Os demolidores Trilhos da Pedra Branca
No domingo, dia 10 de Outubro, o João Nuno e eu participámos em mais um passeio da BTTour, denominado “Os Trilhos da Pedra Branca”, com uma extensão total de 39 km. Estabelecemos a nossa base no Tramagal, para onde fomos na sexta-feira, já que o passeio se desenrolou no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros que fica a apenas 60 km do Tramagal.

Os preparativos para a partida para as Serras de Aire e Candeeiros
Eles bem avisaram que o passeio era de nível de dificuldade 5 em 5, o máximo. E foi realmente demolidor! Claro que não ajudou nada ter chovido bastante nos dias anteriores e mesmo durante o próprio passeio.

Uma amostra de um trilho de calhaus na subida para a Fórnea
As Serras de Aire e Candeeiros são um maciço calcário de onde podiam ter sido extraídas todas as pedras de calçada do país. Aliás, os trilhos por onde andámos ao contrário de estradões de terra batida ou encostas graníticas, eram um enorme tapete de lascas de pedras de calçada que variavam entre o muito pequeno e enormes calhaus. E não estou a exagerar... a comparação possível é como se um qualquer calceteiro gigante tivesse andado a partir pedras de calçada e as largasse aos milhões pelas estradas da serra, forrando-as a lascas de pedras de calçada.

A vista do alto da Fórnea, fantástica!
Conclusão, com a chuva, a lama, o musgo e alguma, pouquíssima, vegetação, havia zonas onde parecia que andávamos sobre gelo. É também um tipo de terreno perfeitamente demolidor para os braços e pulsos. Se juntarmos a isto subidas de arrepiar qualquer mortal que se preze e descidas com declives acentuados, temos um passeio de dificuldade realmente máxima, potenciada pelas péssimas condições atmosféricas com que nos deparámos. No briefing inicial, o José Neves avisou que o piso estava extremamente perigoso por causa da chuva e da lama, e que uma queda sobre este tipo de piso poderia facilmente resultar num braço ou perna partidos. Eu tive duas quedas, mas ambas foram, felizmente, absolutamente benignas. Tive alguma sorte, pois caí sempre de forma muito controlada e em zonas pouco perigosas.

Calhaus + calhaus + calhaus...
Sobre o passeio propriamente dito, começava com uma longa e penosa subida para a Fórnea, de onde podíamos desfrutar de uma fantástica vista sobre o maciço calcário. Depois, começava a excitante, e perigosa, Descida da Cobra que, fazendo jus ao nome, serpenteava encosta abaixo e onde rolávamos sobre, seguramente, milhões de calhaus que cobriam o trilho e convidavam a cautelas redobradas. Nesta descida havia de tudo: degraus tipo escada, enormes calhaus para galgar, curvas a 180° e uma vista deslumbrante encosta abaixo. Foi, seguramente, a melhor parte de todo passeio.

A descida da cobra
Depois de chegarmos à base da Fórnea, trepámos mais uns quilómetros e fomos ver a gruta a que se chama a Cova da Velha. Para lá chegar, tivemos de subir a pé a vertente da Fórnea que havíamos acabado de descer o que foi extremamente difícil. Eram uns bons 200 metros sempre a pique com uma inclinação francamente estuporada. Aqui, havia muita lama barrenta e espessa e foi muito difícil de subir e mais ainda de descer, apresentando um piso muito traiçoeiro. Achei curioso o percurso estar marcado com os símbolos dos caminhantes utilizados para marcar a Grande Rota das Aldeias Históricas e os Caminhos de Santiago. Quanto à Cova da Velha, era uma gruta francamente desinteressante. Um buraco na rocha e pouco mais. Uma enorme desilusão, à custa de um imenso esforço físico a pé!

E as vacas a pensar: gandas malucos...
Entretanto, o cansaço já começava a instalar-se e, para agravar a situação, eu e o João Nuno não tínhamos levado farnel para almoçar. Conclusão, estávamos a pedalar em intenso exercício físico desde as 10:30 da manhã e às 14:00 tínhamos comido 4 ou 5 barras energéticas e pouco mais. Valeu-nos a camaradagem de um companheiro que nos ofereceu uma banana seca para partilharmos. Nunca tínhamos comido tal coisa, mas não é nada mau. Aparentemente, não se vende por cá e aquela tinha vindo do Brasil. Não termos levado comida foi um erro estratégico que a mim me valeu uma parte final do passeio extremamente penosa, pois tive uma dificuldade imensa para manter a concentração no piso e nos obstáculos que surgiam nas descidas que faltavam. E acreditem que eram muitos!

Olha quem queria comer qualquer coisita... só há banana seca... © BTTour
Bom, mais a pé ou mais sentados sobre a bicicleta, lá fomos negociando as subidas que faltavam, que as descidas por esta altura já sabiam mesmo muito bem. Nesta zona do percurso, a lama era tão espessa que conseguia fazer uma pasta com os calhaus de calcário que havia pelo chão. Era de tal forma, que as rodas deixavam de rodar por esta pasta se prender nos calços dos travões e impedir a sua rotação, sobretudo na roda de trás.
Chegámos ao fim do passeio por volta das 16:00, comemos, como se não houvesse amanhã, o pão com chouriço e as tortas que a organização tinha à nossa espera, bebemos chá quentinho, trocámos de roupa, esperámos pelo sorteio de uns brindes finais e partimos por volta das 17:00 de regresso ao Tramagal onde chegámos por volta das 18:00.


Se as bicicletas chegaram neste estado... imaginem como é que nós chegámos!
Conclusão, este passeio foi de facto extremamente duro e longo. A bicicleta e eu levámos pancada como nunca tínhamos levado. Foi o mais difícil que já fiz até hoje, mas são estes passeios que ficam na memória. Felizmente, cheguei ao fim cansado, mas inteiro e satisfeito por ter conseguido negociar, de melhor ou pior forma, todos os inúmeros obstáculos e o intenso esforço físico.

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