27/09/2004

Um «passeio» de 21.097 metros pela zona oriental de Lisboa



No dia 26, às 10:30, lá estive na partida para a Meia Maratona de Portugal de 2004. A prova contou com cerca de 2400 participantes na Meia Maratona e cerca de 13.000 na Mini Maratona. Foi a minha primeira participação nesta prova. O percurso desta prova por comparação com a Meia Maratona de Lisboa é muitíssimo mais exigente. Trata-se de uma prova toda feita de subidas e descidas, resultando num percurso bem mais duro que o da Meia Maratona da Ponte 25 de Abril. Eu achava que a prova tinha duas grandes subidas de respeito, mas estava enganado. A prova é toda ela feita aos altos e baixos, com subidas intensas. Para dificultar ainda mais as coisas, estava calor. Voltei a encontrar o Pedro Marinho antes da partida, no meio de milhares de pessoas sem termos combinado nada nem procurarmos um pelo outro. É uma espécie de Lei de Murphy pela positiva: Se tiverem de se encontrar, encontrar-se-ão!


Imagem da partida sobre a Ponte Vasco da Gama

Pensei que conseguiria fazer um tempo próximo das 2 horas e 10 minutos, mas fui demasiado optimista. Consegui fazer 2:17:54. Infelizmente, fiquei um pouco aquém do objectivo traçado que era ficar próximo de um tempo de 2:10:00. Quase não tive problemas de pontada abdominal, para o que deve ter contribuído ter corrido de uma forma mais defensiva. Enfim, apesar de tudo lá consegui retirar mais de dois minutos à minha melhor marca para a meia maratona.

A prova começa logo com a subida para o tabuleiro da Ponte Vasco da gama que deve ter quase 3 quilómetros. Não é uma subida muito pronunciada, mas é muito longa. Depois, saímos da Vasco da Gama para o IC2 no sentido de Moscavide correndo no sentido contrário ao trânsito. Após cerca de 1 km, surge um viaduto que tem uma subida e descidas pronunciadas. Sendo imediatamente antes do ponto de viragem, é feito nos dois sentidos valendo por duas subidas e duas descidas. Já na Av. Infante D. Henrique temos mais uma subida até chegarmos ao túnel sob a praça José Queirós. Aí, saímos na primeira à direita para uma subida pronunciada pela Av. Dr. Alfredo Bensaúde até uma rotunda, onde viramos à esquerda a 180º em direcção à Praça José Queirós. Andamos pelos Olivais para cima e para baixo, passamos junto ao Complexo Desportivo das Piscinas dos Olivais e voltamos a subir até virarmos à esquerda para a Av. de Berlim. Aí, temos uma longa descida pela Av. de Berlim abaixo onde estabeleci o meu quilómetro mais rápido (05’ 46’’), que termina quando chegamos à Gare do Oriente. Viramos à direita na Av. D. João II no sentido da Rotunda do Príncipe Perfeito. Na rotunda descrevemos 180º e percorremos toda a Av. D. João II no sentido contrário, com uma passagem inferior sob a Rotunda D. Manuel I e ainda outra passagem inferior antes de chegarmos à rotunda da Ford. Todos estes cruzamentos desnivelados têm descidas e, sobretudo, subidas pronunciadas, que custam muito quando já levamos 16 ou 17 km nas pernas. Finalmente, entramos na Alameda dos Oceanos onde já conseguimos vislumbrar a meta a cerca de 1 km. Para apimentar a parte final da prova, esta avenida é toda feita sobre uns paralelepípedos extremamente desconfortáveis que parecem agulhas a entrar pelos pés a dentro.


Na zona da meta

Acabei a prova sem me sentir muito cansado. Durante a parte final da prova ultrapassei vários outros corredores. No entanto, foi apenas ao analisar a folha oficial de tempos da prova que constatei que no final ultrapassei 37(!) corredores que tinham passado à minha frente no ponto de cronometragem intermédio, tendo sido apenas ultrapassado por 11 atletas.


À chegada em frente à pala do Pavilhão de Portugal

Preciso de resolver a quebra acentuada que continuo a ter após os 10 km. Tenho de estudar como posso treinar para colmatar esta falha. Vou também treinar para tentar correr os 10 km num tempo mais próximo dos 50 minutos. Actualmente, o meu recorde pessoal para o quilómetro são 5' 10'', por isso afigura-se como uma tarefa bem difícil.
Em Outubro vou participar na Corrida para a Saúde Mental a convite do Nando e estou a ponderar se vou participar nos 20 km de Almeirim.

A propósito de Nando, registo para o facto de ter voltado a correr 18 meses após o seu grave atropelamento na Av. da República. Tendo em conta as sequelas resultantes do acidente, é muito bom vê-lo novamente a correr sem dificuldades de maior. Ainda me lembro da sensação de libertação quando finalmente conseguimos voltar a fazer as coisas mais banais. É como se tivéssemos andando durante meses com as mãos presas dentro dos bolsos e agora andássemos feitos tontinhos aos pulos e a abanar os braços por cima da cabeça só pelo simples facto de conseguirmos fazê-lo.

Para a história, a prova foi ganha pelo queniano William Kiplagat com um tempo de 1:01:38, conseguindo bater o recorde da prova por 2 segundos. Os 9(!) primeiros classificados foram atletas quenianos, sendo o 10º classificado Hermano Ferreira, o melhor português e não-queniano da prova.