31/07/2005

BTT: Julho

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Começo a mostrar aqui as imagens obtidas com o Google Earth e os nossos tracks de GPS. São fabulosas.

Em Julho participei num passeio da BTTour entitulado Nos Trilhos de Palmela. Foi um óptimo passeio, se não fossem as horríveis cãimbras que tive no fim. Cometi um erro um pouco infantil. Fui de bicicleta desde casa até ao ponto de encontro percorrendo logo cerca de 15 km por estrada que, obviamente, não me custaram nada a fazer. Pudera, logo de manhãzinha um gajo está com a corda toda.
Este passeio serviu para descobrir trilhos na zona mais para o lado de Palmela que eu passei a incorporar na minha volta habitual, transformando-a numa volta de 40 km. Agora, a minha volta habitual percorre as Serras da Arrábida, de São Francisco, de São Luís e do Louro e tem um grau de dificuldade assinalável. Claro que para o fim do passeio, como já levava aqueles quilómetros iniciais desnecessários nas pernas, penei e bem para voltar para casa tendo as cãimbras mais violentas que já tive até hoje. Vivendo e aprendendo...

29/07/2005

Desporto: Sorteio da Pré-Eliminatória da Liga dos Campeões 2005


O Sporting é, decididamente, um clube com azar nos sorteios. Hoje realizou-se o sorteio da Pré-Eliminatória da Liga dos Campeões 2005 no qual podiam ter saído equipas do Chipre, Luxemburgo, Israel, Grécia. O sorteio só tinha três equipas complicadas para o Sporting, já que éramos cabeça de série: Everton, Bétis de Sevilha e a Udinese (4ºs classificados dos respectivos campeonatos).

Calhou-nos o pior possível: a Udinese, a equipa sensação da Série A italiana 2004.
Espero que estejamos à altura do desafio, mas temo o pior!

Tour de France 2005 - Armstrong, campeão metódico e superdotado


(Artigo do Público sobre Lance Armstrong)

Treino intenso e científico potenciou vantagens genéticas

Lance Armstrong é o maior atleta de resistência da actualidade, segundo Edward F. Coyle, um fisiologista da Universidade do Texas que publicou recentemente um estudo sobre a evolução do heptacampeão do Tour desde os 21 anos até aos 28. Por detrás desta percepção estão boas potencialidades genéticas para o ciclismo e um programa de treino rigoroso e científico concebido por Chris Carmichael, treinador de estrelas como o nadador Michael Phelps, que o norte-americano segue religiosamente.

Num artigo publicado no site da Universidade do Texas, como introdução ao estudo científico, Coyle rejeita considerar Armstrong como uma “aberração genética”, tanto mais que “muitas das vantagens físicas são adquiridas através do treino e não simplesmente incluídas no ADN”. “Os genes e o treino físico interagem. Por exemplo, os genes que permitem aos músculos crescerem até ao seu potencial máximo podem ser activados através do levantamento de pesos. Os indivíduos que desenvolvem músculos muito grandes têm realmente uma vantagem genética à partida, mas também precisam de treinar muito para chegarem a esse ponto”, lembra o professor norte-americano.

Coyle explica que, para se ter sucesso no ciclismo, o atleta deverá ter “mais do que um gene que responde ao treino”, que várias partes do corpo, controladas por genes diferentes, sejam excepcionais, como o tamanho do coração, a sua capacidade de bombear sangue e a quantidade de vasos sanguíneos que transportam oxigénio até aos músculos. Armstrong tem tudo o que é necessário, principalmente um coração “grande e forte, que consegue bater mais de 200 vezes por minuto, bombeando grandes quantidades de sangue”, valor alcançado por apenas dois dos inúmeros ciclistas que o professor da Universidade do Texas estudou nos últimos 20 anos.

Treino científico

Contudo, isto não chega para se ganhar sete Voltas à França, pois os outros ciclistas “também não possuem sistemas cardiovasculares normais”. Como lembra Coyle, “todas as partes do corpo devem desenvolver-se entre 30 a 100 por cento ao longo dos anos intensos de treino”. Foi nesta base que Armstrong evoluiu nos sete anos em que foi estudado pelo cientista norte-americano, com novo ânimo desde que derrotou um cancro nos testículos, em fase avançada: melhorou em oito por cento a eficiência muscular (“Tendo em conta que apenas um a três por cento de diferença separa os vencedores dos lugares do meio da classificação, na maioria das finais olímpicas”, diz Coyle) e em 18 por cento a potência muscular por cada libra (454 gramas) de peso.

