18/02/2005

O Travesti Cor-de-Laranja e os Pesadelos que Não Consigo Ter



Agora que estamos à beirinha de umas eleições legislativas, houve recentemente um episódio que nos recordou a todos de quem é verdadeiramente a culpa desta trapalhada toda. Já aqui disse que, na minha opinião, o verdadeiro culpado desta crise política que vivemos é Durão Barroso. E ele, como animal político que não é, fez-nos o favor de recordar esse mesmo facto a dar-se ao trabalho de, sendo o Presidente da Comissão Europeia em exercício, participar activamente na campanha eleitoral pelo PSD.

Certamente que lhe pesa na consciência ter entregue os destinos do país nas mãos de um arrivista político incompetente! Não há outra forma de explicar como é que o pseudo-líder da Europa se envolve directamente na campanha eleitoral do seu país, travestindo-se de mero militante laranjinha. Sá Carneiro deve dar voltas na campa cada vez que Pedro Santana Lopes fala do PPD/PSD que, com ele ao leme, foi muito menos PPD do que alguma vez o PSD tinha conseguido ser!

O povo português não tem grande discernimento político e está disposto a esquecer o caos guterrista para acolher com pompa e circunstância o futuro novo grande incompetente do país: José Sócrates.

Assim, de repente, passam-me pela cabeça as rábulas do idiota primeiro-ministro da brilhante série britânica Yes (Prime) Minister. Nos meus piores pesadelos, vejo Sócrates sentado na cadeira do poder, acolitado por um amorfo Pedro Santana Lopes e com um influente secretário bonzinho chamado António Guterres. De repente, José Sócrates levanta-se e sai do seu gabinete em S. Bento para entrar na Rua Sésamo, onde um efusivo Popas o recebe para informá-lo de que o Ministro das Finanças, Ronald McDonald, decidiu aceitar a deslocalização da McDonalds para a China onde o Rato Mickey está a negociar a abertura de uma Disneylândia. É então que surge Nicolau Santos com o seu lacinho torto, acompanhado de todos os barbeiros e ajudantes de farmácia que tinham as poupanças investidas em Contas Poupança Qualquer Coisa para protestar pelo facto de a ministra Ana Gomes ser a favor de Jorge Coelho vir dar o pontapé de saída dos Jogos Olímpicos da Baixa da Banheira, jóia da coroa das realizações socialistas. Quando o Coelhone se prepara para rematar, eu surjo no lugar do guarda-redes, mas a baliza só tem um metro de largura e a bola mais de cinco! É aí que Guterres alinha a franja naquele seu gesto característico e sorri para mim. «O importante…», murmura ele, «…é dialogar…»

Em pânico, acordo estremunhado e vou a correr votar, consciente da inutilidade desse meu acto…

13/02/2005

A última vidente da Cova da Iria



Hoje morreu Lúcia de Jesus dos Santos, a principal vidente da Cova da Iria. Era a única sobrevivente dos três pastorinhos de Fátima. Naturalmente que para quem acredita que Nossa Senhora apareceu a três crianças analfabetas e que o sol dançou nesse ano longínquo de 1917, esta data pode ter alguma importância.

Quando Nossa Senhora apareceu pela primeira vez em Fátima, no dia 13 de maio de 1917, Lúcia acabara de completar 10 anos, Francisco estava para completar 9 e Jacinta, a mais novinha, tinha pouco mais de 7 anos.

Eu sei que sou um céptico. Talvez por isso mesmo, tenho dificuldade em compreender como é que três crianças analfabetas e de origens extremamente humildes conseguem fazer a seguinte descrição da aparição.

"O vestido da Senhora era de uma alvura puríssima de neve, assim como o manto, orlado de ouro que lhe cobria a cabeça e a maior parte do corpo. O rosto, de uma riqueza de linhas irrepreensíveis e que tinha um não sei que de sobrenatural e divino, apresentava-se sereno e grave e como que toldado de uma leve sombra de tristeza. Das mãos, juntas à altura do peito, pendia-lhe rematado por uma cruz de ouro, um lindo rosário, cujas contas brancas brancas de arminho, pareciam pérolas. De todo o seu vulto, circundado de um esplendor mais brilhante que o sol, irradiavam feixes de luz, especialmente do rosto, de uma formosura impossível de descrever, incomparavelmente superior a qualquer beleza humana."

Cheira ou não cheira a uma descrição cozinhada pela padralhada ao melhor estilo das pinturas Renascentistas?

