O suave acordar do monstro Guterrista
Quando todos julgavam que ele já havia desaparecido do mapa, eis que assistimos ao suave acordar do monstro Guterrista do torpor em que vegetou nos últimos anos. Este facto não é despiciendo.
José Sócrates, qual malabarista Guterrista, já começou a trazer-nos à memória os dislates do «pior governo desde o tempo de D. Maria I» (homenageada na imagem).
Primeiro afirmou que a co-incineração ia voltar. Este facto, para além de preocupante, revela uma falta de sensatez política que dá que pensar. Com esta brincadeira espero que tenha perdido os votos dos distritos de Coimbra e de Setúbal, tal como aconteceu nas eleições de 2001.
Agora afirmou que vai manter a eliminação dos benefícios fiscais inerentes às Contas Poupança Qualquer Coisa (CPQC), no seguimento da decisão do Governo PSD/CDS que foi destituído por Jorge Sampaio. Convém recordar que José Sócrates, a 16 de Outubro de 2004 à margem de uma reunião do Conselho Económico e Social do PS, classificou estas medidas como injustas e penalizadoras da classe média, disse mesmo que se tratava do «maior ataque» à classe média de que há memória na Democracia portuguesa. Mas ontem, em nome da prometida «estabilidade fiscal» (uma exigência antiga dos empresários), o secretário-geral do PS disse que manterá os cortes nos PPR. E prosseguirá com a baixa da taxa do IRS, o imposto sobre os salários e rendimentos. O putativo candidato a primeiro-ministro afirmou no dia 1 de Outubro de 2004 que «O primeiro-ministro fica a saber que nos opomos à ofensiva que o governo prepara contra quem já paga há muito os seus impostos. Este é um verdadeiro ataque fiscal à classe média, e se o governo insistir neste caminho, o PS votará contra o Orçamento de Estado». E o PS votou contra o Orçamento de Estado, alicerçado numa questão que agora parece achar correcta e que vai manter em execução. Na esperança que o perfume da rosa não o tenha deixado anestesiado, espera-se a reacção de nosso já conhecido Nicolau Santos a partir do seu púlpito semanal no Expresso.
Conclusão: em matéria fiscal o PS está, de uma forma geral, em total concordância com as medidas implementadas pela coligação governamental PSD/CDS. Registamos com agrado que no início do mês de Janeiro o PS afirma que pretende manter a política de austeridade. Veremos se este verdadeiro cata-vento político se vai manter neste rumo por muito tempo.
Para alegrar os espíritos, o PS afirma que vai criar 150.000 novos postos de trabalho... só não explica como... Talvez contem com a ajuda do Prof. Sousa Franco directamente a partir do céu... não há melhor lugar para se meter uma cunha ao Deus Todo Poderoso!
Para apimentar a pré-campanha, e porque um partido como o PS não consegue viver sem uma boa dose de demagogia fácil, o PS anunciou que pretende aumentar as pensões mínimas dos idosos que não tenham mais nenhum tipo de rendimento para o nível do limiar da pobreza. O limiar da pobreza é um termo técnico que é definido calculando-se 60% do salário médio nacional. Ora sabendo nós que o salário médio nacional é € 645, o valor deste limiar da pobreza será € 387. Aqui é que está o problema. A proposta do PS é colocar a pensão mínima nacional acima do salário mínimo nacional que é € 374! Isto é absolutamente irreal e, sobretudo, é de uma fantasia eleitoralista mórbida.
Como já fiz notar neste blogue, apesar de José Sócrates ter afirmado que o PS se havia rejuvenescido, nas listas do PS constam nada menos do que 18 ministros e 19 secretários de estado dos governos de Guterres. Agarrem-se! Vem aí a pior equipa governamental dos últimos 200 anos.
Finalmente, o PS tem afirmado, até ao momento, que entre as suas prioridades de primeira linha estão a despenalização do aborto e a co-incineração. São de facto temas importantes para um país com uma educação mal-educada, uma saúde doente, uma justiça injusta, umas finanças paupérrimas ou uma economia esbanjadora.

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