Armstrong prepara cada prova de forma metódica, científica e intensa. Ele e o seu treinador trabalham todos os pormenores, desde a intensidade das pedaladas em cada momento da prova, até aos movimentos das pernas que tornam mais eficaz cada pedalada. Treina entre cinco e seis horas por dia, trabalhando o sistema aeróbico, também com a ajuda de câmaras simuladores de altas altitudes, onde há menos oxigénio e obriga o corpo a tornar mais eficaz o seu transporte até aos músculos. Para além disso, pode haver mudanças consoante os adversários que são esperados em cada prova. “Por exemplo, quando Jan Ullrich não participou, passámos mais tempo a treinar as subidas às montanhas do que os contra-relógios", contou Carmichael ao site Trainingright.com, explicando que, no início da ligação com o campeão do Tour, começou por trabalhar as fibras musculares mais lentas e resistentes, essenciais para subir às montanhas ou vencer um “crono”, em detrimento da fibras rápidas e menos resistentes. Segundo o estudo de Coyle, a percentagem de fibras lentas no corpo de Armstrong passou de 60 para 80 por cento.

“Eu ouvi durante este tempo que sou demasiado metódico, robótico, mas no final do dia a minha responsabilidade não é com as pessoas que dizem isso”, afirmou Armstrong, nesta sexta-feira, em declarações à AP, destacando as diferenças entre o Tour actual e o passado romântico, em que “Eddy Merckx conduzia o seu carro até ao início das etapas ou Anquetil fumava cigarros”. O norte-americano considera que ele e Johan Bruyneel, ex-director da US Postal, agora ao comando da Discovery Channel, mudaram a forma como o Tour é preparado pelos outros ciclistas: “Pegámos numa prova de três semanas e transformámo-la numa de doze meses”.

25/07/2005

Tour de France 2005 - O fim de uma era



Aí está. Com a vitória no contra-relógio de sábado, Lance Armstrong conquistou a sétima vitória consecutiva no Tour de France. No contra-relógio realizado em Saint-Étienne com 55,5 Km, Lance Armstrong pulverizou a concorrência ao realizar um tempo de 1h 11’46" deixando Jan Ullrich, o segundo classificado do contra-relógio, a 23 segundos e Ivan Basso, segundo da geral e 5º no contra-relógio, a 01' 54". Lance Armstrong percorreu os 55,5 Km a uma velocidade média de 46,4 Km/h. Resta referir que o 3º classificado da geral teve um contra-relógio para esquecer. Para além de duas quedas, uma delas aparatosa, trocou de bicicleta cinco(!) vezes. Resultado, ficou em 77º no contra-relógio a 07' 47" de Armstrong, tendo pedido o 3º lugar da geral e caído para 7º a 11' 33'' de Armstrong. Um contra-relógio verdadeiramente desastroso.

Com a retirada anunciada do heptacampeão começa uma nova era no ciclismo de alta competição. A chegada aos Campos Elísios foi a consagração de um mito, um super-atleta que teve de sofrer para atingir o topo. Apenas três anos antes de conquistar o seu primeiro Tour, em 1999, foi-lhe diagnosticado cancro num testículo, no cérebro e no pulmão, que lhe dava menos de 50 por cento de probabilidade de sobreviver. Lance não só venceu o cancro, como se tornou mais forte, retirando-se da modalidade aos 33 anos, quando ainda poderia continuar a pedalar.

Abandonado pelo pai biológico, Eddie Gunderson, aos dois anos de idade, habituou-se a viver com a mãe Linda, que o viu nascer quando tinha apenas 17 anos. Privando com muitas dificuldades e tentando superar a grande instabilidade emocional da mãe, que se casou quatro vezes, Armstrong não teve uma infância feliz. Começou a sua carreira de atleta no triatlo, mas em 1991 optou pelo ciclismo, sagrando-se campeão americano amador e, dois anos depois, campeão do mundo. Em 1995 ganha a sua primeira etapa no Tour, dedicada de forma sentida ao colega de equipa Fabio Casartelli, que morreu durante a prova.

