26/07/2004


Incêndio na Arrábida

Ontem deflagrou um incêndio em pleno Parque Natural da Serra da Arrábida. O incêndio lavra nas encostas Sul da serra, nas proximidades do Vale da Rasca e da Ribeira da Comenda. Precisamente onde estão localizados alguns dos melhores trilhos que percorremos todos os fins-de-semana. Claro que conhecendo bem os trilhos por onde já passei tantas vezes de bicicleta, compreendo perfeitamente as dificuldades sentidas pelos bombeiros para atingirem aquelas zonas da serra com equipamento de combate a incêndios. Até de bicicleta é apertado, quanto mais de autotanque... Na próxima saída, havemos de ver o estado em que ficaram as encostas e os trilhos.

Temo que não tenham ficado lá muito bem.

Felizmente não houve, até ao momento, perdas humanas a lamentar, mas já arderam mais de 700 Ha do Parque Natural da Serra da Arrábida, sendo as perdas em termos ecológicos ainda difíceis de quantificar.

Urge descobrir uma forma de combater rápida e eficazmente estes incêndios florestais de grandes dimensões. Os métodos actualmente utilizados estão perfeitamente desajustados face às dimensões da catástrofe em causa. No fundo, continuamos a apagar incêndios florestais como fazíamos há 100 anos atrás: atirando-lhes com maior ou menor quantidade de água para cima.

A humanidade e a Natureza agradecem uma invenção verdadeiramente inovadora para debelar este flagelo!



25/07/2004



6 x Armstrong = Campeão Total

Lance Armstrong mudou para sempre a história e a matemática do Tour de France. Não só o venceu seis vezes, constituindo por si só um recorde em número de vitórias, como o fez em seis anos consecutivos! A receita parece ser francamente simples: ter uma equipa muito sólida, ser um trepador inalcançável e, finalmente, ser um contra-relogista verdadeiramente superior. Assim é Lance Armstrong.

Estes parecem ser os tempos para destruir os grandes mitos desportivos de todo o sempre. Dizia-se que seria praticamente impossível bater o recorde de Miguel Indurain no Tour ou o de Juan Manuel Fangio na Fórmula 1. Se o de Indurain já caiu, Michael Schumacher já vai a caminho do sétimo título mundial de Fórmula 1. Ainda me lembro de quando se dizia que o recorde de cinco títulos do eterno argentino jamais seria batido.

Última nota de destaque no Tour de 2004 para a prestação do único português presente. Integrado na equipa US Postal do campeão Lance Armstrong, José Azevedo conseguiu um óptimo quinto lugar na classificação geral, tendo prestado um importante contributo para a táctica da equipa que permitiu a Lance vencer a sua sexta Grande Boucle. E Lance já deixou entender que para o ano irá tentar a sétima vitória... os adversários que treinem muito.

13/07/2004


Tour 2004, foi quase...

Hoje, no Tour de France, na etapa entre Saint-Léonard-de-Noblat e Guéret, houve uma fuga de dois ciclistas que durou desde o quilómetro 38 até quase à meta no quilómetro 160. Digo até quase à meta porque a 25 metros desta os dois inglórios fugitivos deixaram-se apanhar por um pelotão que os perseguia desembestado. Vejam bem como uma etapa de 160 km, que decorreu ao longo de mais de três horas e meia, foi resolvida com recurso ao photofinish. Espantoso!

07/07/2004


Tour de Armstrong 2004

Começou no dia 3 de Julho a edição de 2004 do Tour de France. Nesta prova mítica do ciclismo mundial, o norte-americano Lance Armstrong vai tentar a sexta(!) vitória consecutiva. Se o conseguir, estabelecerá um novo recorde de vitórias consecutivas no Tour, depois de no ano passado ter igualado a prestação do espanhol Miguel Indurain que tinha conseguido cinco triunfos consecutivos entre 1991 e 1995.

