27/06/2005

Matemática: a Lição dos Alunos de Guterres



O Governo socialista entregou o seu Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) na União Europeia. Este plano, para além de outras alarvidades mirabolantes, faz a seguinte previsão dos preços do barril de petróleo:

2005: US$50,1
2006: US$50,3
2007: US$49,0
2008: US$47,0
2009: US$46,0

Gostaria de deixar aqui registado que o preço do barril de petróleo ficou ontem perto dos USD 61,00 da OPEP e USD 59,00 no de Brent.

Será possível que alguém seja assim tão estúpido e ache que é possível que o preço do barril de petróleo se situe nestes intervalos optimistas? Para alegrar ainda mais o pagode, o Orçamento Rectificativo (OR) para 2005 apresentado na Assembleia da República (AR) está pejado de erros, omissões e artifícios contabilísticos. Cito Nicolau Santos no Expresso Online:
A questão é que, pelas primeiras apreciações, o OR, entregue tarde e a más
horas, traz erros inadmissíveis, martela receitas e despesas para chegar ao
défice de 6,2% e, mais grave, conclui que a despesa do Estado ultrapassa metade
do que o país produz (50,2%), ao contrário do que tinha sido prometido. Até
agora, contudo, as Finanças não deram nenhuma explicação e, ao que tudo indica,
estão a trabalhar de novo os números do documento. A imagem de competência e
rigor do ministro das Finanças, Luís Campos e Cunha, sofreu o seu primeiro abalo
sério no lado técnico, já que, do ponto de vista político, tinha ficado
fragilizado com a questão da reforma que recebe do Banco de Portugal. Na
verdade, entre os valores aprovados pela Comissão Constâncio, o Programa de
Estabilidade e Crescimento (PEC) e o OR há diferenças acentuadas na composição
das receitas e das despesas. Assim, do PEC para o OR aumentam as despesas em
1.570 milhões de euros e as receitas em 1.506 milhões. A receita fiscal fica 499
milhões de euros acima do PEC e 989 milhões acima da estimada pela Comissão
Constâncio (que não contabilizava os aumentos de impostos entretanto
anunciados). E o Governo espera arrecadar mais 7,1% em impostos, um valor muito
superior ao crescimento nominal da economia. Mas o caso mais grave vem do lado
das despesas. Aparentemente, o Governo mostra-se impotente para travar o seu
crescimento. E assim a despesa é superior em 1.570,9 milhões de euros ao PEC e
em 1.194,1 milhões aos valores da Comissão Constâncio, crescendo mais de um
ponto percentual em relação ao anteriormente previsto em percentagem do PIB. E
assim, a despesa das administrações públicas em percentagem do PIB atinge 50,2%
contra os 49,1% inscritos no PEC.

Parece que após meros 100 dias de Governo, começam a vir à tona as características-base dos governos socialistas: descontrolos, omissões, decepções, falta de rigor, ilusões, etc.

Em relação à eleição desta corja de bandidos, apenas cito S. Paulo: Etiam si omnes, ego non (Mesmo que todos o tenham feito, eu não!).

21/06/2005

Tudo Bons Rapazes: A Versão Tuga



Esta rapaziada que aqui podem ver é, nada mais, nada menos, que a Administração do Banco de Portugal.

Como é possível constatar, eles estão com um ar muito satisfeito. Não é caso para menos e eu vou explicar porquê...

Vítor Constâncio, governador desse gigante mundial que é o Banco de Portugal, esse banco central de uma das nações mais ricas do mundo, Portugal, tem um salário anual de € 272.628 à data de Junho de 2005. Estou a falar apenas do seu S A L Á R I O !

Alan Greenspan, bastião do capitalismo mundial e governador da Reserva Federal do país mais rico do mundo, os Estados Unidos da América, tem um salário anual de...

(tambores a rufar...)

$ 171.900 USD anuais ou seja € 142.202 ! Quase metade...

Notem que estou a falar apenas do salário anual de Vítor Constâncio, falta todos os outros luxos associados, sendo certo que estou seguro de que o Alan (gosto deste tom mais familiar...) também usufrui de benesses semelhantes.