Em 1996, Lance já era número um mundial e não poderia imaginar que a sua vida iria mudar dramaticamente. Após o diagnóstico de cancro foi sujeito a intensos tratamentos de quimioterapia e recuperou a forma, regressando à competição em 98. Já ao serviço da US Postal, entrou em força no Tour de 1999, na primeira de sete conquistas. Foram muitos os momentos que marcaram a passagem de Armstrong pelas estradas francesas, desde os duelos com Ullrich ou Beloki, até à sombra de Ivan Basso.

Alguns adversários quiseram acusá-lo de utilizar doping, mas nunca isso foi provado, apesar das enormes baterias de testes a que era sujeito constantemente. Nenhum acusou positivo e o americano continuou a ganhar, afirmando o seu estilo de vida: «Não uso, nem nunca usei, drogas que aumentem o rendimento».

Agora que Lance Armstrong se retirou oficialmente, o nome do seu sucessor encerra uma enorme incógnita. É impossível sugerir de forma inequívoca quem será o seu herdeiro. Yaroslav Popovych, seu companheiro de equipa, ganhou o prémio da juventude e é um possível candidato a uma vitória no Tour de 2006. Ivan Basso possui todas as características de um campeão e, ao ser segundo da geral, conseguiu subir um degrau na classificação final em relação ao ano passado em que foi terceiro. Jan Ullrich acalenta o sonho de repetir a vitória de 1997 e 2006 será, provavelmente, o seu último ano como profissional.

Ainda há outros candidatos à coroa de 2006. Leipheimer pode ter perdido o quinto lugar da geral nos últimos metros dos Campos Elísios para Vinokourov, mas há que estar atento a este atleta. Há um outro americano, Floyd Landis , que vai tentar a sua sorte em 2006 e que terminou nos 10 primeiros no primeiro ano que que foi líder de uma equipa. Também não nos podemos esquecer de outras promessas como Francisco Mancebo, o agressivamente competitivo Oscar Pereiro Sio e o estreante deste ano Cadel Evans, um australiano que terminou o Tour de 2005 em oitavo e que parece possuir todas as características necessárias para vencer a mais importante prova de ciclismo do mundo: domínio da alta-montanha e dos contra-relógios.

Resta dar os parabéns a Lance Armstrong e desejar-lhe felicidades na sua nova vida que começou domingo, nos Campos Elísios.

20/07/2005

Tour de France 2005 - A mais difícil etapa de montanha



No domingo, 17 de Julho, disputou-se a mais difícil etapa de montanha do Tour. Com quatro subidas de 1ª categoria e uma Especial, totalizava cerca de 40 km a subir com uma inclinação média de 8%. Pela primeira vez ganhou um colega de equipa de Armstong, George Hincapie, tendo o camisola amarela chegado na frente do pelotão com cerca de 5 minutos de atraso. Nada que o preocupe já que os seus rivais directos na luta pela camisola amarela chegaram todos com ele ou depois dele.

Ontem disputou-se a última etapa nos pirinéus, sendo ganha pelo espanhol Óscar Pereiro Sio e ficando tudo na mesma lá na frente. A separar Armstrong do seu sétimo título consecutivo estão agora um contra-relógio, duas etapas de média montanha e duas outras tiradas planas, incluindo a de consagração com a meta nos Campos Elísios, em Paris. O Tour volta hoje ao terreno plano, depois de três dias nos Pirinéus e uma jornada de descanso. A 17ª etapa, que vai ligar Pau a Revel, é a mais longa da 92ª edição, com 239 quilómetros.



Ausentes desta tirada poderão estar os alemães Matthias Kessler e Andreas Klöden (T-Mobile), que vão ser submetidos a exames médicos, na sequência de uma queda registada pouco depois da partida de Mourenx. Kessler terá sofrido uma comoção cerebral e uma lesão nas vértebras, enquanto Kloden fracturou a mão direita. Andrey Kashechkin (Credit Agricole) também se feriu durante a 16ª etapa e vai ser submetido a uma radiografia. O cazaque foi atingido na cara por um cartão que um espectador empunhava. Pela imagem dá para ver os malucos que saem ao caminho dos ciclistas para participar na festa, mas que por vezes exageram na proximidade e causam problemas.

