10/11/2004

A Rota das Fontes


Uma subida comigo em pleno esforço (cliquem para ampliar)

No dia 7, participei em mais um passeio BTT do BTTour, desta vez sem companhia. O passeio desenrolou-se na zona de São João das Lampas, na zona Norte do concelho de Sintra e no coração do Parque Natural de Sintra-Cascais. Tratava-se de um passeio de grau de dificuldade intermédio e bem longe da dificuldade dos Trilhos da Pedra Branca, desenrolado na Serra de Aire e Candeeiros.

Éramos 68 BTTistas e como havia poucos inscritos no nível três (o dos profissionais), criou-se um grupo do nível dois mais rápido, do nível dois menos rápido e do nível um. Fiquei incorporado no nível dois mais rápido, o da frente. Claro que era quase sempre o último deste nível, mas, apesar de tudo, consegui acompanhar o ritmo deles. O mote do passeio residia nas fontes, mas confesso que até lhes prestei pouca atenção dado que havia que pedalar para acompanhar o ritmo do grupo. Passámos por treze fontes, fontanários e bicas.

Assim que começámos a rolar, damos de caras com uma parte do trilho que tinha acabado de ser arado nem há 15 minutos! Resultado, tudo a saltar das bicicletas e passar o terreno arado a pé.


Sim, é difícil pedalar em terrenos recém-arados... ©BTTour

Quando chegámos ao Alto da Cabreira, começámos uma descida para uma pequena Ponte Romana. A descida até esta ponte, que é o que resta de uma antiquíssima Calçada Romana construída há mais de 2000 anos, levava-nos a atravessar a Ribeira de Bolelas.


Descida em calçada romana

Esta é uma descida muito curta, de apenas 100 metros, mas também uma das mais sinuosas e técnicas deste passeio, dado o estado de degradação em que ela se encontra. Uma descida a pedir muita perícia. Quando cheguei ao fim desta descida, quase não sentia os pulsos de tanta pancada que tinham levado!


A pequena ponte romana sobre a a Ribeira de Bolelas ©BTTour

A parte mais bonita do passeio foi quando andámos no sobre-e-desce por cima das arribas com uma esplendorosa vista para o mar. O tempo estava óptimo e, coisa rara, no alto da falésia não corria nem uma aragem, certamente em sentida homenagem a São Martinho.


A vista do alto da falésia com a Ericeira ao fundo

Como o nosso destino era a praia lá em baixo, e como estávamos no cimo da falésia, é claro que tínhamos de descer muito num curto espaço até à praia. Como podem imaginar, a descida era inclinadita.


A descida para a praia... Iupiiiiiiiiiiii! ©BTTour

Apesar de tudo, o maior problema ainda era a areia a vidrar os calços dos travões que deixavam de funcionar correctamente. Tavões de disco para que vos quero. Nada de grave e a descida até se fez bem.


Outro plano da descidazinha da arriba para a praia ©BTTour

Entretanto, o José Neves da organização tentava solucionar algumas dúvidas existenciais. Sabem o que é uma Fonte?! E sabem o que é um Fontanário? E um Chafariz? E uma Bica? Então aqui vai:

- Bica: Cano ou meia-cana por onde corre água.
- Chafariz: Fontenário provido de uma ou várias bicas por onde corre água
potável para utilidade pública. Bebedouro público.
- Fontenário: Fonte artificial para abastecimento público de água.
- Fonte: Nascente de água. Chafariz ou Bica por onde corre água.

Confuso?! Perceberam as diferenças? Ou ficaram ainda mais baralhados?


A Fonte do Arneiro com uma estrela em destaque

Quando chegámos à 13ª e última fonte do passeio, a Fonte do Mosqueiro
datada de 1905, podíamos ler a seguinte quadra:

Sempre a correr
Abranda companheiro
Goza o teu lazer
Na fonte do Mosqueiro

Parecia realmente o conselho indicado para terminar o passeio em beleza. Dizem que não se deve brindar com água, mas estou certo de que na Rota das Fontes nem o São Martinho levaria a mal.