BTT à volta do Cabo Espichel
Fotografia do grupo (clicar para aumentar) © BTTour
Depois de chegarem todos os companheiros lá tirámos a fotografia de grupo da praxe e fizemo-nos ao caminho já que a única forma de verdadeiramente aquecer era pedalar. Claro que se parássemos sentíamos novamente o frio, mas se pedalássemos mais depressa o vento aumentava e, consequentemente, o frio… enfim dilemas de betetista. Felizmente o sol aquecia bastante e o tempo tem estado tão seco que não havia nem vestígios de lama nos trilhos. Francamente já não sei se isso é bom ou mau…
A descida para as pegadas dos dinossauros © BTTour
Começamos por descer até à Jazida de Pegadas de Dinossáurios dos Lagosteiros que é considerada um Monumento Nacional e está inserida no Parque Natural da Arrábida. Já lá houve um painel enorme que explicava detalhadamente que aquelas marquinhas na rocha eram efectivamente pegadas de dinossauro, mas parece que caiu ou por acção do vento, que fustiga este local impiedosamente, ou por causa de uns energúmenos quaisquer que o escavacaram à pedrada.
Armação do painel que já teve informações sobre as pegadas dos bichos... © BTTour
Até pode ser que fossem pegadas de dinossauro, mas o céptico que há em mim achou que não passavam de buracos circulares na rocha.
Subida após termos visto as pegadas dos dinossauros © BTTour
Dali, dirigimo-nos para a Praia da Foz, uma pequenina e bonita praia protegida por uma imponente falésia. Contudo, para irmos mesmo até lá abaixo espera-nos uma curta descida, muito técnica, com areia e algo atemorizante. Como ainda circulávamos pela vertente Norte do Cabo Espichel, o vento fustigava-nos como se fossem lâminas.
Eis-me a descer para a Praia da Foz © BTTour
A chegada à praia da Foz proporcionou-nos os primeiros momentos de autêntica adrenalina, com as descidas inclinadas dos single-tracks. Passamos para a vertente Sul do Cabo onde circulámos por uns trilhos bem estreitinhos que não permitiam grandes distracções pois as pedras pontiagudas que brotavam do chão estavam lá a aguardar o momento certo para trilhar um pneu.
Os calhaus prontinhos a furar as câmaras de ar dos mais incautos © BTTour
É claro que houve furos e algumas cãibras por causa do frio que iam quebrando o ritmo. Para chegarmos à zona que dá pelo nome de Fornos tivemos uma sucessão de trilhos de bom piso, intervalados aqui e ali por algumas zonas mais técnicas, sem esquecer uma subida curta mas íngreme com um buracão enorme a meio que, se não tivéssemos cuidado, caíamos mesmo lá dentro com bicicleta e tudo tal era o seu tamanho!! Tudo isto numa zona muito bonita e ainda muito selvagem.
Uma descida verdadeiramente a doer! © BTTour
Depois, foi sempre a subir até apanharmos a estrada principal do Cabo Espichel, em Pinheirinhos, para passarmos para a sua vertente Sul. Depois de um trilho irregular, técnico e mal tratado, eis que chegamos ao início de uma descida, também ela bastante irregular e técnica, para depois vaguearmos por mais um trilho super estreito, em que só cabe uma bicicleta de cada vez. É um trilho escondido, muito tortuoso, técnico, mas deveras bonito. A recomendação era de que devíamos dar algum espaço ao betetista à nossa frente.
Trilho pelo meio da vegetação © BTTour
Foi aqui que o companheiro que seguia à minha frente caiu e eu, para evitar passar-lhe por cima, caí também na atrapalhação de tentar parar. É claro que caí em cima de um molho de umas plantas com umas folhas com pequenos picos. Enfim, sempre é melhor do que cair em cima de um molho de silvas... é a Lei de Murphy do BTT: Se tiveres de cair devagar de forma a não te magoares, cairás sobre um molho de qualquer coisa que te pique, arranhe ou esfole. Este trilho levou-nos a percorrer toda a zona Sul do Cabo, com o mar sempre como pano de fundo do nosso lado esquerdo. A paisagem era linda como se pode ver pelas fotografias. Era preciso ir com muita atenção ao trilho, ter cuidado com as pedras pontiagudas e levar os pneus com pressão de ar suficiente, para evitar os furos. Infelizmente, houve mesmo vários furos que atrasaram muito o grupo. Eu já instalei nos meus pneus o Magik Seal. Não sei se foi por causa disso, mas o facto é que não tive furo nenhum.
A vista deslumbrante que nos acompanhou sempre © BTTour
Seguia-se o início do regresso ao Santuário por um trilho ora rápido (...quando desce), ora lento (…quando sobe) ou mesmo lentíssimo (...quando sobe mesmo a doer), culminando numa subida para "rebentar"! Enfim, eis que tínhamos chegado ao último esforço, num trilho loooongo e relaxante, rápido quanto baste, bonito e entusiasmante com uma vista de mar absolutamente deslumbrante que nos levava de regresso ao Santuário.
A loooooonga subida final © BTTour
Não sem antes termos passado pelas ruínas de uma casa, com uma vista incrivelmente arrebatadora. Parece que se tinham apropriado do terreno durante os tempos quentes da Revolução de Abril, mas depois alguém embargou a obra e acabou com a brincadeira. Só vos digo (infelizmente não há fotos) que quem a construiu sabia escolher! Dá para imaginar a vista pelas fotografias...
Parte final da última grande descida no regresso ao Cabo © BTTour
Perto do final ainda havia uma descida que os guias chamavam Descida dos Jipes. Parece que os jipes costuma fazê-la a subir. Se calhar deviam chamar-lhe Subida dos Jipes...
A descida dos jipes vista ao longe © BTTour
Pois nós, gandas malucos, fizemo-la a descer. Eu desci-a de uma forma tão pouco ortodoxa que até tenho vergonha de contar. Apesar de tudo desci-a montado na bicicleta!
A temível Descida dos Jipes. Não é truque, era mesmo muito inclinada... © BTTour

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