É uma cabala portuguesa, com certeza!

O inenarrável ministro Rui Gomes da Silva, essa personagem tragicómica da entourage política nacional, conseguiu afirmar, durante uma audição com a Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS), que havia em Portugal uma cabala organizada contra o coitadinho do (des)governo de Pedro Santana Lopes. Afirmou, entre outras alarvidades, que a cabala tinha os seguintes contornos:
«O que o Expresso trazia ao sábado era, no dia seguinte, glossado no Público, e Marcelo Rebelo de Sousa domingo à noite desenvolvia o tema», disse o ministro, queixando-se de afirmações «falsas» e «constantemente negativas» por parte do ex-presidente do PSD em relação à actuação do Governo.
Ainda teve a lata de referir que «Marcelo Rebelo de Sousa era um interveniente activo politicamente», e que gostaria que a TVI «ouvisse outras posições». Seguramente que este inútil ministro já levava prontinha no bolso uma lista de comentadores pro-governo devidamente autorizados. Esta observação de Rui Gomes da Silva surpreendeu os elementos da AACS, porque parecia dar a entender que, de alguma maneira, tentava influenciar a programação da TVI. Mas essa ideia foi totalmente rejeitada pelo Ministro dos Assuntos Parlamentares. Certo. Lá diz o povo que não há bruxas, mas que as há, há!
Quando defendeu a sua pièce de resitance, que era a não observação do já famoso princípio do contraditório, teve de se sujeitar à humilhação de ouvir os membros da AACS lhe recordarem que esse princípio apenas se aplica em termos de informação e ao nível noticioso, nunca ao nível do comentário político. Por enquanto, os comentários políticos ainda são da responsabilidade de quem os profere e basta.
Esperamos ansiosamente a destituição deste Pseudo-Ministro dos Assuntos Parlamentares, que tem a seu cargo essa tarefa hercúlea, que precisa de um ministro e ministério inteirinhos, que consiste em falar com os deputados da Assembleia da Reública. O país agradece e estou certo de que, em última análise, o Governo também.

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