A Camarada Ilda
In principio erat verbum, assim começa o Evangelho Segundo São João, extraído de um livro provavelmente pouco lido, porque excomungado pelo Comité Central, pela Camarada Ilda, essa inenarrável Eurodeputada pelas listas do Partido Comunista.
Ora, a Camarada Ilda conseguiu o feito assinalável de fazer 700 intervenções no Parlamento Europeu ao longo da última legislatura. Se fizermos uns simples cálculos matemáticos podemos concluir que se o ano tem 48 semanas de trabalho (52 menos as 4 de férias), totalizando 240 dias úteis, ao longo de 5 anos de mandato haverá cerca de 1.200 dias úteis. Ora 700 intervenções a dividir por 1.200 dias de trabalho dá a espantosa média de uma intervenção a cada 1,7 dias. Esta senhora tem quase uma intervenção no Parlamento Europeu a cada dois dias!
Sabendo que existe um total de 786 deputados, se cada deputado tivesse a infeliz ideia de ter uma veia para o discurso como a Camarada Ilda, teríamos tido um total de 700 intervenções vezes 786 Eurodeputados o que resultaria em 550.200 intervenções por legislatura no Parlamento Europeu. Ora, voltando aos dias úteis, 550.200 intervenções a dividir por 1.200 dias úteis dá o absurdo valor de 459 intervenções por dia, ou seja 66 intervenções por hora! Caramba! Que verve! Lá diz o povo na sua milenar sapiência que “Quem muito fala, pouco ou nada diz”.
Imagino as piadas de corredor sobre esta senhora em Estrasburgo. “Quem fala hoje no hemiciclo... para além da Camarada Ilda?” ou o comentário de um Eurodeputado que chega atrasado ao hemiciclo “A Camarada Ilda já falou?”. Em homenagem à Camarada Ilda, faço daqui um repto ao Presidente do Parlamento Europeu para que institua, ad aeternum no período antes da Ordem do dia, o Período da Camarada Ilda.
Já todos conhecíamos a propensão dos comunistas para o discurso tipo cassete. A Camarada Ilda está apenas a elevá-lo a limites nunca antes atingidos pelos comuns mortais.

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