30/12/2004

Prémio «Idiota do Ano 2004»



Na SIC Notícias passou uma reportagem onde entrevistaram portugueses que partiram depois da tragédia para a Tailândia, mantendo as férias marcadas como antes de tudo acontecer.

Dulce Ferreira respondeu que já tinha as férias marcadas, que não tinha ficado nada preocupada com o que tinha acontecido, porque os pais, que já lá estavam, tinham enviado uma mensagem a dizer que tinha havido "uns tsunamis e umas coisas", mas estavam bem.

Quando a jornalista lhe pergunta se estava triste com toda a situação Dulce Ferreira respondeu "Sim, claro, agora já não vou ter todas as condições de férias que iria ter se por acaso não tivesse acontecido nada disto. Por outro lado, estou contente, porque vejo as coisas mais ao natural, como elas são."

Ora, descodificando a mensagem, é chato porque ela não vai ter as condições de férias que teria se a catástrofe não tivesse acontecido. Realmente, estou certo de que férias entre cadáveres e total destruição devem ser bem menos interessantes.

Quando todos achávamos que o prémio de "Idiota do Ano 2004" estava firmemente entregue nas manápolas do Zé Castelo Branco, eis que surge do nada esta jovem turista para destronar o tristemente famoso "Condji dji Uáiti Cássel".

28/12/2004

O Inferno no Paraíso


Gráfico sismológico do tremor de terra de Samatra

No dia 26 de Dezembro, o Sudeste Asiático foi abalado por um terramoto com epicentro ao largo da ilha de Samatra, na Indonésia, com 8,9 graus na escala aberta de Richter que é de 9 graus. Na prática, esta escala é graduada de 1 a 9 mas teoricamente é ilimitada, fala-se assim de uma escala aberta.

1. Sentido apenas por instrumentos científicos.
2. Sentido por algumas pessoas e animais.
3. Sentido por muitas pessoas.
4. Sentido por todas as pessoas.
5. Destrói algumas construções
6. Estruturas balançam e paredes começam a cair.
7. Destrói muitas construções e mata pessoas.
8. Um desastre.
9. Destruição total.

O sismo mais forte jamais registado atingiu 9,5 e ocorreu no dia 22 de maio de 1960 no Chile. Acredita-se que o sismo de 1 de Novembro de 1755 em Lisboa possa ter atingido também esta intensidade.

O terramoto propriamente dito causou uma enorme destruição na ilha de Samatra. O problema é que o terramoto também originou enormes maremotos que se deslocaram em diversas direcções por todo o Golfo de Bengala.


Aspecto de um dos hotéis da zona, implantados sobre o mar

Estes maremotos, ou Tsunamis do japonês "津波" que significa "Onda no porto", atingiram 7 países provocando uma destruição que ainda está por calcular. Os Tsunamis, ao contrário das habituais ondas provocadas pelo vento que podemos observar em qualquer zona costeira, são caracterizados por ondas com o comportamento de águas pouco profundas, sendo a sua profundidade inferior a cerca de 1/20 do comprimento da onda. As ondas geradas pelo vento ou por uma normal tempestade, atingem a costa de forma ritmada com uma cadência de uma onda a cada 10 segundos e um comprimento da onda de cerca de 150 metros. Um Tsunami, pode apresentar um comprimento da onda superior a 100 km e uma cadência de cerca de uma onda por hora.


O paraíso sobre as águas cristalinas do Índico

É devido ao seu enorme comprimento da onda que os Tsunamis se comportam como ondas de águas de pouca profundidade. Uma onda transforma-se numa onda de pouca profundidade à medida que a relação entre a sua altura e comprimento se reduz. As ondas de pouca profundidade deslocam-se a uma velocidade igual à raiz quadrada do produto entre a aceleração da gravidade (9,8 m/s²) e a profundidade da água. Resultado? No Oceano Pacífico, que apresenta uma profundidade de cerca de 4.000 m, um Tsunami viaja a cerca de 200 m/s ou seja a mais de 700 km/hr. Uma vez que a taxa à qual a onda perde energia é inversamente proporcional ao seu comprimento de onda, os Tsunamis não só se deslocam a elevadas velocidades, como também podem percorrer enormes distâncias transoceânicas com reduzidas perdas de energia.


Fabuloso!

