29/01/2006

Futebol: Humilhação Para o Jantar

Hoje, o Sporting derrotou o Benfica na Luz por uns expressivos 1-3. Foi com prazer que se assistiu não ao «Inferno da Luz» mas sim ao «Inferno na Luz». O Benfica até marcou primeiro de grande penalidade. No entanto, o melhor do jogo estava reservado para a segunda parte. Liedson fez uma exibição sensacional marcando os dois últimos golos e sofrendo a falta que originou o penálti de que resultaria no primeiro golo, o do empate. Em boa verdade, é difícil de perceber por que raio de motivo o Benfica jogou tão mal. Bem sei que uma equipa só joga o que a outra deixa jogar, mas depois do Sporting que tenho visto nos últimos jogos, não os julgava capazes de darem este bailinho ao Benfica. Felizmente, enganei-me redondamente. O benfica jogou tão mal que creio mesmo que em todo o jogo deve ter feito uns três remates à baliza de Ricardo, um dos quais na conversão do penálti. Aliás, não me lembro de nenhum(!) remate do Benfica na segunda parte do jogo. Para a história fica o resultado, revestido de contornos de humilhação. A maldade que Liedson faz ao Luisão quando marca o segundo golo é de antologia e deve ter deixado o enorme central brasileiro com os olhos trocados e os rins feitos em cacos... Voltámos a aproximar-nos dos lugares da frente já que o Porto escorregou em Vila do Conde, frente ao Rio Ave, empatando a zero. Será que temos estaleca para começar a jogar bem e discutir o campeonato? Na próxima jornada temos já novo teste a sério. Jogamos com o Nacional da Madeira que vai dois pontos à nossa frente em terceiro, empatado com o Braga.

BTT: Rotas das Fontes 2006

Com este passeio, foi oficialmente declarada aberta a Temporada de Passeios BTT 2006. Passeio relativamente simples, mesmo bom para retomar a... pedalada. Este passeio já é um clássico no calendário da BTTour e desenrolou-se sem casos de maior.







De registar apenas uma violenta queda de uma companheiro mesmo à minha frente. Francamente, não sei como raio é que ele caiu, mas vínhamos por uma descida relativamente rápida abaixo quando ele perdeu o controlo da bicicleta e mandou um espalho valente. Enfim, depois de recuperar um bocadinho, lá montou a bicicleta novamente. Em boa verdade, aquilo vai doer a sério é logo à noite... não sei se me faço entender.


Houve muita lama e chuva neste passeio, mesmo bom para regressar à activade em condições... difíceis. Foi por esse motivo que este passeio serviu para estrear o meu equipamento de chuva que funcionou às mil maravilhas. Finalmente consigo andar à chuva sem ficar ensopado que nem um pinto. Lá diz o ditado, sem as ferramentas certas é difícil fazer um bom trabalho.




Eis o track GPS no Google Earth. Este passeio tem como principais pontos de interesse o sobe e desce no cimo da falésia, sempre acompanhado de uma esplenderosa vista de mar (não que desta vez houvesse muito para ver para além do nevoeiro e da chuva) e a emocionante descida para a Praia de São Julião.

27/01/2006

Mozart: Aeternum Amadeus

27 de Janeiro de 1756. Há 250 anos, exactamente às 20:00, nascia em Salzburgo uma criança tão diferente de todas as outras. Não vieram Reis Magos adorá-lo nem nasceu numa mangedoura. Mozart nasceu Joannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart (em alemão Joannes Chrisostomos Wolfgang Gotlieb Mozart). Teophilus (em grego) e Goetlieb (em alemão) querem dizer o "Amado de Deus" do qual Mozart extraiu a forma latina que adoptou "Amadeus". Eternamente amado por Deus e pelos homens, para mim será sempre a prova de que se Deus voltou à terra encarnado em Jesus para redimir a humanidade, regressou novamente encarnado em Mozart para nos dizer que se faz música no céu. Bem-hajas, ó Criador Celeste, pela benção de teres partilhado connosco o teu Anjo Musical predilecto.

