17/11/2004

Iraque vs. Vietname



Uau... parecia um filme americano!

Parecia, mas era outra coisa.

As imagens de um crime de guerra a ser cometido por um marine norte-americano lembravam um daqueles filmes de guerra americanos em que se mata primeiro e se pergunta depois.

Lembravam, mas era outra coisa.

Os comentários dos soldados traziam de volta filmes como o Rambo ou o Comando em que eles diziam «É pá! O gajo mexeu-se, pá! Dá-lhe que aquele ferido não está morto, pá!"

Traziam, mas era outra coisa.

Foi igualzinho ao Robert Duval, no Apocalypse Now a dizer «I like the smell of Napalm in the morning. It smells like... victory» quando o outro se chega ao pé do ferido, desarmado, lhe dispara um tiro na cabeça e comenta «Agora é que está mesmo morto, pá!»

Foi igual, mas era outra coisa.

Era a guerra boa do Iraque!
Era a guerra da coligação da paz do Iraque!
Era a guerra da democracia do Iraque!
Era a guerra para libertar o Iraque!



As imagens foram gravadas por um fotógrafo freelance que acompanhava as tropas. Aliás, o soldado em causa parece ter-se alheado da presença do fotógrafo, pois nem assim hesitou em matar o ferido iraquiano. Imagino o que farão sem imprensa nehuma por perto!

Conclusão, contrariando tudo aquilo que a propaganda americana nos pretende fazer acreditar, a guerra no Iraque é tão suja como foi o Vietname, tão violenta como foi o Vietname, tão cruel como foi o Vietname.

Sim, a guerra do Iraque é tão estúpida e inútil como foi o Vietname. E já agora, caso ainda houvesse dúvidas, também estamos a aprender novamente que não há guerras boas, não há soldados bons e não há feridos que mereçam morrer. Esta guerra só é infinitamente mais preocupante do que a do Vietname porque o Iraque tem uma enorme percentagem do petróleo mundial no seu subsolo. No Vietname não havia nada economicamente fundamental para a sociedade ocidental. No Iraque há! Por isso, as consequências desta guerra são infinitamente mais precupantes do que foram as do Vietname.

Quando será que os broncos dos americanos vão perceber isso? Provavelmente, quando for tarde demais, como foi no Vietname!

11/11/2004

Haverá um Novo Rumo para a Palestina?



Morreu Yasser Arafat. Foi um homem que lutou firmemente pelas suas convicções e só por isso merece o nosso respeito. Infelizmente, nunca chegou a ver concretizado o sonho de uma Palestina livre e independente.

Espero que isto abra uma nova janela de esperança para que seja encontrada a solução para o problema palestiniano.

Já não há inocentes nesta história e todos sem excepção, desde os palestinianos aos israelitas, sofrem muito com as consequências do problema palestiniano.

10/11/2004

A Rota das Fontes


Uma subida comigo em pleno esforço (cliquem para ampliar)

No dia 7, participei em mais um passeio BTT do BTTour, desta vez sem companhia. O passeio desenrolou-se na zona de São João das Lampas, na zona Norte do concelho de Sintra e no coração do Parque Natural de Sintra-Cascais. Tratava-se de um passeio de grau de dificuldade intermédio e bem longe da dificuldade dos Trilhos da Pedra Branca, desenrolado na Serra de Aire e Candeeiros.

Éramos 68 BTTistas e como havia poucos inscritos no nível três (o dos profissionais), criou-se um grupo do nível dois mais rápido, do nível dois menos rápido e do nível um. Fiquei incorporado no nível dois mais rápido, o da frente. Claro que era quase sempre o último deste nível, mas, apesar de tudo, consegui acompanhar o ritmo deles. O mote do passeio residia nas fontes, mas confesso que até lhes prestei pouca atenção dado que havia que pedalar para acompanhar o ritmo do grupo. Passámos por treze fontes, fontanários e bicas.

Assim que começámos a rolar, damos de caras com uma parte do trilho que tinha acabado de ser arado nem há 15 minutos! Resultado, tudo a saltar das bicicletas e passar o terreno arado a pé.