Penso ser interessante reproduzir aqui um artigo do jornal "O Século" em que o jornalista Avelino de Almeida descreve o que este jornalista presenciou na Cova da Iria no dia 13 de Outubro de 1917.
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Homens e mulheres vão quasi todos descalços - elas com saquiteis à cabeça, sobrepujados pelas sapatorras; eles abordoando-se a grossos vara-paus e cautelosamente munidos tambem de guarda-chuva. Dir-se-hiam, em geral, alheados do que se passa à sua volta, n'um desinteresse grande da paizagem e dos outros viandantes, como que imersos em sonho, rezando n'uma triste melopeia o terço. Uma mulher rompe com a primeira parte da ave-maria, a saudação; os companheiros, em côro, continuam com a segunda parte, a suplica. N'um passo certo e cadenciado, pisam a estrada poeirenta, entre pinhaes e olivedos, para chegarem antes que se cerre a noite ao sitio da aparição, onde, sob o relento e a luz fria das estrelas, projetam dormir, guardando os primeiros Jogares junto da azinheira bemdita - para no dia de hoje verem melhor.

À entrada da vila, mulheres do povo a quem o meio já infêtou com o virus do céticismo, comentam, em tom de troça, o caso do dia:
- Então vaes vêr ámanhã a santa?
- Eu, não. Se ela ainda cá viesse!
E riem-se com gosto, emquanto os devotos proseguem indiferentes a tudo o que não seja o objetivo da sua romagem.

Em Hourem só por uma amabilidade extrema se encontra aposentadoria. Durante a noite, reunem-se na praça da vila os mais variados veículos conduzindo crentes e curiosos sem que faltem velhas damas vestidas de escuro, vergadas já ao peso dos anos, mas faiscando-lhes nos olhos o lume ardente da fé que as animou ao ato corajoso de abandonar por um dia o inseparavel cantinho da sua casa. Ao romper d'alva, novos ranchos surgem intrépidos e atravessam, sem pararem um instante, o povoado, cujo silencio quebram com a harmonia dos canticos que vozes femininas, muito armadas, entoam n'um violento contraste com a rudeza dos tipos...

[...]
Pelas dez horas, o ceu tolda-se totalmente e não tardou que entrasse a chover a bom chover. As cordas de agua, batidas por um vento agreste, fustigam os rostos, encharcando o macadame e repassando até os ossos os caminhantes desprovidos de chapeus e de quaesquer outros resguardos. Mas ninguem se impaciente ou desiste de proseguir e, se alguns se abrigam sob a copa das arvores, junto dos muros das quintas ou nas distanciadas casas que se debruçam ao longo do caminho, outros continuam a marcha com uma impressionante resistencia, notando-se algumas senhoras cujos vestidos colados aos corpos, por efeito do impeto e da pertinácia da chuva, lhes desenham as fórmas como se tivessem saído do banho!

[...]

E os pastorinhos? Lucia, de 10 anos, a vidente, e os seus pequenos companheiros, Francisco, de 9, e Jacinta, de 7, ainda não chegaram. A sua presença assinala-se talvez meia hora antes da indicada como sendo a da aparição. Conduzem as rapariguinhas, coroadas de capelas de flôres, ao sitio em que se levanta o portico. A chuva cae incessantemente mas ninguem desespera. Carros com retardatários chegam à estrada. Grupos de freis ajoelham na lama e a Lucia pede-lhes, ordena que fechem os chapeus. Transmite-se a ordem, que é obedecida de pronto, sem a minima relutância. Ha gente, muita gente, como que em extase; gente comovida, em cujos labios secos a prece paralisou; gente pasmada, com as mãos postas e os olhos borbulhantes; gente que parece sentir, tocar o sobrenatural...