14/07/2005

Tour de France 2005 - A etapa-rainha dos Alpes



Eis a etapa mais difícil da secção dos Alpes do Tour de France 2005. Com uma sucessão impressionante de subidas, esta etapa configura-se como a mais complicada desta cadeia montanhosa, só suplantada nesta edição do Tour pela etapa Lézat-sur-Leze > Saint-Lary-Soulan, nos Pirinéus. A sucessão dos picos da Madeleine, do Télégraphe e do Galibier, perfazendo um total de 54,9 km de subidas arrasadoras, resultam num verdadeiro desafio alpino para os corredores.

O rei desta etapa foi Alexandre Vinokourov. Depois de a primeira etapa dos Alpes lhe ter sido verdadeiramente madrasta, ficou em 24º a mais de 5 minutos de Armstrong na etapa Grenoble > Courchevel, o cazaque resolveu demonstrar de forma cabal que também ele é um dos reis da montanha.



Atacando a subida de uma forma arrasadora, no topo do Galibier Vinokourov levava uma vantagem de 2 minutos e 45 segundos sobre o pelotão. Naturalmente que, logo após passagem do cume do Galibier, a equipa Discovery Channel tomou a liderança do pelotão e lançou uma perseguição diabólica pelas encostas dos Alpes abaixo, na tentativa de apanhar os dois fugitivos, já que Vinokourov tinha agora a companhia de Santiago Botero que o havia apanhado na descida após o cume do Galibier.

Os esforços do pelotão para apanhar os dois fugitivos revelaram-se infrutíferos. No entanto, conseguiram reduzir a diferença para apenas 1 minuto e 15 segundos, provavelmente porque Vinokourov não constituía nenhum perigo para a camisola amarela de Lance Armstrong.

13/07/2005

Tour de France 2005 - Começou a alta montanha, começou o espectáculo Armstrong



Com a primeira etapa nos Alpes, Grenoble > Courchevel, começou o ataque de Armstrong à camisola amarela. Esta etapa de 192,5 Km apresentava duas contagens de montanha de 1ª categoria. Uma das subidas começa ao km 96, subindo até aos 1967 m de altitude com um total de 20,1 Km e uma inclinação média de 6%. Depois, o percurso descia novamente até aos 495 m para atacar a segunda subida que terminava na chegada a 2000 m de altitude. Esta última subida para Courchevel tinha um total de 22,2 km e uma inclinação média de 6,2%.

Formou-se um grupo na frente que era composto por Lance Armstrong, Mickael Rasmussen (líder da classificação da montanha), Alejandro Valverde e Francisco Mancebo. Estes quatro encetaram uma fuga rumo a Courchevel, que terminou com a vitória efectiva de Valverde porque Armstrong desacelerou depois de perceber que tinha deixado Rasmussen bem para trás ao atacar a 100 metros da chegada. Aliás, este ataque de Armstrong demonstrou quem manda na alta montanha, já que deixou o homem da camisola das bolinhas (o líder da classificação da montanha) nas couves.

Armstrong recuperou a camisola amarela e amanhã será disputada a segunda etapa dos Alpes onde se espera que consiga consolidar ainda mais a sua vantagem rumo ao sétimo triunfo consecutivo na prova. Esta etapa, que na realidade vem substituir a mítica etapa que terminava em Alpe d'Huez, inclui a subida do Galibier. O Galibier vai ser subido pela sua vertente Norte (a mais difícil). Esta subida de 17,5 km apresenta uma inclinação média de 6,9 %, mas nas secções mais difíceis a inclinação atinge uns devastadores 14%.