25/01/2006

Política: Presidenciais 2006

O homem que aqui vêm a trepar a um coqueiro em Moçambique é o novo presidente de Portugal. É caso para dizer que os tempos eram outros mas as tristes figuras não. No dia 22 de Janeiro lá tivemos as Presidenciais 2006. As eleições foram ganhas por Cavaco Silva à primeira volta por uma unha negra. Obteve 50,59% dos votos. A grande vantagem desta eleição logo à primeira volta é que, em circunstâncias normais, só voltamos a ter eleições daqui a três anos e meio. Relativamente aos resultados, não me consigo decidir se o melhor foi mesmo a eleição de Cavaco Silva ou se foi o terceiro lugar obtido por Mário Soares, logo atrás de Manuel Alegre. Para ter sido uma noite perfeita faltou o Francisco Anacleto Louçã ter ficado abaixo dos 5% e, consequentemente, a chuchar no dedo relativamente ao dinheiro que os políticos nos roubam com as eleições. Como não foi o caso, lá vamos ter de lhe pagar cerca de 300.000 euros (!!!) para lhe pagar as despesas que teve com a campanha. Esta de o erário público pagar os caprichos pessoais dos candidatos a Presidente da República não lembra a ninguém. Sim, caprichos porque ninguém os obriga a candidatarem-se e eles só o fazem porque querem. Também deviam ter de arranjar fundos para essas estroinices sem incomodarem as parcas finanças da nação.

A apimentar a noite eleitoral tivemos o episódio em que no momento do discurso de Manuel Alegre, José Sócrates entra na sala de imprensa do PS e começa a discursar por cima do segundo classificado das eleições. As televisões, bem cientes da mão que lhe dá comidinha na forma de subsídios e outras agradáveis subvenções, mudaram todas para o discurso de Sócrates, deixando Alegre verdadeiramente a «falar para o boneco». Helena Roseta, que estava como comentadora na emissão da SIC, insurgiu-se imediatamente dizendo que era uma falta de educação e de vergonha o que Sócrates acabara de fazer. O PS apressou-se a justificar dizendo que não o tinha feito com nenhuma intenção e que tudo não passara de uma infeliz coincidência. Chegaram inclusive a referir que como Sócrates anda de muletas (lesionou-se a esquiar na estância de esqui mais cara da Suíça, dando um brilhante exemplo de como um responsável político deve mostrar aos seus concidadãos como está preocupado com a crise que nos afecta a todos) demorou mais tempo do que o previsto a chegar à sala de imprensa do Largo do Rato. Enfim, as acções ficam com quem as pratica e que a canalha política é abjecta e repulsiva já nós sabemos há muito tempo. Para a história ficam os resultados:

Candidato Votos %
CAVACO SILVA 2.745.887 50,59
MANUEL ALEGRE 1.124.696 20,72
MÁRIO SOARES 778.453 14,34
JERÓNIMO SOUSA 466.423 8,59
FRANCISCO LOUÇÃ 288.236 5,31
GARCIA PEREIRA 23.617 0,44

23/01/2006

Nevou em Azeitão!

É verdade, hoje nevou bastante na região Centro e no Sul de Portugal. Em Lisboa não nevava há mais de 49 anos, mais concretamente desde 1957. Em Azeitão nevou muito pouco, foi quase só uma ameaça de neve. No entanto, houve locais do Centro e Sul onde nevou bastante como, por exemplo em Évora .
Na Serra de Aire, onde já tanto pedalei e onde vou voltar no dia 12 de Fevereiro, caiu um forte nevão, na Figueira da Foz a praia ficou totalmente coberta por um manto de neve e em Lisboa nevou o suficiente para ficar tudo branco. Até na Serra do Caldeirão, no Algarve, nevou!
Esta fotografia é apenas uma curiosidade mostrando a Alameda D. Afonso Henriques em 1957, quando havia nevado da última vez em Lisboa.