Agora vem a parte pior... o fluxo de energia de um Tsunami, que está dependente da velocidade da onda e da sua altura, permanece quase sempre constante. É por este motivo que à medida que a velocidade do Tsunami diminui por se aproximar de terra e a inclinação do leito oceânico assim o forçar, a sua altura cresce. Assim, o efeito de onda, quase imperceptível em alto mar, cresce vários metros à medida que se aproxima da costa. Quando finalmente atinge a linha costeira, o Tsunami apresenta-se como um subir ou descer repentino da maré e pode apresentar poderosíssimas ondas ou mesmo enormes vagas com mais de 10 metros de altura. A sua força destruidora é devastadora e praticamente silenciosa.

Pelas imagens apresentadas na televisão, a comparação possível é como se a maré de repente começasse a encher e entrasse por terra dentro com uma força que apenas milhões de toneladas de água podem ter. Houve zonas em que a maré penetrou um quilómetro para dentro de terra destruindo tudo à sua passagem!

Foram mais de dez os países atingidos por este cataclismo e incluem a Indonésia, Tailândia, Sri Lanka, Índia, Malásia, Maldivas. O maremoto ainda atingiu a costa Leste de África a 6.000 km de distância atingindo a Somália, a Tanzânia e o Quénia.


A enorme massa de água quando atingia a zona

Neste momento os números provisórios são aterradores: 125.000 mortos e os números não param de subir assustadoramente; mais de cinco milhões de desalojados, um milhão só no Sri Lanka. Os riscos de epidemias poderão provocar um outro tanto de mortos. [Nota de 20/1/2005: Os números nunca pararam de subir ao longo das três semanas que entretanto passaram. No entanto, apenas hoje a Indonésia fez uma revisão dos seus números e o saldo de mortos disparou para 220.000, com as agências internacionais a indicar 226.000.]

Numa visão absolutamente macabra, as praias paradisíacas desta região do globo estão a ficar pejadas de milhares de cadáveres que só agora começam a dar à costa. Não há sacos suficientes para os cobrir nem caixões para os enterrar. Na Índia, procede-se a centenas de enterros em valas comuns e no Sri Lanka e na Indonésia tenta gerir-se a crise de ter centenas de feridos e milhares de cadáveres inchados e em decomposição.

"Cheira tão mal... há cadáveres humanos misturados com animais mortos como cães, peixes, gatos e cabras" disse o Coronel Buyung Lelana, responsável pela equipa de evacuação da província indonésia de Aceh, na ilha de Samatra.

Naturalmente que se assiste ao êxodo dos milhares de turistas sobreviventes que ficaram literalmente apenas com a roupa que tinham no corpo, na sua maioria com o fato de banho, já que os hotéis onde estavam os seus pertences foram integralmente arrasados pelo maremoto. Basta olhar para as imagens destes hotéis paradisíacos à beira mar plantados para imaginar a destruição.

Neste momento assiste-se a um esforço das diversas embaixadas em obter os documentos necessários para que os seus cidadãos regressem a casa e comecem, lentamente, a esquecer o Inferno que viveram no Paraíso.

17/12/2004

Jorge Sampaio leu a Constituição?



O nosso Presidente da República tem fama de ser um pouco verborreico nas suas intermináveis intervenções. Deve ser por isso que nos resolveu brindar com uma pergunta composta e verdadeiramente intrincada para o referendo sobre a Constituição Europeia.

Ciente de que os portugueses são pessoas que percebem facilmente tudo aquilo que lêem e pretendendo capitalizar sobre o enorme potencial cultural dos portugueses, o inútil Jorge Sampaio pensou, pensou, pensou e saiu-se com a seguinte pergunta:

"Concorda com a Carta dos Direitos Fundamentais, a regra das votações por maioria qualificada e o novo quadro institucional da União Europeia, nos termos constantes da Constituição para a Europa?"

Ora, analisando bem a pergunta que, refira-se, tem um resposta de Sim ou Não, rapidamente percebemos que não se trata de apenas uma pergunta mas sim de três. É o chamado três em um. Questiono-me então sobre o que devemos fazer se só concordarmos com uma das perguntas da pergunta. Por exemplo, eu posso não concordar com a regra das votações por maioria qualificada, mas concordar com a Carta dos Direitos Fundamentais e com o novo quadro institucional da União Europeia. E qual seria o resultado de semelhante dúvida? Obviamente um voto no "Não"!