11/07/2005

Tour de France 2005 - Por uns meros milímetros



Este sábado, disputou-se a etapa Pforzheim > Gérardmer com uma distância total de 231,5 Km. Esta etapa tinha um início marcado por 4 contagens de montanha de 3ª categoria, com várias delas a terem uma inclinação superior a 5%. Já perto do final, surgia a última contagem de montanha, esta mais a doer. Era a subida para Col de la Schlucht, uma contagem de 2ª categoria com o cume a 1139 m de altitude e que consistia numa subida de 16,8 km com uma inclinação de 4,4 %. Como dá para ver, era uma etapa durinha. No início da subida para Col de la Schlucht, um grupo de 7 corredores encetou uma fuga na tentativa de assegurar um dos lugares da frente da etapa. Lance Armstrong, que teve uma etapa para esquecer ao acabar em 20º, descreveu desta forma a subida para Col de la Schlucht: «Foi uma subida verdadeiramente peculiar. Não era particularmente inclinada e conseguimos uma velocidade permanente de cerca de 40km/h (!!)até ao cume. Isto não é nada habitual… tive de concentrar-me nos ataques que se processavam no pelotão e assegurar-me de que seguia os corredores certos de bem perto.»


No topo do cume, a vantagem dos dois ciclistas que tinham tomado a frente da fuga, Andreas Kloden e Pieter Weening , era de apenas 17 segundos. Nas palavras de Weening «Quando soube qual era a nossa vantagem no cume, tive a certeza de que seríamos apanhados pelo pelotão.» No entanto, em estreita colaboração um com o outro, conseguiram ampliar a vantagem de que dispunham na descida em direcção à meta, que estava a apenas 15 km. A chegada foi disputada ao sprint entre ambos e foi de tal forma renhida que o próprio photofinish suscitou algumas dúvidas aos juízes da prova. Não é caso para menos. A diferença horária entre ambos foi 0,0002 segundos. Admitindo que no topo de esforço do sprint cruzaram a meta a uma velocidade de 60 km/hora, temos que 60 km/hora é igual a 60.000.000 milímetros / 3600 segundos. Então

60.000.000 mm x 0,0002 seg / 3600 seg = 3,33 mm.

3,33 milímetros!!! É absolutamente espantoso!
Ah, é verdade, ganhou o holandês Pieter Weening.
Quase me esquecia desta informação...

08/07/2005

Tour de France 2005 - A chuva, as curvas e os pneus fininhos



A etapa Troyes > Nancy do Tour teve um protagonista chamado Christophe Mengin, da equipa Française des Jeux. Ao quilómetro 23 desta etapa, que tem um total de 199 km, encetou uma fuga graças à qual almejava ganhar a etapa que terminava na sua cidade natal. Apesar da chuva e do vento, lá foi cavando um fosso cada vez maior para os seus perseguidores, chegando a ter um avanço de 8 minutos e 30 segundos sobre o pelotão.

Naturalmente que o pelotão acabou por reagir e a 2,5 km da chegada Mengin já só tinha 11'' de avanço. Apesar disso, continuava a acreditar que era possível. E seguramente que o contra-ataque desferido por Vinokourov a 2 km da chegada não o iria fazer perder a crença na vitória.

Infelizmente, esperava-o um destino bem cruel ao quilómetro 199, precisamente na última curva da etapa, já com a meta à vista. O pavimento da Rue d’Auxonne, que estava tão escorregadio como um ringue de patinagem no gelo devido à chuva que caiu todo o dia, provocou uma perda de controlo da bicicleta por parte de Mengin e ele acabou a etapa contra as barreiras que delimitavam o percurso. Aliás, esta mesma curva ainda iria provocar uma queda colectiva aquando da passagem do pelotão.

Foi um fim triste para o sonho de Cristophe Mengin de ganhar a etapa da volta à França que terminava na sua terra natal.

07/07/2005

Por trás de um grande cirurgião, há sempre um grande ajudante



Artigo enviado pelo Nando. É uma história triste, que me faz lembrar o nojo que efectivamente somos enquanto seres humanos. É por isso que temos de combater estas tendências viscerais diariamente! Em memória de todos os que o fizeram por nós...
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Hamilton Naki, an unrecognised surgical pioneer, died on May 29th, aged 78

ON DECEMBER 3rd, 1967, the body of a young woman was brought to Hamilton Naki for dissection. She had been knocked down by a car as she went to buy a cake on a street in Cape Town, in South Africa. Her head injuries were so severe that she had been pronounced brain-dead at the hospital, but her heart, uninjured, had gone on furiously pumping.

