ter contaminado todo o aparelho Socialista, bem como a comunicação social.
Pirro foi rei de Épiro e da Macedónia. Invadiu o Império Romano pela Heracleia no Norte de Itália em 281 a.c. com um exército de 25.000 homens de infantaria, 3.000 de cavalaria e 20 elefantes, na época considerado poderosíssimo. No entanto, a vitória alcançada contra as forças romanas foi conseguida a grande custo e com enormes perdas. O seu exército foi de tal modo destroçado que Pirro teve mesmo de se retirar do Império Romano.
Quando felicitado pela vitória, afirmou “Outra vitória como esta e voltarei para Épiro sem um único homem” que deu origem à expressão Vitória de Pirro para descrever uma falsa vitória.
09/06/2004
A morte de um candidato
Hoje morreu o Prof. Sousa Franco. Morreu de um ataque cardíaco motivado, aparentemente, por uma inenarrável situação envolvendo o seu próprio partido. Consta que no concelho de Matosinhos existe uma acesa disputa entre dois caciques locais, Narciso Miranda e Manuel Seabra. Não sei exactamente quais são os contornos desta disputa. Sei apenas que hoje de manhã, naquela que seria mais uma acção de campanha, o cabeça de lista do PS foi à Lota de Matosinhos, acérrimo bastião socialista no Norte do país. Quando lá chegou, desenrolou-se, segundo a TSF, uma acesa "(...)troca de acusações e tentativa e agressão entre apoiantes do actual presidente da Câmara, Narciso Miranda, e o presidente da concelhia do PS de Matosinhos, Manuel Seabra".
A versão da SIC é que "O cabeça de lista do PS às eleições europeias estava sem óculos – e com a audição limitada, porque o aparelho auditivo que usa está integrado nos óculos – e sofreu vários apertões enquanto se ouviam gritos de "Seabra" ou "Narciso".
Quando saiu da lota, Sousa Franco garantiu aos seus acompanhantes ”que estava óptimo” quando lhe perguntaram se estava cansado, segundo António Costa. ”Estava bem disposto, entrou no carro e até vinha a dizer piadas sobre o presidente da Câmara de Matosinhos e sobre Manuel Seabra”, acrescentou o dirigente socialista, numa conversa informal com jornalistas."
Naturalmente que o candidato do PS ficou consternado com a situação. Depois de ser retirado do local pela cúpula de dirigentes socialistas, sentiu-se mal passados alguns minutos sofrendo um ataque cardíaco. Veio a falecer no hospital de Matosinhos minutos depois. O próprio Narciso Miranda sentiu-se mal e foi assistido no mesmo hospital.
Não gostava do político nem das suas acções que deixavam muito a desejar. No entanto, reconheço que seja uma perda difícil de suportar para os seus apoiantes e, sobretudo, para a sua família, tendo em conta as circunstâncias da sua morte.
Consta ainda que a pancadaria poderá ter sido premeditada. Se assim for, questiono-me se estes dois animais de Matosinhos vão conseguir dormir de consciência tranquila nos próximos tempos.
06/06/2004
A Camarada Ilda
In principio erat verbum, assim começa o Evangelho Segundo São João, extraído de um livro provavelmente pouco lido, porque excomungado pelo Comité Central, pela Camarada Ilda, essa inenarrável Eurodeputada pelas listas do Partido Comunista.
Ora, a Camarada Ilda conseguiu o feito assinalável de fazer 700 intervenções no Parlamento Europeu ao longo da última legislatura. Se fizermos uns simples cálculos matemáticos podemos concluir que se o ano tem 48 semanas de trabalho (52 menos as 4 de férias), totalizando 240 dias úteis, ao longo de 5 anos de mandato haverá cerca de 1.200 dias úteis. Ora 700 intervenções a dividir por 1.200 dias de trabalho dá a espantosa média de uma intervenção a cada 1,7 dias. Esta senhora tem quase uma intervenção no Parlamento Europeu a cada dois dias!
Sabendo que existe um total de 786 deputados, se cada deputado tivesse a infeliz ideia de ter uma veia para o discurso como a Camarada Ilda, teríamos tido um total de 700 intervenções vezes 786 Eurodeputados o que resultaria em 550.200 intervenções por legislatura no Parlamento Europeu. Ora, voltando aos dias úteis, 550.200 intervenções a dividir por 1.200 dias úteis dá o absurdo valor de 459 intervenções por dia, ou seja 66 intervenções por hora! Caramba! Que verve! Lá diz o povo na sua milenar sapiência que “Quem muito fala, pouco ou nada diz”.
Imagino as piadas de corredor sobre esta senhora em Estrasburgo. “Quem fala hoje no hemiciclo... para além da Camarada Ilda?” ou o comentário de um Eurodeputado que chega atrasado ao hemiciclo “A Camarada Ilda já falou?”. Em homenagem à Camarada Ilda, faço daqui um repto ao Presidente do Parlamento Europeu para que institua, ad aeternum no período antes da Ordem do dia, o Período da Camarada Ilda.