Lance Armstrong vai então tentar a sexta vitória consecutiva já que venceu todas as edições desde 1999 a 2003. Hoje correu-se o primeiro contra-relógio por equipas entre Cambrai e Arras. A US Postal, equipa de Lance Armstrong, foi a grande vencedora averbando um tempo de 01H 12M 03S para percorrer os 64,5 km da etapa. Fazendo as contas isto dá uma incrível média horária de 54 km/h!!! Ainda por cima, cerca de um terço dos quase 65 km foi feito sob chuva e, em algumas zonas, sobre paralelepípedo.

Naturalmente que ele utiliza uma bicleta revolucionária, embora apenas isso não justifique em nada o seu andamento. Aliás, ele tem um livro com um título que ilustra bem esta afirmação: It's not about the bike. Armstrong faz a prova numa Trek Madone SSL. O quadro é integralmente em fibra de carbono e pesa uns meros 6,8 kg, tendo a bicicleta um peso total próximo dos 10 kg! A minha bicicleta pesa 12,8 kg... quase mais três quilos.

É espantoso o ritmo que estes atletas imprimem sobre as bicicletas. Fica sempre a dúvida sobre se são realmente super-atletas ou se estão apenas fortemente dopados. A teoria reinante é esta última hipótese. Segundo consta, recorrem a verdadeiros requintes de malvadez como, por exemplo, auto-transfusões sanguíneas para aumentar o número de eritrócitos e, consequentemente, a sua capacidade aeróbia.

Há que impedir o doping não só para assegurar a verdade desportiva, mas também, e sobretudo, para proteger a integridade física dos atletas. Por exemplo, a Eritropoietina (EPO), muito usada actualmente no doping por ser de secreção natural no homem e de difícil detecção enquanto doping, é uma hormona que aumenta entre 7 a 10% a produção de eritócitos. No entanto, pode ter como efeito secundário a hemólise dos eritrócitos ou a destruição de órgãos importantes para a produção de eritrócitos como sejam a medula óssea ou os próprios rins. Algo de verdadeiramente desagradável.

Enfim, vamos seguindo as aventuras do Tour 2004 esperando pela sempre mítica subida de l'Alpe d'Huez.

05/07/2004


Uma tragédia grega

A Grécia ganhou a final do Euro 2004 contra Portugal por 1-0 tendo marcado o golo no único canto que ganhou em toda a partida. A táctica dos gregos até foi simples: nove homens a defender permanentemente, pouquíssimos ataques, apenas quatro, e um golo solitário marcado na sequência de uma bola parada. Os gregos ganharam com mérito porque o paradigma do futebol é que não ganha quem joga melhor mas sim quem marca mais golos e joga melhor quem marca mais golos. Parabéns ao gregos que, nesta final, foram superiores aos portugueses. Infelizmente, foi uma vitória do futebol cínico sobre o futebol espectáculo.

Agora, temos de analisar os erros cometidos e corrigi-los para que não se repitam no futuro. Não gostei das opções de Scolari. Ele tinha trabalhado pouco com a equipa e descobriu-a praticamente por acaso no segundo jogo do Europeu, após a derrota com estes mesmos gregos. Custa-me entender como é que, tendo os gregos apresentando exactamente a mesma táctica que haviam utilizado no primeiro jogo contra nós, a selecção portuguesa não conseguiu dar uma resposta eficaz para contrariar o seu jogo ultra-defensivo. Se eu estiver a jogar xadrez com outra pessoa e essa pessoa utilizar uma determinada estratégia para me derrotar, é minha obrigação estudá-la para que, se essa pessoa a tentar utilizar novamente, eu esteja devidamente preparado para a contrariar. Ora Otto Rehhagel utilizou exactamente a mesmíssima táctica, na realidade não tem equipa para mais, e voltou a derrotar Scolari.

Aqui, quem falhou foi claramente Luis Felipe Scolari. Na realidade, ele teria muita dificuldade em mudar radicalmente de táctica, sobretudo se tivermos em linha de conta que ele apenas tinha descoberto como jogar com esta equipa há quatro jogos atrás, precisamente depois da derrota com esta mesma Grécia! É pouco provável que tivesse tido tempo para ensaiar muitas mais tácticas.