Mr Naki was not meant to touch this body. The young woman, Denise Darvall, was white, and he was black. The rules of the hospital, and indeed the apartheid laws of the land, forbade him to enter a white operating theatre, cut white flesh, or have dealings with white blood.

For Mr Naki, however, the Groote Schuur hospital had made a secret exception. This black man, with his steady, dexterous hands and razor-sharp mind, was simply too good at the delicate, bloody work of organ transplantation. The chief transplant surgeon, the young, handsome, famously temperamental Christiaan Barnard, had asked to have him on his team. So the hospital had agreed, saying, as Mr Naki remembered, "Look, we are allowing you to do this, but you must know that you are black and that's the blood of the white. Nobody must know what you are doing."

Nobody, indeed, knew. On that December day, in one part of the operating suite, Barnard in a blaze of publicity prepared Louis Washkansky, the world's first recipient of a transplanted human heart.

Fifteen metres away, behind a glass panel, Mr Naki's skilled black hands plucked the white heart from the white corpse and, for hours, hosed every trace of blood from it, replacing it with Washkansky's. The heart, set pumping again with electrodes, was passed to the other side of the screen, and Mr Barnard became, overnight, the most celebrated doctor in the world.
In some of the post-operation photographs Mr Naki inadvertently appeared, smiling broadly in his white coat, at Barnard's side. He was a cleaner, the hospital explained, or a gardener. Hospital records listed him that way, though his pay, a few hundred dollars a month, was actually that of a senior lab technician. It was the most they could give, officials later explained, to someone who had no diploma.

There had never been any question of diplomas. Mr Naki, born in the village of Ngcangane in the windswept Eastern Cape, had been pulled out of school at 14, when his family could no longer afford it. His life seemed likely to be cattle-herding, barefoot and in sheepskins, like many of his contemporaries. Instead, he hitch-hiked to Cape Town to find work, and managed to land a job tending lawns and rolling tennis courts at the University of Cape Town Medical School.
A black--even one as clever as he was, and as immaculately dressed, in a clean shirt, tie and Homburg hat even to work in the gardens--could not expect to get much further. But a lucky break came when, in 1954, the head of the animal research lab at the Medical School asked him for help. Robert Goetz needed a strong young man to hold down a giraffe while he dissected its neck to see why giraffes did not faint when they drank. Mr Naki coped admirably, and was taken on: at first to clean cages, then to hold and anaesthetise the animals, then to operate on them.

STEALING WITH HIS EYES
The lab was busy, with constant transplant operations on pigs and dogs to train doctors, eventually, for work on humans. Mr Naki never learned the techniques formally; as he put it, "I stole with my eyes". But he became an expert at liver transplants, far trickier than heart transplants, and was soon teaching others. Over 40 years he instructed several thousand trainee surgeons, several of whom moved on to become heads of departments. Barnard admitted--though not until 2001, just before he died--that Mr Naki was probably technically better than he was, and certainly defter at stitching up afterwards.

Unsung, though not unappreciated, Mr Naki continued to work at the Medical School until 1991. When he retired, he drew a gardener's pension: 760 rand, or about $275, a month. He exploited his medical contacts to raise funds for a rural school and a mobile clinic in the Eastern Cape, but never thought of money for himself. As a result, he could pay for only one of his five children to stay to the end of high school. Recognition, with the National Order of Mapungubwe and an honorary degree in medicine from the University of Cape Town, came only a few years before his death, and long after South Africa's return to black rule.

He took it well. Bitterness was not in his nature, and he had had years of training to accept his life as apartheid had made it. On that December day in 1967, for example, as Barnard played host to the world's adoring press, Mr Naki, as usual, caught the bus home. Strikes, riots and road blocks often delayed it in those days. When it came, it carried him--in his carefully pressed suit, with his well-shined shoes--to his one-room shack in the township of Langa. Because he was sending most of his pay to his wife and family, left behind in Transkei, he could not afford electricity or running water. But he would always buy a daily newspaper; and there, the next day, he could read in banner headlines of what he had done, secretly, with his black hands, with a white heart.

