Matemática: a Lição dos Alunos de Guterres

O Governo socialista entregou o seu Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) na União Europeia. Este plano, para além de outras alarvidades mirabolantes, faz a seguinte previsão dos preços do barril de petróleo:
2005: US$50,1
2006: US$50,3
2007: US$49,0
2008: US$47,0
2009: US$46,0
Gostaria de deixar aqui registado que o preço do barril de petróleo ficou ontem perto dos USD 61,00 da OPEP e USD 59,00 no de Brent.
Será possível que alguém seja assim tão estúpido e ache que é possível que o preço do barril de petróleo se situe nestes intervalos optimistas? Para alegrar ainda mais o pagode, o Orçamento Rectificativo (OR) para 2005 apresentado na Assembleia da República (AR) está pejado de erros, omissões e artifícios contabilísticos. Cito Nicolau Santos no Expresso Online:
A questão é que, pelas primeiras apreciações, o OR, entregue tarde e a más
horas, traz erros inadmissíveis, martela receitas e despesas para chegar ao
défice de 6,2% e, mais grave, conclui que a despesa do Estado ultrapassa metade
do que o país produz (50,2%), ao contrário do que tinha sido prometido. Até
agora, contudo, as Finanças não deram nenhuma explicação e, ao que tudo indica,
estão a trabalhar de novo os números do documento. A imagem de competência e
rigor do ministro das Finanças, Luís Campos e Cunha, sofreu o seu primeiro abalo
sério no lado técnico, já que, do ponto de vista político, tinha ficado
fragilizado com a questão da reforma que recebe do Banco de Portugal. Na
verdade, entre os valores aprovados pela Comissão Constâncio, o Programa de
Estabilidade e Crescimento (PEC) e o OR há diferenças acentuadas na composição
das receitas e das despesas. Assim, do PEC para o OR aumentam as despesas em
1.570 milhões de euros e as receitas em 1.506 milhões. A receita fiscal fica 499
milhões de euros acima do PEC e 989 milhões acima da estimada pela Comissão
Constâncio (que não contabilizava os aumentos de impostos entretanto
anunciados). E o Governo espera arrecadar mais 7,1% em impostos, um valor muito
superior ao crescimento nominal da economia. Mas o caso mais grave vem do lado
das despesas. Aparentemente, o Governo mostra-se impotente para travar o seu
crescimento. E assim a despesa é superior em 1.570,9 milhões de euros ao PEC e
em 1.194,1 milhões aos valores da Comissão Constâncio, crescendo mais de um
ponto percentual em relação ao anteriormente previsto em percentagem do PIB. E
assim, a despesa das administrações públicas em percentagem do PIB atinge 50,2%
contra os 49,1% inscritos no PEC.
Parece que após meros 100 dias de Governo, começam a vir à tona as características-base dos governos socialistas: descontrolos, omissões, decepções, falta de rigor, ilusões, etc.
Em relação à eleição desta corja de bandidos, apenas cito S. Paulo: Etiam si omnes, ego non (Mesmo que todos o tenham feito, eu não!).