Sim, é difícil pedalar em terrenos recém-arados... ©BTTour

Quando chegámos ao Alto da Cabreira, começámos uma descida para uma pequena Ponte Romana. A descida até esta ponte, que é o que resta de uma antiquíssima Calçada Romana construída há mais de 2000 anos, levava-nos a atravessar a Ribeira de Bolelas.


Descida em calçada romana

Esta é uma descida muito curta, de apenas 100 metros, mas também uma das mais sinuosas e técnicas deste passeio, dado o estado de degradação em que ela se encontra. Uma descida a pedir muita perícia. Quando cheguei ao fim desta descida, quase não sentia os pulsos de tanta pancada que tinham levado!


A pequena ponte romana sobre a a Ribeira de Bolelas ©BTTour

A parte mais bonita do passeio foi quando andámos no sobre-e-desce por cima das arribas com uma esplendorosa vista para o mar. O tempo estava óptimo e, coisa rara, no alto da falésia não corria nem uma aragem, certamente em sentida homenagem a São Martinho.


A vista do alto da falésia com a Ericeira ao fundo

Como o nosso destino era a praia lá em baixo, e como estávamos no cimo da falésia, é claro que tínhamos de descer muito num curto espaço até à praia. Como podem imaginar, a descida era inclinadita.


A descida para a praia... Iupiiiiiiiiiiii! ©BTTour

Apesar de tudo, o maior problema ainda era a areia a vidrar os calços dos travões que deixavam de funcionar correctamente. Tavões de disco para que vos quero. Nada de grave e a descida até se fez bem.


Outro plano da descidazinha da arriba para a praia ©BTTour

Entretanto, o José Neves da organização tentava solucionar algumas dúvidas existenciais. Sabem o que é uma Fonte?! E sabem o que é um Fontanário? E um Chafariz? E uma Bica? Então aqui vai:

- Bica: Cano ou meia-cana por onde corre água.
- Chafariz: Fontenário provido de uma ou várias bicas por onde corre água
potável para utilidade pública. Bebedouro público.
- Fontenário: Fonte artificial para abastecimento público de água.
- Fonte: Nascente de água. Chafariz ou Bica por onde corre água.

Confuso?! Perceberam as diferenças? Ou ficaram ainda mais baralhados?


A Fonte do Arneiro com uma estrela em destaque

Quando chegámos à 13ª e última fonte do passeio, a Fonte do Mosqueiro
datada de 1905, podíamos ler a seguinte quadra:

Sempre a correr
Abranda companheiro
Goza o teu lazer
Na fonte do Mosqueiro

Parecia realmente o conselho indicado para terminar o passeio em beleza. Dizem que não se deve brindar com água, mas estou certo de que na Rota das Fontes nem o São Martinho levaria a mal.

03/11/2004

Deus e a vitória de Jorge, o Arbusto



Jorge, o Arbusto ganhou as eleições presidenciais norte-americanas. Ainda houve uma réstea de esperança na vitória de Kerry quando faltava apurar a contagem dos votos do Ohio. Mas não passou disso mesmo, esperança. É francamente preocupante o facto de mais de metade dos eleitores dos E.U.A. terem votado pelo Jorge, o Arbusto cujo governo, efectivamente, roçou o desastre. Há uma enorme massa eleitoral que confia naquela avantesma. É espantoso.

Entre outros motivos, houve um que me impressionou verdadeiramente. Dizia uma eleitora americana iluminada numa entrevista que ouvi na TSF



Eis o espelho do que pensa o típico eleitor amerciano. São poucas palavras que dizem muito. Vêm aí mais quatro anos de enormidades políticas, jurídicas e de sem vergonhices a que esta administração Bush já nos habituou, bem ao jeito do país que governa.

Não acredito que John Kerry fosse muito melhor. Conhecendo a sociedade americana, sei que são, de uma formal global, limitados. No entanto, dadas as circumstâncias, qualquer energúmeno que fosse para lá seria uma lufada de ar fresco para os E.U.A. e o resto do mundo.

Em desespero, não nos resta muito mais do que parafrasear a inscrição presente em algumas das notas de dólar: «In God we must trust»