Sabendo então da reduzidíssima capacidade de compreensão de um texto escrito pela esmagadora maioria dos portugueses, o nosso douto presidente achou por bem submeter esta pergunta a referendo.

Só para perceberem o ridículo desta história, deixo aqui, à laia de exemplo, as perguntas dos ingleses, franceses e espanhóis. Como sabemos, são povos profundamente atrasados e que estão na cauda da Europa em termos de educação, sendo necessário apresentar perguntas fáceis. Os franceses então devem ser mesmo broncos para votarem com uma pergunta tão básica!

"Should the United Kingdom ratify the Treaty establishing a Constitution for Europe?"

"Approuvez-vous le Traité constitutionnel?"

"¿Aprueba usted el proyecto de tratado por el que se establece una constitución para Europa?"

No entanto, existe um motivo para tudo. Aparentemente o sistema constitucional português impede a utilização do referendo para decidir da aprovação de leis ou tratados. As razões são políticas e históricas: trata-se de prevenir qualquer deriva plebiscitária, tendo ainda na memória colectiva o modo de "aprovação" da Constituição salazarista de 1933.

Segundo o Web site do parlamento português, esta foi a única Constituição a ser aprovada por sufrágio referendário. Num universo eleitoral de cerca de um milhão e trezentos mil eleitores, as abstenções e os votos em branco contaram como votos a favor. A entrega do boletim em branco - onde constava a pergunta “Aprova a Constituição da República Portuguesa? - contava como um “Sim”, enquanto que o “Não” deveria ser expressamente escrito. O sufrágio era obrigatório e muitas das liberdades fundamentais estavam restringidas.

Claro que obrigar uma população profundamente analfabeta a escrever um "Não" direitinho num boletim de voto era, no mínimo, fantasista. E não foi surpresa nenhuma que o "Sim" tenha ganho de uma forma rotunda!

Esta limitação obscurece necessariamente os termos de uma consulta popular sobre a Constituição europeia: como a portuguesa proíbe a enunciação mais simples e clara (do tipo "concorda com a Constituição europeia?", como farão os nossos parceiros comunitários), é preciso proceder de forma oblíqua, escolhendo uma ou algumas questões, suficientemente críticas e caracterizadoras do conjunto.

No entanto, é preciso não esquecer que já não estamos propriamente em 1933, apesar de os níveis de educação da população em geral ainda deixarem muito a desejar.

É aqui que entra em jogo a aviltante incapacidade dos nossos governantes em fazerem aquilo que mais lhes compete: GOVERNAR! Então não seria mais lógico e simples proceder a uma revisão constitucional em tempo útil para dirimir este problema? Como é que nós podemos pertencer a uma União Europeia de forma convicta se estamos constitucionalmente proibidos de votar qualquer referendo por ela emanado? Enfim, seguramente que isso é uma matéria para os verdadeiros constitucionalistas.

No entanto, não é preciso ser constitucionalista para interpretar o que diz o articulado da alínea 6 do artigo 115º da Constituição da República Portuguesa:
6. Cada referendo recairá sobre uma só matéria, devendo as questões ser formuladas com objectividade, clareza e precisão e para respostas de sim ou não, num número máximo de perguntas a fixar por lei, a qual determinará igualmente as demais condições de formulação e efectivação de referendos.
Claro que só nos podemos questionar sobre por que motivo Jorge Sampaio, ilustre jurista e, presumo, acompanhado de um gabinete de doutos sábios sobre a matéria, se saiu com uma pergunta tão plena da objectividade, clareza e precisão e para respostas de sim ou não exigidas pela constituição para submeter ao voto dos portugueses.

Escusado será dizer que o Tribunal Constitucional já deu um parecer negativo à pergunta absurda que lhe foi submetida pelo Presidente da República e esta não vai poder ser utilizada.

A única conclusão é que o Presidente e o seu gabinete se esqueceram de ler a alínea 6 do artigo 115 da Constituição da República Portuguesa.

Também, o Presidente ultimamente tem andado tão ocupado com outras coisas muito mais importantes como:

colocar o PS no governo
perdão...
colocar no governo deste país os herdeiros daquele que Sousa Franco considerou o «pior governo desde D. Maria I»
perdão...
trazer de volta os governantes do pântano
perdão...
fornecer ao país uma alternativa democrática para o efectivo governo da nação!
(finalmente saiu-me uma tirada à político!).

