29/08/2005

Curiosidades: A Matemática e o Futebol em Portugal


Que poderão ter em comum a matemática, os incêndios florestais e o futebol em Portugal? Tudo! Não me considero especialmente bom a matemática, mas também não sou propriamente um mentecapto a fazer contas. É por esse motivo que fico extremamente irritado quando oiço repetida e rotineiramente os mesmos erros idiotas na comunicação social. Vamos lá estudar o problema. Estamos na época dos incêndios e o país tem sido devastado por vagas sucessivas de violentos incêndios. O cálculo da área ardida é feito em Hectares.

Ora o hectare, cujo nome vem da designação grega para cem que é hecatonta, e que significa um quadrado com 100m x 100 m. Isto quer dizer que um hectare corresponde a um quadrado com uma área de 100m x 100m ou seja de 10.000 m². Até aqui tudo bem.

Vamos à segunda parte do problema. Um campo de futebol internacional, que são os maiorezinhos, tem, segundo os regulamentos FIFA, um comprimento máximo entre 100 metros e 110 metros, o que resulta num comprimento médio de 105 metros. Quanto à largura, um campo de futebol internacional tem de ter entre 64 e 75 metros, ou seja uma largura média de 70 metros.

Então, a área média de um campo de futebol será de 105m x 70m que é igual a 7.350 m². Ora, se um campo de futebol tem, em média, 7.350 m² é um pouco estúpido e, sobretudo, ignorante afirmar-se repetidamente que «a área ardida foi 100Ha, que é equivalente a 100 campos de futebol.» Fazendo as contas, 100Ha são 1.000.000 m² e 100 campos de futebol são 735.000 m². É um erro de mais de 25%! Na realidade, 100Ha são equivalentes a 136 campos de futebol. A cada quatro campos de futebol dos jornalistas, perde-se mais de um de área ardida real no terreno. Para agravar ainda mais esta absurda comparação, lembro que o comum dos mortais acha que um campo de futebol terá cerca de 100m x 50m. Isto inflaciona ainda mais o erro, elevando-o para a casa dos 50%. Em boa verdade, 5.000 m² é metade dos 10.000 m² que tem na realidade um hectare...

24/08/2005

Desporto: O Ladrão Norueguês à Porta do Galinheiro do Ricardo



Pois é... antes de mais gostaria de deixar aqui bem expresso que estou satisfeito por a previsão do Mister Peseiro se ter confirmado: marcámos dois golos em Itália. Pena mesmo foi termos sofrido três! Depois do roubo de igreja a que assistimos em Alvalade, um penálti mal assinalado para os italianos e dois roubados ao Sporting, voltámos a assistir a uma demonstração de qualidade da arbitragem europeia com o árbitro norueguês Terje Hauge a dedicar o belo penálti que assinalou à família. "Penso que foi um belo penálti, assinalado com qualidade e dou graças a Deus por ter tido a oportunidade de o imaginar ontem e de o executar hoje.", terá dito após o jogo.

Como não bastava mais um penálti airoso, já que foi o ar que deitou abaixo o palhaço do avançado italiano, que deu o 2-0 na eliminatória aos italianos, entrou em cena um dos melhores artistas da bola na sua especialidade: a frangalhada. Sim, já sabemos que o Mister diz que se não for um bom frango não vale a pena comê-lo. Ricardo eleva ao expoente máximo a divisa da Lusiaves. Depois de na sexta-feira nos ter presenteado com o "Frango à Belém", felizmente mitigado pela vitória do Sporting por 2-1 sobre o Belenenses, ontem foi a vez da deliciosa "Pizza de Frango". Entre os dois árbitros, novos propretários embevecidos de dois belos exemplares das melhores máquinas desportivas motorizadas italianas, e a incapacidade do nosso treinador e dos seus treinados em fazer qualquer coisa com pés e cabeça, fomos para à Taça UEFA. Ao menos que consigamos chegar à final novamente.

Já agora, e porque tenho memória, gostaria de recordar que o único motivo de estarmos a disputar a pré-eliminatória do acesso à Liga dos Campeões, deve-se ao absurdo de termos perdido o último jogo da época passada, em casa, com o Nacional da Madeira por 2-4, tendo o Porto empatado com a Académica 1-1. No final, ficámos com 61 pontos e o Porto ficou à nossa frente com 62. Não é preciso ser um génio para perceber que, se tivéssemos ganho ao Nacional da Madeira, em casa(!), tínhamos entrado directamente na Liga dos Campeões. Não é assim Mister Peseiro?

11/08/2005

Desporto: A Máfia Grega



O Sporting perdeu na primeira mão da pré-eliminatória com os italianos da Udinese. Perdeu com um penálti mal assinalado (a falta é cometida fora da área) e com o roubo de dois(!) penáltis cometidos sobre o Liedson. A somar a tudo isto ainda há a pandacaria distribuída em campo pelos jogadores de Udine sempre, é claro, com a conivência do árbitro grego. Francamente, em termos futebolísticos já ando com os gregos pelos poucos cabelos que me restam.

De referir a impressionante estatística do jogo:
Sporting
23 remates 1 poste 12 defendidos 0 golos 10 fora 1 pequena-área 11 grande-área 11 fora da área 0 eficácia remate/golo 16 faltas cometidas 11 cantos 8 foras-de-jogo

Udinese
3 remates 1 poste 0 defendidos 1 golos 1 fora 0 pequena-área 1 grande-área 2 fora da área 0 eficácia remate/golo 22 faltas cometidas 0 cantos 7 foras-de-jogo

O Sporting acabou por pagar bem caro o desacerto na finalização. Como foi possível fazer mais 20 remates, ter mais 11 cantos e o nosso guarda-redes não ter feito NENHUMA defesa e perder o jogo? É fácil, a Udinese jogou o infame Catenaccio que quer dizer destruir, dar porrada, cortar, interromper, não deixar jogar e, naturalmente, não criar jogo absolutamente nenhum também.

Apenas por curiosidade, em italiano "catenaccio" quer dizer "ferrolho", ou seja trancas à porta e porrada nos adversários. Foi celebrizado pelo treinador argentino Helénio Herrera do Inter de Milão do anos 60 do século XX, tendo servido para arrancar inúmeras escassas vitórias por 1-0 sobre os adversários.