Anexo aqui este extracto de uma notícia de O Independente:
Vítor Constâncio lidera um dos conselhos de administração mais bem pagos do país. Apenas cinco nomes, onde se inclui o do próprio Constâncio, conseguem arrecadar 1,532 milhões de euros em salários durante um ano de trabalho no Banco de Portugal (BdP). Traduzindo em escudos, trata-se de qualquer coisa acima de 305 mil contos por cada ano civil. Os cálculos foram feitos pelo Independente através das declarações de rendimentos dos membros do conselho de administração do BdP depositadas no Tribunal Constitucional. Algumas das declarações, porém, referem-se ao ano de 2003 e outras ao de 2004. O que significa que, face aos aumentos salariais anuais, definidos por uma “comissão de vencimentos”, os valores poderão ser ainda superiores. Durante três semanas os responsáveis furtaram-se sistematicamente a responder ao Independente. Por isso, não foi possível confirmar oficialmente qual a remuneração actual ou passada da administração. O Banco de Portugal remete para o Ministério das Finanças. Das Finanças, a resposta é que é o próprio BdP quem deve esclarecer a questão. Ambos, em separado, limitam-se a remeter para a lei que criou a comissão de fixação de vencimentos. Não é possível, sequer, saber quem são, em concreto, os actuais membros dessa comissão. A título comparativo, o governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, não só ganha mais do que o Presidente da República, Jorge Sampaio, como consegue bater o homem forte da Reserva Federal norte-americana, Alan Greenspan. O senhor dos dólares ganha 146 mil euros anuais, enquanto Constâncio arrecada 272 628 euros. Contas redondas, o governador do banco central, nomeado pelo governo no ano de 2000, leva para casa quase 3894 contos mensais. O banco central, de resto, leva a sério a qualidade de vida dos seus servidores. Vítor Constâncio teve direito a um BMW topo-de-gama quando substituiu António de Sousa. E até o motorista pessoal de Constâncio teve direito a um Peugeot 206. É o único motorista do banco com direito a viatura própria. O recordista dos rendimentos brutos do trabalho dependente no Banco de Portugal é um dos administradores: José Silveira Godinho. Este antigo ministro da Administração Interna reformou-se do Banco de Portugal na categoria profissional de “director” e acumula o salário de 3911 contos mensais com uma pensão anual de 139 550 euros. Recebe a sua pensão do Fundo de Pensões do Banco de Portugal, o mesmo que ainda paga a pensão de 114 mil euros anuais ao ministro das Finanças, Luís Campos e Cunha. Vítor Rodrigues Pessoa é o nome de um outro administrador do banco central que ganha 276 983 euros anuais, ou sensivelmente 3956 contos por mês. Tem uma reforma adicional de 39 101 euros anuais. A pensão não é paga pelo Fundo de Pensões do BdP, segundo conseguimos saber. Manuel Ramos Sebastião, outro dos três administradores ganha 227 233 euros anuais, traduzidos em 3246 contos por mês. É o homem com o pior dos salários entre os cinco membros do conselho de administração. O vice-governador do BdP, António Pereira Marta, é também um reformado do mesmo banco desde 1996. Na sua declaração de rendimentos não constam pensões recebidas, mas é um facto que tem direito à pensão do Fundo de Pensões do BdP. António Marta ganha 244 174 euros por ano, perto de 3488 contos por mês. Outro vice-governador, José Martins de Matos, ganha só 237 198 euros por ano, ou 3488 contos mensais. Todos têm direito a carro de alta cilindrada e a motorista próprio. Os complementos remunerativos. No pacote de regalias dos membros do conselho de administração está estabelecida, desde 1998, uma reforma milionária do Fundo de Pensões do Banco de Portugal, estabelecida num regime especial: o chamado Plano III. Só para quem ainda não recebe pensão e consiga terminar um mandato de cinco anos. Geralmente, os administradores fazem mais um ano para aprovar as contas. Os cargos de governador, vice-governador e administrador do BdP são inamovíveis. E basta terminar um mandato para ter direito à pensão.
O Banco de Portugal tinha 1.786 funcionários em 2003.
As suas despesas com pessoal foram no valor total € 105.323.000. Este dados estão disponíveis no Relatório e Contas divulgado pelo Banco de Portugal.

O Banco de Portugal deve ser dos melhores bancos centrais do mundo para trabalhar já que cada funcionário tem um salário anual médio de

(tambores a rufar outra vez...)

€ 58.971,00

Só a administração ganha € 1.393.000,00 por ano... e essa adiministração é composta por 5 pessoas inteirinhas, o que dá um salário médio de € 278.600,00 anuais.

Falta contabilizar todas as reformas após uma vida inteira de trabalho de 6 extenuantes anos completos de serviço e outras regalias escandalosas inerentes a esta maltinha.

É abjecto ver Vítor Constâncio com um ar grave e sério dizer-nos que as finanças públicas estão muito mal e que temos de apertar o cinto. Parece que é preciso cortar nas despesas. Que tal começar pelo Banco de Portugal?

Por favor, Alan, vem trabalhar para o Banco de Portugal, pá! Ganhavas muito mais, trabalhavas muitos menos e podia ser que conseguisses endireitar esta merda!

07/06/2005

A falácia da Cidade Inbicta



Gostava de entender como é que D. Pedro IV introduz no símbolo da cidade do Porto a seguinte inscrição em 1834:

«Antiga, mui Nobre sempre Leal e Invicta cidade»

Este título honorífico foi atribuído porque os portuenses se bateram pela defesa da cidade e contra o cerco militar absolutista (Miguelista).