A Grécia apresentou em todos os jogos exactamente o mesmo modelo italiano de jogo, a saber: nove homens na área a defender com unhas e dentes e um médio e um avançado para explorar as fragilidades defesivas de um adversário que eles obrigam a balancear-se em demasia para o ataque.

Com o adversário a apresentar uma táctica ultra-defensiva, não percebo por que motivo jogou o Pauleta de início (em baixo de forma e francamente desmotivado), sobretudo sabendo que os gregos iam defender com nove homens ele nem sequer serviu para fixar os centrais lá atrás. Deco teve um jogo para esquecer, Maniche só se viu em apenas um remate ameaçador e cada vez que Cristiano Ronaldo tentava um daqueles seus raids era pernas por todo o lado. Apenas Figo tentou, e pouco, levar a equipa às costas rumo ao golo da empate. O golo dos gregos surge novamente numa desatenção defensiva de Costinha. Na marcação do único canto de que dispuseram ao longo de todo o jogo, Charisteas consegue cabecear à vontade na pequena área. Se nos lembrarmos de que no FC Porto o Costinha é insuperável neste tipo de lances, fica a sensação de que podia, e devia, ter feito bem mais.

Pelo lado positivo, a organização foi excelente, conseguimos atingir a final, a segurança não falhou (houve pouca ou nenhuma violência, apenas houve problemas com os ingleses em Albufeira mas isso já é, infelizmente, habitual neste povo) e o acolhimento foi, na opinião da esmagadora maioria dos estrangeiros, de altíssima qualidade. Sabemos agora que temos capacidade para organizar qualquer outro tipo de evento de grandes dimensões como, por exemplo, um Campeonato do Mundo de Futebol ou uns Jogos Olímpicos. A mobilização do país em redor da selecção foi formidável e a viagem entre a Academia Sporting em Alcochete e o Estádio da Luz teve mesmo contornos épicos.

Outro factor importante é que foi feita a transição entre a equipa da chamada geração de oiro de Rui Costa, Figo e companhia, para a nova geração de jogadores. Este tipo de transição nem sempre é fácil, veja-se o exemplo francês. Com isto, cimentou-se a renovação da equipa e penso esta nova geração de jogadores nos dá algumas garantias de que poderemos fazer uma boa campanha para o Mundial de 2006. Veremos...

Perdemos na final. No entanto, custa ainda mais ficar com esta sensação de que a equipa não fez tudo o que estava ao seu alcance tendo perdido com uma equipa cínica, sem brilho nem carisma.

Com um palmarés de dois quartos de final, uma meia final e uma final em que saímos sempre derrotados, começamos a parecer uns eternos vencidos.

Agora, desportivamente as atenções já estão centradas nos Jogos Olímpicos de Atenas.

Boa sorte, Portugal!

02/07/2004

Porquê as Variações de Goldberg

Porquê este nome para a opus majoris para cravo do grande mestre Johann Sebastian Bach? O título original era longo mas elucidativo:
Exercícios para teclado, consistindo numa Ária com diferentes Variações para cravo com dois teclados. Obra para ser desfrutada pelos amantes da música por Johann Sebastian Bach.

A obra destinava-se ao Conde Kaiserling, embaixador russo e cravista na corte da Saxónia. O conde tinha uma saúde muito frágil e apreciava, nas noites em que não conseguia repousar com dores, ouvir tocar música para se abster da sua doença. Ainda estávamos muito longe da descoberta dos actuais analgésicos. Foi por isso que pediu a Bach que lhe compusesse música suave e alegre que o distraísse das suas dores.

Johann Gottlieb Goldberg, de apenas 15 anos, era aluno de Bach e funcionário do Conde Kaiserling. Foi ele o primeiro intérprete dos estudos para cravo e passou à posteridade emprestando o seu nome à mais longa e importante obra para cravo escrita em todo o período Barroco.



A Coudelaria de Alter contra a Carpintaria de Tróia

A expressão já está gasta, mas aconteceu futebol na outra meia-final do Euro2004.

A Grécia não jogou pevide e apenas tentou, e conseguiu, aguentar uma República Checa que carregou durante 90 minutos, sem resultados práticos.

