03/05/2004

Abu Ghraib – Os conquistadores vieram com luvas de veludo




Dizia Bush que iam libertar o Iraque. Dizia, mas mentiu.
Dizia que havia armas de destruição maciça. Dizia mas mentiu.
Dizia que os iraquianos iam ficar melhor. Dizia mas mentiu.
Dizia que o exército Americano era o melhor e mais profissional do mundo.

Dizia mas mentiu.
Mentiu sempre.

O que se está a passar no Iraque é um eco do que se passa nos Estados Unidos. Os Estados Unido são um país profundamente racista, xenófobo, socialmente atrasado, desequilibrado e retrógrado. Na américa profunda há seres execráveis que vomitam ódio e maldade por todos os poros. Alguns deles alistaram-se no exército. Alguns têm patentes de monta nesse mesmo exército. O que safa aquele país é que os mesmos indivíduos que não sabem que Portugal fica na Europa, que os gregos não são grécios e que nenhuma sociedade pode sobreviver sem tratar minimamente dos seus desprotegidos quando trabalham no estrito âmbito da sua actividade profissional fazem-no de uma forma extremamente competente. Há médicos absolutamente extraordinários nos Estados Unidos que não sabem falar uma língua estrangeira nem que Platão foi um filósofo grego. Também há por lá alguns dos melhores engenheiros do mundo que acham que Cirano de Bergerac é um filme e não sabem quem foi Jacques Costeau.

Desde que vivi nos Estados Unidos, estou firmemente convencido que o americano médio é um ser profundamente estúpido sem desculpa para o ser. Sem desculpa porque, se realmente se esforçar, pode ter acesso a uma educação de um nível muito aceitável. E um povo educado é um povo evoluído. Não é por acaso que o Canadá, que tem as mesmas condições financeiras e de desenvolvimento, apresenta níveis de qualidade de vida do melhor que há no mundo e uma sociedade verdadeiramente equilibrada, sobretudo quando comparada com a americana. Na realidade, o que safa o Canadá é não haver por lá americanos...

Os americanos ainda não perceberam que não pode haver uma permanente discriminação dos gordos, dos magros, dos baixos, dos coxos, dos burros, dos inteligentes ou dos feios. Eles dizem que são evoluídos e que essas discriminações não existem por lá. Mas existem. E muito. Ora, esse tipo de comportamento, essa matriz de personalidade, pode ter estado, provavelmente, por trás dos militares fracos de espírito que se deixaram envolver na teia de violência proposta pelos seus superiores. As torturas em Abu Ghraib não tiveram lugar sem o apanágio e, provavelmente, o aplauso dos oficiais superiores dos soldados que as perpetraram. Se não, como se justifica que haja milhares de fotografias das atrocidades a serem cometidas? Os tipos são tão estúpidos que acharam que era possível manter em segredo algo de que tiraram milhares de fotografias e até fizeram filmes! Não há memória de gente tão ignorante e cruel nos tempos mais recentes. Estes militares são uma vergonha torpe e devem ser severamente punidos. Os Estados Unidos começaram a desrespeitar as decisões da ONU de uma forma selectiva. Agora desrespeitam a ONU e a Convenção de Genebra de uma forma aberta e francamente despudorada. Até quando?

Infelizmente, a história americana está cheia de tristes modos de actuação. Começaram por tentar, e quase conseguir, exterminar os índios da América do Norte. Largaram as bombas atómicas sobre Hirsoshima e Nagasaki sem pestanejar. Criaram as mais terríveis armas que a mente humana já imaginou depois do consulado do Santo Ofício. Ensinaram por todo o mundo como torturar, bater sem deixar marcas, drogar ou sonegar informações, a que eles eufemisticamente chamam inteligência. Fizeram-no por toda a América do Sul, Vietname, Coreia, Sudoeste Asiático e África. Ensinaram-no a amigos como Pinochet, Saddam Hussein, o estado de Israel, Somoza, François 'Papa Doc' Duvalier, etc.

São um povo sem memória mas com o estigma dos poderosos. É por isso que ninguém os respeita, poucos querem saber deles e a maioria do mundo os despreza. O que é tremendamente injusto para alguns milhões de americanos.

Entre os 250 milhões de americanos há seguramente 10% de pessoas inteligentes. Mas que fazer aos outros 225 milhões?

P.S. - A propósito desta situação de abusos em prisões, é fundamental conhecer o trabalho de simulação de uma prisão que decorreu na Universidade de Stanford nos E.U.A. em 1972 (http://www.prisonexp.org), da autoria do professor Philip Zimbardo. Nesta experiência, foram escolhidos entre a população estudantil desta universidade um conjunto de alunos que, depois de analisados para garantir que não tinham nenhum perfil psicológico violento nem perturbações mentais, foram aleatoriamente divididos em dois grupos: guardas e prisioneiros. A experiência tinha uma duração prevista de 16 dias e foi cancelada após apenas 5(!). Ninguém, absolutamente ninguém, conseguiu resistir ao ambiente que foi criado e acabar com uma experiência do Departamento de Psicologia da universidade. Mesmo os pais dos alunos que os acharam abatidos e com extremo mau aspecto após 3 dias de experiência, quando confrontados com o argumento de "acha o que seu filho não aguenta?", foram deixando os filhos ficar na «prisão». Os «professores» perderam-se na experiência, os «prisioneiros» ficaram completamente manietados e sem vontade própria e os «guardas» abusaram psicologicamente dos prisioneiros, maltrataram-nos, castigaram-nos e escalaram mesmo os abusos para níveis absolutamente inaceitáveis durante a noite quando pensavam que ninguém os estava a ver! Se isto é possível acontecer entre uma população universitária que voluntariamente escolheu participar numa experiência «científica» e que perdeu TOTALMENTE o rumo e as referências que detinha, imaginem numa qualquer prisão perdida nos confins do Médio Oriente cheia de militares que odeiam profundamente os seus prisioneiros...