Invicta? Está bem que se tenham batido contras os absolutistas, mas como é que é possível inserir-se esta inscrição no brasão em 1834 quando o Porto foi conquistado e saqueado entre os dias 27 e 29 de Março de 1809? O exército francês, comandado pelo General Soult durante a Segunda Invasão Francesa, esteve estacionado durante dois meses na cidade do Porto saqueando tudo quanto encontrava.

É que assim de repente até parece que nunca foram conquistados por ninguém.
Francamente...

06/06/2005

Marvão e as Sendas Medievais



No dia 5 de Junho participei em mais um passeio BTTour. Desta vez foi no Parque Natural da Serra de São Mamede, em Castelo de Vide, Portalegre. Este passeio tem um terreno bem duro com ENORMES subidas de grau de dificuldade elevado e algumas descidas bem trialeiras e muito técnicas, mas que convidam à velocidade para se conseguir ultrapassá-las. É a velha questão do famoso momentum ou, em bom português, o balanço. É que para transpor os inúmeros obstáculos que se nos deparam, é preciso levar alguma velocidade para conseguir voar por cima deles. Isto torna as decidas bem perigosas já que não há margem para erros.

Apesar disso, houve um problema bem mais complicado para resolver: o enorme calor que se fez sentir. Estou a falar de temperaturas na casa dos 37 graus centígrados à sombra e 43(!) graus ao sol. Como sombra havia pouca, andámos quase sempre sob um sol abrasador desde as 11:00. Este passeio era para ter sido realizado uma semana antes, no dia 5. No entanto, a realização de uma prova de ciclismo de estrada, com as consequentes estradas encerradas ao trânsito, obrigou a adiar este passeio uma semana. Este calor dificultou e muito a progressão e nem nas descidas conseguíamos arrefecer convenientemente. Só à minha conta devo ter bebido mais de 6(!) litros de água. Foi muito, muito duro. Resultado: houve 7 participantes do grupo de 12 que pararam ao fim de 36 km, entre os quais eu. Continuaram apenas cinco, sendo esse grupo composto por malta altamente rodada e com um ritmo quase profissional. Eventualmente teria continuado, mas não sei se aguentaria. O meu grupo estava já de rastos, guia incluído, e só sobraria eu que já me começava a debater com algumas cãibras. Ficou a lição: decididamente o Alto Alentejo não se coaduna com passeios de bicicleta para lá de Maio.

Desta vez a Miriam também foi, já que aproveitámos para passar o fim-de-semana nesta zona. Ficámos no INATEL de Castelo de Vide que é muito agradável. A caminho de Castelo de Vide parámos em Vila Viçosa e visitámos o Paço Ducal com visita guiada. A visita foi muito interessante. Gostei muito de sentir perto de nós toda a História viva de Portugal inerente à Casa Real de Bragança.

Embora isso não estivesse previsto, a Miriam acabou por acompanhar a Tina no carro de apoio e assistiu na primeira pessoa a toda a logística que envolve um passeio de BTT. Temo bem que tenha sido um bocadinho de seca para ela. Mas foi sempre muito agradável vê-la nas paragens que íamos fazendo.

02/06/2005

O pinto calçudo



Eis esta curiosidade que descobri no CiberDúvidas:

Pinto calçudo é a denominação de um pinto que tem as pernas revestidas, em grande parte, de plumagem. Calçudo é palavra derivada de calças. Essa plumagem do pinto é comparada a umas calças. Nem todos os pintos têm essa plumagem, só algumas espécies, que constituem uma minoria em relação à generalidade dos pintos.

Por extensão, designava-se pinto calçudo o rapazito cujas calças aderem às pernas, que deixou os calções pelas calças compridas, que já não é menino mas ainda não é homem, e se mostra algo desajeitado na sua pele. O termo também se aplica a alguém que usa calças estreitas e ridículas, que não chegam bem ao fundo das pernas ou que está mal arranjado ou se veste desajeitadamente, ferindo a norma clássica.

Estrela da tarde



Estrela da tarde (Ary dos Santos)

Era a tarde mais longa de todas as tardes
que me acontecia
eu esperava por ti, tu não vinhas
tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca,
tardando-lhe o beijo, mordia
quando à boca da noite surgiste
na tarde tal rosa tardia
quando nós nos olhámos tardámos no beijo
que a boca pedia
e na tarde ficámos unidos ardendo na luz
que morria
em nós dois nessa tarde em que tanto
tardaste o sol amanhecia
era tarde de mais para haver outra noite
para haver outro dia.

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza.
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza.

Foi a mais bela de todas as noites
Que me aconteceram
Dos nocturnos silêncios que à noite
De aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois
Corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa
De fogo fizeram.
Foram noites e noites que numa só noite
Nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites
Que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles
Que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto
Se amarem, vivendo morreram.

Eu não sei, meu amor, se o que digo
É ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo
E acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste
Dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida
De mágoa e de espanto.
Meu amor, nunca é tarde nem cedo
Para quem se quer tanto.

Obrigado Ary...