19/01/2006

Política: É a Informática Estúpido!

Esta história dos registos telefónicos de altas patentes do Estado que foram apanhados por um jornal e que estavam escondidos numa listagem enviada pela Polícia Judiciária para um qualquer tribunal vem pôr a nu um gritante problema da Função Pública em geral: a sua chocante falta de formação específica. Naturalmente que qualquer pessoa que saiba usar minimamente o Excel sabe que se podem inserir e remover/ocultar comentário nos misteriosos ficheirinhos .xls. Aliás, a prova cabal de que os funcionários públicos não têm formação para usar uma coisa tão simples como o Excel, foi a história do Orçamento de Estado 2006 em que, num acto pomposo de modernidade, o Governo distribuiu aos jornalistas um CD com os ficheiros Excel do OE mas que, infelizmente para eles, continham comentários do tipo «Aqui temos de disfarçar», «Este valor tem de ser escondido», «Valor fictício», etc. Lá diz o adágio que o exemplo deve vir de cima e o Governo demonstra até à exaustão que lhe falta a mais elementar formação para utilizar as suas ferramentas do dia a dia. Aliás, a sua impreparação é tal que Mário Soares, político experiente, afirmou recentemente que tinha enviado um SOS ao Ministro da Defesa para falar com ele sobre um problema qualquer. Um SOS... Socorro, salvem-nos mas é a nós todos desta corja de inúteis!

09/01/2006

Política: Soares Como Maria Barroso Acha Que Ele Não É

Maria Barroso ficou chocada com o jornalismo rasteiro, na sua opinião, demonstrado pelo Expresso desta semana ao colocar na capa da sua edição a fotografia que aqui mostro. Chocada porque ela é da opinião que a fotografia mostra um homem idoso, obviamente cansado, verdadeiramente envelhecido e que isso pode transmitir uma imagem que não é verdadeira. Maria Barroso acha que a imagem reduz Mário Soares ao que ele não é: um homem idoso, obviamente cansado, verdadeiramente envelhecido. Infelizmente, cara Maria, a imagem é tão verdadeira como a imagem de Cavaco Silva que mostra uma homem rígido, empertigado e pouco à vontade. Talvez Maria Barroso, habituada a uma qualquer praxis dos camaradas socialistas, pense que o Expresso devia ter previamente falado com o camarada Soares para saber se ele gostava da fotografia que iam publicar. Os tempos e os países em que os camaradas socialistas controlam a imprensa estão, felizmente, cada vez mais longe da realidade actual. É claro que quando o Expresso apoiou de forma veemente o volte-de-face promovido por Jorge Sampaio, o pior Presidente da República desde o 25 de Abril, para levar para o governo da nação José Sócrates, que, recordo, envolveu a inenarrável imolação pública do anterior dirigente dos socialistas Ferro Rodrigues com insinuações torpes relativamente ao seu alegado envolvimento no escândalo da Casa Pia, a camarada Maria Barroso já não achou que o jornalismo do Expresso estivesse enquistado de um qualquer anti-socialismo primário. «Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades»...

03/01/2006

Ficção: Conselho de Ministros do Governo Socialista (Onírico)

«Boa tarde meus senhores!»
(todos em coro)
«Boa tarde Sr. Primeiro Ministro!»
«Ora então qual é a agenda de trabalhos?»
Diz um Acessor Absurdamente Bem Pago «Bem, temos um problema muito grave com a Justiça, a Saúde vai de mal a pior, a Economia está a dar um trambolhão valente, dizem que somos mentirosos, o desemprego cavalga de forma desenfreada, os professores querem mais regalias e menos trabalho, os polícias querem equipamento decente para combater os criminosos e não conseguimos conter as despesas de estado.»
(pequeno burburinho na sala)