Já todos conhecíamos a propensão dos comunistas para o discurso tipo cassete. A Camarada Ilda está apenas a elevá-lo a limites nunca antes atingidos pelos comuns mortais.
04/06/2004
O camaleão rosa e a "ponte" da discórdia
Durante este dois últimos dias, assistimos a uma rábula que ilustra bem os politiqueiros que pululam por este país. Os políticos portugueses já se aperceberam há algum tempo de que não conseguem mobilizar as massas por aí além. Na realidade, estão genuinamente preocupados com o assunto. Na minha opinião, há vários motivos para este óbvio alheamento da realidade eleitoral por parte dos eleitores. Por um lado, a consolidação efectiva da democracia tem este efeito pernicioso. Por outro, o descrédito que nutrimos pela classe política atingiu níveis recorde.
No entanto, este descrédito não surgiu do nada. Volto a afirmar que acho francamente difícil uma pessoa actualmente reger-se por uma ideologia única de forma cega e militante. Seja ela qual for. Na generalidade, todas as ideologias políticas têm falhas graves, muito graves ou inaceitáveis. Nenhuma está isenta destes problemas.
As extremas, esquerda e direita, são basicamente infelizes, curtas de ideias e desagradáveis.
Parece difícil ser-se um comunista militante sabendo que todos os regimes comunistas que existiram ou ainda existem no mundo são autoritários, perseguem as pessoas pelas suas ideias ou reduzem-nas a perigosas nulidades.
Infelizmente, o socialismo tal como foi concebido por Marx e Engels era realmente lindo no papel mas revelou-se muito feio nas mãos de quem o implementou por esse mundo fora.
A social-democracia do norte da Europa sempre era um sistema mais equilibrado e, juntamente com o capitalismo, com todos os seus enormes defeitos, parece ser o sistema mais aceitável.
Não gosto de políticos, não gosto de política, não gosto de partidos políticos. Não gosto porque se hoje dizem algo que nos agrada, amanhã sei que dirão algo que nos desagradará profundamente. Se hoje fazem algo correcto, amanhã farão algo extremamente incorrecto. Conclusão, para mim os partidos estão actualmente mais alicerçados nas pessoas que os comandam do que nunca.
Vem esta prosa toda a propósito de uma rábula que surgiu nestes últimos dias por causa de uma ponte. O António Costa do PS, disse ontem que se o governo PSD/PP desse a ponte do dia 10 de Junho, o faria com o intuito de fomentar a abstenção nas eleições Europeias desse fim-de-semana. Notem que o governo nunca falou em dar ponte nenhuma. Aliás, no malfadado tempo do Guterres, que felizmente já lá vai, havia uma teoria vigente no PS sobre “direitos adquiridos no que concerne a pontes”, Guterres dixit. Bem sei que na altura, Guterres tremia que nem varas verdes ao recordar o célebre episódio da ponte do Carnaval que se havia passado em 1993 com Cavaco Silva. Cavaco Silva não deu nesse ano a habitual ponte resultante da Terça-feira de Carnaval e caiu o Carmo e a Trindade. Ele foi jornais, analistas políticos e a oposição em peso a dar-lhe na cabeça e um trambolhão nas sondagens verdadeiramente notório. Ora o camarada Guterres, que tinha um medo que se pelava desse tipo de confrontos, deu a ponte antes das eleições Europeias de 13 de Junho de 1999 e nem piou.
Pois agora, o governo nem chegou a falar em dar ou não a ponte do 10 de Junho antes das eleições. Numa notável jogada de antecipação, António Costa, esse verdadeiro arrivista político das fileiras do PS, veio dizer que o Governo não devia dar a hipotética ponte porque estaria a fomentar a abstenção para prejudicar os resultados eleitorais da oposição.
Ora esta prosa enferma de vários erros e incorrecções. A saber:
1. O governo nunca disse que ia dar a ponte. O PS afirma saber de fonte segura (naturalmente...) que o governo se preparava, às escondidinhas, para dar a ponte.
2. Historicamente, a abstenção em Portugal favoreceu sempre a esquerda e nunca a direita.
3. O próprio PS em 1999 deu a ponte antes das Europeias da época. Na altura pareceu-lhe certo, agora já não parece. Desse governo, fazia parte um inútil e incompetente Ministro da Justiça chamado... António Costa. Felizmente para ele, a actual Ministra da Justiça, Celeste Cardona, está quase a roubar-lhe o ceptro de Campeão da Incompetência num governo da nação.
Ora ontem, o Durão Barroso, que é tão parvinho para uma coisas, disse, e quanto a mim muito bem, que não só nunca tal coisa lhe havia passado pela cabeça, como dizia desde já que não estava aprovada ponte nenhuma para esse fim-de-semana. Ponto final na conversa. Vinte valores para esta actuação do nosso habitualmente titubeante primeiro-ministro. Basicamente, os camaradas socialistas ficaram a zurrar para os céus e, como bem sabemos, as vozes de burro não chegam lá acima.
