As Eleições Europeias Serão Importantes?
Imagem do Parlamento Europeu
No próximo dia 13 de Junho irão decorrer em Portugal as Eleições Europeias. A menos de um mês destas eleições sabemos, basicamente, quem são os candidatos e pouco mais. Anda não houve um debate de ideias digno desse nome. Ora, se vamos votar (e eu sou apologista de que temos SEMPRE de ir votar) convém saber em que vamos votar ao certo. Os partidos políticos parecem demasiado confiantes de que basta saber que votamos no partido A. B ou C para nos deixar satisfeitos. Infelizmente, hoje em dia, as verdadeiras diferenças em termos ideológicos entre os partidos de maior expressão em Portugal são tão ténues que se torna difícil distingui-los no que concerne às suas propostas. Parece-me um erro de palmatória achar-se que somos todos militantes e que votamos cegamente no A, B ou C, independentemente das suas propostas. Parece-me mesmo um pouco redutor achar-se que as pessoas são assim tão vazias. Penso que é da mais elementar obrigação dos políticos portugueses informar os eleitores de uma forma cabal, completa e, sobretudo, empenhada sobre os motivos que nos devem impelir a votar num determinado partido.
É claro que há partidos meramente oportunistas. O do Manuel Monteiro é um acto falhado que reflecte profundamente o desnorte de alguma da classe política portuguesa. É de um ridículo tal que até custa a perceber que raio de objectivo terá.
O Partido Comunista, que foi um acérrimo opositor à Europa, agora também quer apanhar a onda. Mantém o mesmo discurso repetitivo, candidatos dúbios (Ilda Figueiredo?) e um cheiro a mofo preocupante. Talvez pretendam ir para os Parlamento Europeu defender que a homossexualidade é uma doença ou que a Coreia do Norte nunca foi uma ditadura repressiva e violenta.
O Bloco de Esquerda é um conjunto de megalómanos que esperam e anseiam que os eleitores se esqueçam de que o BE foi construído sobre dois partidos (o PSR e a UDP, a política XXI não conta para nada...) que são, no mínimo, pouco democratas. A esse propósito cito o primeiro artigo dos estatutos do PSR:
“1.O PSR é a secção portuguesa da IV Internacional. O seu objectivo é a revolução socialista que destrua o sistema capitalista e a exploração do Homem pelo Homem, criando as bases para o desenvolvimento de uma sociedade socialista, iniciando a destruição do Estado pela instauração da mais ampla democracia social e pela associação livre dos produtores.”
Sociedade Socialista? Destruição? Caramba... digam lá isso a quem aturou essa sociedade perfeita durante 50 anos atrás da Cortina de Ferro e que só agora se viu livre desse castigo! Se o Louçã quer impor um regime Socialista (que, para os mais distraídos, quer dizer Comunista) em Portugal, que o diga com as letras todas em vez de se esconder atrás do partido chique e da moda que é a operação cosmética Bloco de Esquerda... Se ele apregoasse este discurso em todas as suas intervenções durante a campanha eleitoral, questiono-me quantos energúmenos votariam no BE.
O CDS enquanto estiver em coligação com o PSD tem de engolir o sapo Europa do qual nunca gostou particularmente. Está no mesmo barco que o PCP.
Restam o PS e o PSD que, na realidade, defendem exactamente a mesma Europa, com diferenças pontuais aqui e ali. No entanto, é extremamente difícil admitir esta semelhança de política, sobretudo para o PS. Afinal de contas, o PS foi o partido que mais se desviou da sua matriz orgânica que era o caminho para o Socialismo, tal como expresso na Constituição de 1976. Já todos sabemos que o caminho desse socialismo apenas levava até um abismo tenebroso.
É verdade que o PS se realinhou com a nova realidade, mas isso não significa que não lhe tenha custado muito conseguir fazê-lo. A única coisa estranha no PS é que não tendo políticos brilhantes no panorama nacional, ainda consegue mandar para a Europa alguns dos seus melhores representantes.
Com este panorama político, confesso que seria mesmo muito difícil que os partidos políticos portugueses ficassem entusiasmados com estas eleições. Parecem ser mais uma obrigação que outra coisa qualquer. Não há emoção nem empenho no seu discurso.
Nenhum dos partidos portugueses me parece lá muito empenhado, nem faz o mínimo esforço por demonstrá-lo aos eleitores. Deve ser por isso que os eleitores lhes vão responder de uma forma cabal: com uma abstenção escandalosa...

<< Home