A criança afirma que a Senhora lhe falou mais uma vez, e o céu, ainda caliginoso, começa, de subito, a clarear no alto; a chuva pára e presente-se que o sol vae inundar de luz a paizagem que a manhã invernosa tomou ainda mais triste...A hora antiga' é a que regula para esta multidão, que calculos desapaixonados de pessoas cultas e de todo o ponto alheias ás influencias misticas computam em trinta ou quarenta mil creaturas... A manifestação miraculosa, o sinal visivel anunciado está prestes a produzir-se - asseguram muitos romeiros... E assiste-se então a um espectáculo unico e inacreditavel para quem não foi testemunha d'ele. Do cimo da estrada, onde se aglomeram os carros e se conservam muitas centenas de pessoas, a quem escasseou valor para se meter à terra barrenta, vê-se toda a imensa multidão voltar-se para o sol, que se mostra liberto de nuvens, no zenit. O astro lembra uma placa de prata fosca e é possivel fitar-lhe o disco sem o minimo esforço. Não queima, não cega. Dir-se-hia estar-se realisando um eclipse. Mas eis que um alarido colossal se levanta, e aos espectadores que se encontram mais perto se ouve gritar:

- Milagre, milagre! Maravilha, maravilha!

Aos olhos deslumbrados d'aquele povo, cuja atitude nos transporta aos tempos biblicos e que, palido de assombro, com a cabeça descoberta, encara o azul, o sol tremeu, o sol teve nunca vistos movimentos bruscos fóra de todas as leis cosmicas - o sol «bailou», segundo a tipica expressão dos camponeses.. Empoleirado no estribo do auto-omnibus de Torres Novas, um ancião cuja estatura e cuja fisionomia, ao mesmo tempo doce e energica, lembram as de Paul Déroulède, recita, voltado para o sol, em voz clamorosa, de principio a fim, o Credo. Pergunte quem é e dizem-me ser o sr. João Maria Amado de Melo Ramalho da Cunha Vasconcelos.

Vejo-o depois dirigir-se aos que o rodeiam, e que se conservaram de chapeu na cabeça, suplicando-lhes, veementemente, que se descubram em face de tão extraordinária demonstração da existência de Deus. Cenas idênticas repetem-se n'outros pontos e uma senhora clama, banhada em aflitivo pranto e quasi n'uma sufocarão:

- Que lastima! Ainda ha homens que se não descobrem deante de tão estupendo milagre!

E, a seguir, perguntam uns aos outros se viram e o que viram. O maior numero confessa que viu a tremura, o bailado do sol; outros, porém, declaram ter visto o rosto risonho da propria Virgem, juram que o sol girou sobre si mesmo como uma roda de fogo de artificio, que ele baixou quasi a ponto de queimar a terra com os seus raios... Ha quem diga que o viu mudar sucessivamente de côr... São perto de quinze horas. O ceu está varrido de nuvens e o sol segue o seu curso com o esplendor habitual que ninguem se atreve a encarar de frente. E os pastorinhos? Lucia, a que fala com a Virgem, anuncia, com ademanes teatraes, ao colo de um homem, que a transporta de grupo em grupo, que a guerra terminára e que os nossos soldados iam regressar... Semelhante nova, todavia, não aumenta o jubilo de quem a escuta. O sinal celeste foi tudo. Ha uma intensa curiosidade em vêr as duas rapariguinhas com suas grinaldas de rosas, ha quem procure oscular as mãos das «santinhas», uma das quaes, a Jacinta, está mais para desmaiar do que para danças", mas aquilo por que todos anciavam - o sinal do ceu - bastou a satisfazel-os, a radical-os na sua fé de carvoeiro. Vendedores ambulantes oferecem os retratos das crianças em bilhetes postaes e outros bilhetes que representam um soldado do Corpo Expedicionario Portuguez "pensando no auxilio da sua protetora para salvação da Patria" e até uma imagem da Virgem como sendo a figura da visão...

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Portanto, a conclusão a tirar desta descrição é que houve qualquer coisa que se passou com o Sol, talvez um eclipse, e houve alguém que aproveitou para sugerir e influenciar a multidão de milhares de camponeses analfabetos e ignorantes que presenciavam esse fenómeno astral para os fazer crer que se tratava de um milagre celestial. A descrição é que o «Sol tremeu e teve estranhos movimentos bruscos». Daí à afirmação poética de que o «Sol bailou» vai uma enorme distância. Se juntarmos a isto uma criança de 10 anos que afirmava que tinha acabado de falar com Nossa Senhora, que apenas ela via e ouvia, temos o caldinho para cozinhar um milagre que só viu de facto quem acreditava, mesmo que não tivesse visto absolutamente nada.

O mais espantoso foi os partidos mais representativos do panorama político nacional que são, salvo opinião em contrário, parte integrante do nosso Estado laico e republicano, se terem desdobrado em patéticas condolências, gravatas pretas, acções de campanha canceladas e outros artificialismos fúteis.