Mas esperem, ainda falta a pièce de résistance!
Ora hoje, o inefável António Costa veio afirmar que, e passo a citar, «Não é grave que o Governo tome essa decisão. É grave que as pessoas não votem. Por isso dizemos: as pessoas que gozem legitimamente a oportunidade que têm de descansar, mas não se esqueçam que há eleições. Gozem o fim-de-semana, mas votem».
Portanto, «Eles eram maus e iam dar uma ponte às escondidas para nos lixar, mas como são muito maquiavélicos mudaram de ideias também às escondidas. Ha-Ha!! Afinal não há ponte mas isso é bom, em 1999 nós dávamos as pontes mas eles como são mais que maus não as podem dar! Ai não dão? Então está bem, fiquem lá com a vossa ponte, mas deixem as pessoas ir votar no gozo pleno do vosso fim-de-semana.»
Confuso? Ponham confuso nisso!
Verdade seja dita que este governo é muito fraquinho.
No entanto, felizmente tem tido uma ajuda fantástica para governar graças à actuação miserável do PS, o maior partido da oposição.
Também, não podemos esperar muito de um partido que escolheu como cabeça de lista para as eleições Europeias o Prof. Sousa Franco. Este ilustre senhor, foi Ministro das Finanças do primeiro governo de Guterres em 1995. Dono de um temperamento verdadeiramente contra-indicado para a política, é um homem irascível e dotado de um feitio insuportável, saiu do governo de Guterres furibundo, bateu com a porta com muita força e afirmou na altura que aquele governo era, e passo a citar o senhor professor, “o pior governo de Portugal desde o tempo de D. Maria I”.
D. Maria I, cujo cognome inicial foi "A Piedosa", era filha de D. José I e de Dona Maria Ana Vitória de Bourbon e foi rainha de Portugal entre 1779 e 1799, sendo que durante o período de 1792 até 1799 a regência esteve a cargo do futuro rei D. João VI em virtude da grave doença da mãe. Detestava Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, desde o tempo do processo dos Távora durante o qual havia perseguido inúmeros amigos próximos da família real. Ficou a odiá-lo ainda mais quando este tentou que abdicasse em favor do seu próprio primogénito, D. José, aquando da morte do pai. Profundamente religiosa, apressou-se a restaurar a influência e poder dos Jesuítas. Foi a grande instigadora de um vasto processo contra o agora caído em desgraça Marquês de Pombal e retirou-lhe todos os cargos. Dona Maria nunca perdoou ao ministro nascido plebeu a perseguição movida à família Távora, aos Jesuítas, que eram os históricos ministros religiosos e confessores dos nobres, e à alta nobreza em geral. Inicialmente, a rainha pretendia uma destruição total e inequívoca de Sebastião José. No entanto, ao longo do processo começou a aperceber-se de que o nome de seu pai seria arrastado pela lama como um rei fraco e dominado pela influência do seu todo-poderoso ministro. Além disso, se tinha havido perseguição aos Távora e à alta nobreza, essa perseguição havia sido patrocinada por seu pai na sequência de uma tentativa de regicídio e ir contra todos os seus decretos régios agora, seria desautorizá-lo depois de morto. Confrontada com a necessidade de preservar o bom nome de D. José I e de não o contrariar depois de falecido, a rainha viu-se forçada, ao arrepio da vontade influente da alta nobreza, dos recém-revigorados Jesuítas e da sua própria vontade, a condenar Sebastião José de forma bem mais comedida do que todos teriam gostado, tendo inclusive Sebastião José conservado os seus honorários enquanto Ministro de Estado até à sua morte. Apesar disso, a rainha ordenou que o Marquês se resguardasse sempre a uma distância de pelo menos 20 milhas de si. Se estivesse previsto que ela passasse em viagem por uma das suas propriedades, Sebastião José era compelido, por decreto régio, a afastar-se da sua própria casa. D. Maria I terá alegadamente sofrido de ataques de raiva só de ouvir pronunciar o nome do antigo Ministro de Estado de seu pai.
O Governo de D. Maria I fica conhecido como A Viradeira, pois ela adopta inúmeras medidas que contrariavam as rígidas medidas pombalinas. Ela vetou e propôs medidas contrárias para, por exemplo, beneficiar a Inglaterra, que tanto trabalho dera a Sebastião José contrariar. Socialmente teve inúmeras realizações de mérito como, por exemplo, a criação da Real Academia de Ciências, do Colégio Militar (a pedido de seu filho D. José), da instituição da Lotaria Nacional ou da criação do Colégio Casa Pia. Durante o seu reinado começou a construir-se a Basílica da Estrela. Foi oficialmente declarada louca em 1792, tendo passado à história com o cognome “A Louca”.
Voltando aos tempos modernos, se este grupo de ilustres socialistas era tão mau governo, como pode o Prof. Sousa Franco juntar-se a esta pandilha para ser eleito e conviver com eles no Parlamento Europeu? Caramba, que falta de espinha...