Pergunta o Primeiro Ministro «Sim... e não há nada mais importante para tratar?»
O Acessor Absurdamente Bem Pago consulta as suas notas «Há... é preciso nomear um conjunto de camaradas para cargos importantes, temos de arranjar uma colocação sonante para o camarada Pedroso e decidir como nos vemos livres do camarada poeta Alegre...»
«Ah, isso sim, é importante! O resto que se lixe» exclama o Primeiro Ministro entusiasmado, incendiando a reunião com fervor ao recorrer a esta linguagem mais vernácula com o intuito esperto de se tornar mais próximo dos restantes ministros. «Então quem temos para colocar?»
O Acessor Absurdamente Bem Pago começa a desfiar o rol de camaradas em lista de espera por ordem de prioridade, anos de camaradagem, favores prestados ao partido, familiares directos e indirectos de camaradas a colocar em cargos menores, porém bem pagos, etc. Após duas horas de acesa discussão e depois de decidida a colocação de mais de uma centena de camaradas, os quatro funcionários da Imprensa Nacional Casa da Moeda que assistiam ao Conselho de Ministros trataram logo da papelada necessária e três horas depois os despachos já haviam sido assinados e publicados. Não é de estranhar. Havia sido uma sábia decisão que este Governo tinha implementado, já que a presença próxima do Conselho de Ministros destes funcionários da INCM aligeirava, e muito, o processo da publicação das colocações dos camaradas. Ainda restavam dez minutos de Conselho de Ministros e o Primeiro Ministro, após 7 minutos em que se falou um pouco de futebol, voltou a pedir a Agenda de Trabalhos ao Acessor Absurdamente Bem Pago. Ele lá voltou a desfiar o rol «Bem, temos um problema muito grave com a Justiça, a Saúde vai de mal a pior, a Economia está a dar um trambolhão valente, dizem que somos mentirosos, o desemprego cavalga de forma desenfreada, os professores querem mais regalias e menos trabalho, os polícias querem equipamento decente para combater os criminosos, e não conseguimos conter as despesas de estado. No entanto, Senhor Primeiro Ministro, penso que já não temos tempo para estes pontos da agenda.»

O Primeiro Ministro, apreciando a fina inteligência denotada pelo Acessor Absurdamente Bem Pago, concordou. «Camaradas, adiamos a discussão destes itens da agenda para a semana que vem.» O Acessor Absurdamente Bem Pago, recordou ao Primeiro Ministro que para a semana havia um feriado na sexta-feira e que o Governo ia dar tolerância de ponto ao funcionários públicos na quinta-feira e que por esse motivo não haveria Conselho de Ministros nessa semana. «Óptimo!», exclamou o Primeiro Ministro «Nesse caso, continuamos na semana seguinte.» O Acessor Absurdamente Bem Pago observou que na semana seguinte também não poderia ser já que o camarada Mário Soares, que estava em pré-campanha para as Presidenciais, tinha convidado o Governo para ir na sua comitiva de 371 individualidades ao Brasil, nas sua palavras «para recordar bons velhos tempos!». O Primeiro Ministro pensava por esta altura que era fundamental aumentar este Acessor Absurdamente Bem Pago. Seis mil e quinhentos euros por mês, a recibo verde vezes catorze meses, estava bem abaixo do que ele merecia!

À saída, lá estavam os jornalistas para a habitual conferência de imprensa. O ministro adjunto informou que durante o Conselho de Ministros se discutiu sobretudo o aflitivo problema do desemprego em Portugal. Além disso falou-se também das questões das Presidenciais e que se tinham tomado «resoluções preliminares» (o que quer que isso queira dizer...) «para resolver o gravíssimo problema da Justiça, para melhorar a Saúde, havia sido analisado com preocupação o problema da Economia, a efectiva implementação das medidas que constavam do Programa do Governo, que a matéria da situação dos professores poderia ter desenvolvimentos positivos a curto prazo, que as forças da ordem seria eventualmente reforçadas para o combate ao crime e que o problema das despesas do Estado tinha sido objecto de estudo aturado».