07/02/2005

20 Km de Cascais ou a importância das barras energéticas



No dia 6 de Fevereiro disputei os 20 km de Cascais. É uma prova simpática, mas que me correu muito mal. Aliás, foi a prova que mais mal me correu até agora. Tive um tempo muito fraco, 2:14:29.

Primeira asneira: Esqueci-me de comer barras energéticas antes de começar a prova. Resultado, senti-me um pouco desorientado perto do fim. Fiquei cheio de fome, com uma enorme vontade de parar. Foi de tal forma que passei pela placa dos 19 km sem a ter visto. Foi um grande erro que paguei caro perto do fim. Aliás, até ao km 15, a minha média cifrava-se em 6’ 23’’, bem próxima da previsão dos treinos. Durante os últimos cinco km a média subiu para 6’ 43’’. Todos os últimos 5 km foram disputados num tempo superior a 7’ por km, sendo os últimos 2 km percorridos num tempo superior a 8’. Para isso muito contribuiu o 19º km em que cheguei a andar durante algum tempo.

Segunda asneira: Não treinava desde o dia 22 de Janeiro. Tem estado um frio de rachar, estou com algum trabalho e não tenho conseguido forçar-me a ir treinar.

Quanto à prova em si, disputa-se maioritariamente na marginal entre Cascais e o Guincho. Começa com duas subidas de respeito que são feitas por duas vezes. Depois tomamos a marginal em direcção ao Guincho onde está instalado o retorno. Espero voltar a participar para o ano que vem e que a prova me corra melhor do que este ano.

Enfim, entrei na fase final dos treinos para a Meia Maratona de Lisboa, mas parece-me que não é necessário imprimir um ritmo tão violento aos treinos, já que não sinto uma melhoria perceptível nos resultados.

02/02/2005

BTT à volta do Cabo Espichel

Manhã de domingo, 31 de Janeiro de 2005, 7:45… hora de levantar para me preparar para mais um passeio de bicicleta. Após uma espreitadela rápida ao termómetro exterior, descubro que está… +1ºC inteirinho! Este foi o mês de Janeiro mais seco dos últimos 100(!!!) anos. Nunca choveu e esteve sempre uma temperatura a rondar os 0ºC ou inferior logo pela manhã. Já soam os alarmes de seca em vários pontos do país, antecipando um Verão bem seco e, sobretudo, com poucas reservas de água. Enfim, lá me fiz ao caminho até ao Santuário de Nossa Senhora do Cabo localizado no Cabo Espichel em Sesimbra. Quando lá chego estão 4ºC e o vento é cortante (sempre é um cabo...), baixando ainda mais a temperatura.


Fotografia do grupo (clicar para aumentar) © BTTour

Depois de chegarem todos os companheiros lá tirámos a fotografia de grupo da praxe e fizemo-nos ao caminho já que a única forma de verdadeiramente aquecer era pedalar. Claro que se parássemos sentíamos novamente o frio, mas se pedalássemos mais depressa o vento aumentava e, consequentemente, o frio… enfim dilemas de betetista. Felizmente o sol aquecia bastante e o tempo tem estado tão seco que não havia nem vestígios de lama nos trilhos. Francamente já não sei se isso é bom ou mau…


A descida para as pegadas dos dinossauros © BTTour

Começamos por descer até à Jazida de Pegadas de Dinossáurios dos Lagosteiros que é considerada um Monumento Nacional e está inserida no Parque Natural da Arrábida. Já lá houve um painel enorme que explicava detalhadamente que aquelas marquinhas na rocha eram efectivamente pegadas de dinossauro, mas parece que caiu ou por acção do vento, que fustiga este local impiedosamente, ou por causa de uns energúmenos quaisquer que o escavacaram à pedrada.


Armação do painel que já teve informações sobre as pegadas dos bichos... © BTTour

Até pode ser que fossem pegadas de dinossauro, mas o céptico que há em mim achou que não passavam de buracos circulares na rocha.


Subida após termos visto as pegadas dos dinossauros © BTTour

Dali, dirigimo-nos para a Praia da Foz, uma pequenina e bonita praia protegida por uma imponente falésia. Contudo, para irmos mesmo até lá abaixo espera-nos uma curta descida, muito técnica, com areia e algo atemorizante. Como ainda circulávamos pela vertente Norte do Cabo Espichel, o vento fustigava-nos como se fossem lâminas.