Tour de France 2005 - A culpa foi da corrente



Já se sabe o que provocou a queda de David Zabriskie: foi a corrente que ficou presa entre dois dentes do carreto da frente o que provocou uma paragem imediata da circulação da corrente e da rotação dos pedais. No limite de esforço a que Zabriskie ia, o resultado foi uma queda violenta. A imagem ilustra bem o estado em que ele ficou. Atrás de si vinha o seu colega Ivan Basso que não embateu nele por mero milagre, nas suas próprias palavras.

Na etapa de ontem, Lance Armstrong, depois de ter visto as imagens da queda do seu adversário, recusou-se a envergar a Camisola Amarela de líder por achar que a havia ganho de forma imerecida, na senda do que havia feito Eddy Merckx em 1971 após a violenta queda de Luis Ocaña nos pirinéus que lhe deu a liderança da prova.

Lance Armstrong reconheceu, após ver as imagens na televisão, já no hotel, que a queda de “Z”, como é chamado, desestabilizou a corrida da equipa. “Não seria justo vestir a camisola amarela nesta etapa depois do que aconteceu. Vi as imagens e achei que não seria correcto da minha parte. Perder daquela maneira, por dois segundos... Zabriskie teve azar, não merecia”, afirmou Armstrong. No entanto, os regulamentos proíbem expressamente os líderes, sejam da classificação geral, pontos, montanha ou juventude, de dispensarem as camisolas devidas, sob pena de serem expulsos da prova. Armstrong ainda tentou dialogar com o director Jean-Marie Leblanc, mas este mostrou-se inflexível. “Não discutimos propriamente o assunto. Ele disse-me que se eu não vestisse a camisola não podia correr”, explicou o norte-americano. “E eu preferi vesti-la”.

Efectivamente, os tempos são outros e a publicidade fala mais alto que o cavalheirismo.

05/07/2005

Tour de France 2005 - Sob o signo do sete



No passado dia 2, começou o Tour 2005. Hoje, disputou-se a primeira prova de fogo com o primeiro contra-relógio por equipas na etapa entre Tours e Blois, com uma distância total de 67,5 Km. Ganhou a nova equipa de Lance Armstrong, a Discovery Channel Team, que tenta este ano a sua sétima (!) vitória consecutiva. Segundo ele, será a última vez que disputa esta mítica prova. Há que referir que a equipa de Lance Armstrong foi bafejada pela sorte. A CSC, onde corria o camisola amarela provisório, Dave Zabriskie, ia bem largada para tentar ganhar este contra-relógio por equipas quando a dois quilómetros da chegada ele teve uma aparatosa queda por entre os seus companheiros. Sendo um milagre não ter caído mais ninguém, já que eles seguia bem compactos, não se livrou de ter deixado alguma pele no alcatrão e só lhe restou ver os colegas desaparecerem no horizonte rumo à meta. Ninguém percebeu lá muito bem o que se passou realmente. Eles iam tão compactos que as imagens não são esclarecedoras. O mais provável é ter sido tocado por um dos seus companheiros de equipa. Também seria possível uma avaria mecânica, mas ele montou novamente na bicicleta, um pouco abananado é certo, e seguiu até final pelos seus meios. Efectivamente, a CSC estava preparada para ganhar a etapa e acabou por perdê-la por uns meros 2(!) segundos. Mesmo que não tenha parado quando ocorreu a queda, naturalmente que a queda do camisola amarela os perturbou o suficente para perderem segundos verdadeiramente preciosos.

Só para se ter noção de como este ciclistas são autênticas máquinas infernais de pedalar, foi batido o recorde de média horária numa prova de contra-relógio no Tour. Os 67,5 Km foram percorridos num tempo impressionante de 1 hora, 10 minutos e 39 segundos. Isto dá uma média horária de 57,31 km/h(!), com arranque parado. O recorde anterior, que já durava desde 1995, era de 54,93 km/h. Assim de repente, até poderá nem parecer muito, mas acreditem que é um ritmo verdadeiramente infernal! Nunca deixo de me espantar com o ritmo deste atletas profissionais. Já no Tour de 2004 aqui tinha deixado a minha perplexidade pelos seus feitos. Ficamos à espera das etapas-rainhas dos Alpes para saborear novamente a emoção da Grande Boucle.