Com o inamovível empate, veio o inevitável prolongamento com o esquema do Golo de Prata. Foi então que, no último minuto da primeira parte do prolongamento, a Grécia ganhou um canto e conseguiu marcar o Golo de Prata, passando à final.

Estou firmemente convencido de que vamos ganhar à Grécia e nos vamos sagrar Campeões Europeus!

O ilustre Cavalo Lusitano da Coudelaria de Alter, com a chancela de qualidade dos melhores produtos da Mãe Natureza, vai seguramente derrotar o traiçoeiro Cavalo de Tróia, obra de meros carpinteiros gregos.

Afinal de contas, o truque do Cavalo de Tróia nunca resultaria uma segunda vez. Agora que estamos avisados, vamos para cima deles com tudo o que temos, esmagando-os sem apelo nem agravo.

Que os Deuses do futebol estejam connosco e nos acompanhem nesta viagem final com destino à glória futebolística no Euro2004!

01/07/2004


O centauro de S. Martinho de Candoso

Hoje de manhã, ao ler o pasquim Correio da Manhã enquanto tomava café, deparei-me com esta insólita notícia. Não haja dúvidas de que ele há malucos para tudo...

HOMEM VIOLOU DUAS ÉGUAS
Duas éguas de competição foram alegadamente violadas num hipódromo existente em S. Martinho de Candoso, concelho de Guimarães.

As éguas violadas têm três anos e são puro sangue inglês
A insólita situação ocorreu no passado domingo, mas só foi detectada ao final da tarde, quando alguns utilizadores do hipódromo se aperceberam da permanência de um estranho nas instalações.

“Quando o confrontaram, ele respondeu que tinha ido apreciar os cavalos. Só mais tarde é que os funcionários descobriram sangue nas paredes e encontraram duas éguas num estado lastimável”, disse ao CM Carmo Oliveira, proprietário do hipódromo, sublinhando que “o exame efectuado pelo veterinário confirmou que havia indícios de intervenção humana e que a violação havia sido perpetrada com um braço.

O intruso, que depois foi reconhecido pelo proprietário do hipódromo como um trolha que em tempos trabalhara na construção das instalações, foi posteriormente identificado pela GNR e acabou por confessar a autoria das agressões.

Chocado com tal brutalidade, Carmo Oliveira diz que para já, as éguas estão afastadas da competição para serem devidamente tratadas, mas teme que não voltem a servir para reprodução.


Příští zastávka*: Final do Euro2004

Portugal defrontou a Holanda (ou terá sido os Países Baixos) nas meias-finais do Euro2004 e ganhou por 2-1.

Estamos na final!

O resultado é um pouco enganador já que dominámos o jogo por completo. Primeiro marcou Cristiano Ronaldo aos 26 minutos no seguimento da marcação de um pontapé de canto por Deco. Completamente solto, surgiu na pequena área sem marcação nenhuma a cabecear para a baliza de forma imparável, perante o total desespero de Van der Saar (ver foto).

Ainda antes do intervalo, Figo tem um remate fantástico ao poste esquerdo da baliza de Van der Saar que bem merecia ter resultado em golo.

Depois, aos 58 minutos Maniche com um espantoso remate junto à quina direita da grande área disparou um remate que descreveu uma curva tal que a bola só parou já do lado de dentro do poste esquerdo da baliza holandesa. Que golo assombroso! É um sério candidato a golo do torneio.

Foi uma emoção muito grande obter uma tranquilizadora vantagem por 2-0. Depois, ainda tivemos tempo para marcar mais um golo... só que na própria baliza, por Jorge Andrade aos 53 minutos. Sentindo o Van Nistelrooy nas costas tentou fazer um corte um pouco acrobático que resultou num excelente chapéu ao seu próprio guarda-redes.

Comparado com o jogo com Inglaterra, este jogo foi bem mais fácil já que dominámos quase sempre. Se não fosse o auto-golo penso que poderíamos mesmo ter obtido uma goleada histórica.

Agora falta a final. Se a lógica imperar, será contra a República Checa. No entanto, a Grécia ainda tem uma palavra a dizer.

* Expressão em checo repetida continuamente em todos os transportes públicos de Praga que significa Próxima paragem