Eis-me a descer para a Praia da Foz © BTTour

A chegada à praia da Foz proporcionou-nos os primeiros momentos de autêntica adrenalina, com as descidas inclinadas dos single-tracks. Passamos para a vertente Sul do Cabo onde circulámos por uns trilhos bem estreitinhos que não permitiam grandes distracções pois as pedras pontiagudas que brotavam do chão estavam lá a aguardar o momento certo para trilhar um pneu.



Os calhaus prontinhos a furar as câmaras de ar dos mais incautos © BTTour

É claro que houve furos e algumas cãibras por causa do frio que iam quebrando o ritmo. Para chegarmos à zona que dá pelo nome de Fornos tivemos uma sucessão de trilhos de bom piso, intervalados aqui e ali por algumas zonas mais técnicas, sem esquecer uma subida curta mas íngreme com um buracão enorme a meio que, se não tivéssemos cuidado, caíamos mesmo lá dentro com bicicleta e tudo tal era o seu tamanho!! Tudo isto numa zona muito bonita e ainda muito selvagem.


Uma descida verdadeiramente a doer! © BTTour

Depois, foi sempre a subir até apanharmos a estrada principal do Cabo Espichel, em Pinheirinhos, para passarmos para a sua vertente Sul. Depois de um trilho irregular, técnico e mal tratado, eis que chegamos ao início de uma descida, também ela bastante irregular e técnica, para depois vaguearmos por mais um trilho super estreito, em que só cabe uma bicicleta de cada vez. É um trilho escondido, muito tortuoso, técnico, mas deveras bonito. A recomendação era de que devíamos dar algum espaço ao betetista à nossa frente.


Trilho pelo meio da vegetação © BTTour

Foi aqui que o companheiro que seguia à minha frente caiu e eu, para evitar passar-lhe por cima, caí também na atrapalhação de tentar parar. É claro que caí em cima de um molho de umas plantas com umas folhas com pequenos picos. Enfim, sempre é melhor do que cair em cima de um molho de silvas... é a Lei de Murphy do BTT: Se tiveres de cair devagar de forma a não te magoares, cairás sobre um molho de qualquer coisa que te pique, arranhe ou esfole. Este trilho levou-nos a percorrer toda a zona Sul do Cabo, com o mar sempre como pano de fundo do nosso lado esquerdo. A paisagem era linda como se pode ver pelas fotografias. Era preciso ir com muita atenção ao trilho, ter cuidado com as pedras pontiagudas e levar os pneus com pressão de ar suficiente, para evitar os furos. Infelizmente, houve mesmo vários furos que atrasaram muito o grupo. Eu já instalei nos meus pneus o Magik Seal. Não sei se foi por causa disso, mas o facto é que não tive furo nenhum.


A vista deslumbrante que nos acompanhou sempre © BTTour

Seguia-se o início do regresso ao Santuário por um trilho ora rápido (...quando desce), ora lento (…quando sobe) ou mesmo lentíssimo (...quando sobe mesmo a doer), culminando numa subida para "rebentar"! Enfim, eis que tínhamos chegado ao último esforço, num trilho loooongo e relaxante, rápido quanto baste, bonito e entusiasmante com uma vista de mar absolutamente deslumbrante que nos levava de regresso ao Santuário.


A loooooonga subida final © BTTour

Não sem antes termos passado pelas ruínas de uma casa, com uma vista incrivelmente arrebatadora. Parece que se tinham apropriado do terreno durante os tempos quentes da Revolução de Abril, mas depois alguém embargou a obra e acabou com a brincadeira. Só vos digo (infelizmente não há fotos) que quem a construiu sabia escolher! Dá para imaginar a vista pelas fotografias...


Parte final da última grande descida no regresso ao Cabo © BTTour

Perto do final ainda havia uma descida que os guias chamavam Descida dos Jipes. Parece que os jipes costuma fazê-la a subir. Se calhar deviam chamar-lhe Subida dos Jipes...


A descida dos jipes vista ao longe © BTTour

Pois nós, gandas malucos, fizemo-la a descer. Eu desci-a de uma forma tão pouco ortodoxa que até tenho vergonha de contar. Apesar de tudo desci-a montado na bicicleta!


A temível Descida dos Jipes. Não é truque, era mesmo muito inclinada... © BTTour

Após 31km percorridos, regressámos ao Santuário onde nos esperavam os habituais pães com chouriço e tortas para aconchegar o estômago, acompanhados do sacramental chá bem quentinho!