14/12/2004

15 Km de Samora Correia: uma pequena humilhação sob a forma de marcha



Participei no dia 12 de Dezembro nos 15 km de Samora Correia. Foi a minha primeira experiência de uma prova de atletismo fora das provas de grandes multidões. Como seria de esperar, os participantes neste tipo de provas mais pequenas são muito mais batidos nestas andanças e, desta forma, não foi surpresa nenhuma que tenha chegado em antepenúltimo.

O objectivo era cumprir a prova em 1:30:00. A prova não teve grande história e até consegui cumpri-la um tempo muito próximo do previsto: 1:32:34.

O mais divertido da prova ainda foi o facto de logo no início ter sido ultrapassado em grande velocidade por dois companheiros que iam a... marchar! Sim, eram praticantes de marcha atlética e um deles até me pareceu ser o campeão nacional. Passaram por mim que nem balas naquele inconfundível andar desengonçado que os caracteriza. Nunca mais os vi... andam mais depressa do que eu corro!

06/12/2004

Os partidos partidos



O Zé Manel pirou-se para a Europa, convicto de que isto por cá se havia de arranjar. Depois de dar às de vila Diogo, desculpa-se dizendo que não comenta a situação política de estados-membro isolados, mesmo que a situação deste miserável estado-membro em particular seja da sua inteira responsabilidade. O Zé Manel foi-se embora e deixou uma titubeante e duvidosa recuperação económica, um governo assente sobre paliçadas que todos percebiam que não passavam de meros palitos e um partido partido entre cavaquistas, barrosistas e santanistas que se odeiam figadalmente! Ainda por cima, o seu mais provável sucessor era mau demais para ser verdade. Pedro Santana Lopes era um político risível e revelou ser primeiro-ministro verdadeiramente miserável.

Entretanto, esta conveniente fuga para a Europa deu, indirectamente, azo à demissão do incompetente líder da oposição, Ferro Rodrigues, que também tinha um partido partido entre soaristas, guterristas e socratistas. Dos escolhos do naufrágio do absurdo Ferro Rodgrigues, ficou a flutar vigorosamente José Sócrates que foi eleito em congresso com mais de 80% dos votos. Esta unanimidade em torno de Sócrates é de desconfiar e vai chegar o dia em que o seu próprio partido o vai trucidar sem apelo nem agravo. A realidade é que ainda nada demonstrou enquanto líder partidário. No entanto, como também ainda não tem verdadeiros pontos negativos vai ser, certamente, o próximo primeiro-ministro de Portugal. E esse estranho mal de que padece o eleitorado, chamado memória curta, ainda o ajuda mais. Vamos ver se o PSD consegue, num inusitado e novel golpe de rins circense, correr com Pedro Santana Lopes e arranjar alguém com um mínimo de credibilidade para disputar estas próximas eleições legistalivas no seu lugar. Duvido que consigam...

Depois de terem andado meses a invocar a memória do falecido Prof. Sousa Franco no rescaldo da eleições para o Parlamento Europeu, estou certo de que ninguém no PS vai recordar que o excelso Professor Sousa Franco havia considerado o último executivo de Guterres como o «pior governo desde os tempos de D.Maria». Infelizmente, temo que a grande maioria das personagens de comédia que compunham o último governo, do também fugido António Guterres, voltem para nos (des)governar. Assim, à laia de declarações para memória futura, vou aqui deixar o nome dos ministros que compunham o XIV Governo Constitucional para que possamos ter noção da desgraça que aí vem:

António Guterres
Jaime Gama
Guilherme d'Oliveira Martins
Rui Pena
Nuno Severiano Teixeira
José Sócrates
António Costa
Luís Braga da Cruz
Elisa Ferreira
Luís Capoulas Santos
Júlio Pedrosa
António Correia de Campos
Paulo Pedroso
Augusto Santos Silva
Mariano Gago
Alberto Martins
José Lello
António José Seguro

Os partidos partidos servem apenas para que deles emerjam os piores e mais fracos candidatos a líderes. Para apimentar esta equipa de incompetentes, ainda surgem no horizonte nomes como Ana Gomes, Edite Estrela, Torres Couto, Nuno Cardoso ou Jorge Coelho. Que pesadelo!



Existem colas para colar vidros partidos, cerâmicas partidas, plásticos partidos, madeiras partidas e papéis rasgados. Parece que ainda está por inventar uma cola especial para partidos partidos. Dão-se alvíssaras a quem descobrir uma…