21/11/2005

BTT: Travessia das Linhas de Torres

Clicar para ampliarÉpica, é a melhor descrição para a Travessia das Linhas de Torres (organizada pela Cabra Montêz) em que participei no dia 20 de Novembro de 2005. Chovia abundantemente, havia uma enorme quantidade de lama por todo o lado, fazia muito frio. Houve uma altura em que chovia tanto que eu conseguia beber a água que me escorria pela cara baixo. Estivemos quase sempre a passar por dentro de enormes poças de água ou de lama. Ou de lama e de água, numa interminável sucessão de água e lama. Quando era preciso pôr um pé no chão, a lama engolia o pé até logo abaixo do joelho, fazendo depois aquele ruído de sucção quando puxávamos o pé para cima. A lama era tanta que houve descidas em que tínhamos de pedalar para não parar! Se era assim nas descidas, imaginem nas subidas. Aguentei bem os primeiros 30 Km, com frio e muito molhado. Dava para aguentar relativamente bem enquanto nos mantivéssemos em movimento e, sobretudo, a pedalar. O pior foi quando parámos para almoçar. Totalmente molhado, arrefeci imediatamente, fiquei cheio de frio e tremia que nem varas verdes. Tinha partido para esta travessia de calções, manga curta, meias e luvas de verão e um casaco que quando chove muito deixa passar água. Com diriam os brasileiros «ó insensatez»... Achei que o tempo iria melhorar, mas essa vaga e remota probabilidade não se veio a confirmar. Tive tanto frio que parei, com grande pena minha pois estava a gostar muito do percurso e estava a sentir-me fisicamente bem. Enfim, fica para o ano que vem, onde certamente comparecerei à chamada com o equipamento necessário para enfrentar o tempo adverso que deve estar novamente, já que está marcada para Outubro. Gostei da passagem pelas ruínas(?) das Termas dos Cucos e da descida para Torres Vedras. Quanto ao mais, não deu para ver grandes paisagens já que a chuva e o nevoeiro foram uma constante. O track GPS no Google Earth corresponde apenas à parte que eu fiz, ou seja aos primeiros 30 km. Gostei do grupo e conto repetir passeios com eles.

O comentário do Pedro Capelinha (Cabra Montêz), que organizou o passeio, que ilustra de forma soberba as dificuldades sentidas:
«A primeira edição da travessia das Linhas de Torres começou molhada, foi molhada e acabou molhada, num dos mais exigentes percursos realizados pela Cabra Montêz, dada a baixa temperatura, a muita lama, o vento e os desníveis constantes. Durante o reconhecimento geral desta travessia, realizado juntamente com o meu amigo Ricardo, já me tinha apercebido das dificuldades, e ontem tudo se confirmou. Não obstante as condições, foi possível ficar a conhecer uma grande parte da 1ª linha defensiva de Torres Vedras, e sentimos na pele as dificuldades dos soldados franceses no eventual domínio destas paragens. Fica a fotografia possível, dentro de um trilho que se converteu num ribeiro, com um telemóvel encharcado, embaciado e suado...».